E andam preocupados com as aparições de um ex-governante fracassado


Sérgio de Almeida Correia,

(Foto: Rui Gaudêncio, Público)

O líder do grupo está habituado a fazer recomendações à classe política, a dar opiniões sobre a forma como o país deve ser governado, sobre o descalabro das finanças públicas e o que podia ser feito para corrigir sucessivos défices. Para além disso, do seio do seu grupo, da sua escola, saíram muitos deputados, administradores de empresas participadas pelo Estado, membros do Governo, dirigentes dos partidos políticos. Quem o ouvisse e lesse as suas entrevistas e de outros dirigentes do grupo pensaria ser aquele o domínio da gestão exemplar, inatacável, e que os investidores e depositantes podiam estar sempre tranquilos. Agora, uma auditoria mostrou que “irregularidades materialmente relevantes” esconderam 1200 milhões de dívidas nas contas de 2012. Parte da dívida, diz a notícia, foi contraída por empresas do próprio grupo em situação económica difícil. E agora a holding do grupo está em situação de “falência técnica”. Brilhante. De nada serviram os generosos benefícios fiscais que receberam, para criar riqueza, diziam eles, à custa de todos nós. Pois sim…

Registando que o líder do grupo foi o primeiro a assumir os erros, pergunto qual a autoridade que pessoas como ele têm para amanhã criticarem a forma como são geridas as contas públicas, os gastos na saúde e na educação dos portugueses ou os direitos sociais da generalidade das pessoas que trabalham, se nem em sua casa sabem gerir e controlar os gastos?

O apoio ao negócio dos colchões*


joaomsandre,

E temos agora a senhora presidente do conselho das finanças públicas a propor taxar levantamentos. Eu não sei se ria se chore, porque a ideia é tão disparatada que só posso imaginar que ela tenha bebido uns copos valentes antes de abrir a boca. É que, sejam lá quais forem os favoritismos, taxismos, carreirismos e outros ismos, Teodora Cardoso tem que ser uma pessoa minimente inteligente para chegar onde está. Por outro lado sabemos que a ideia deste governo é ir desmantelando o estado (depois de espremer o que pode para pagar aos patrões de “lá fora”) e uma tal taxa ia garantir a proliferação absoluta do liberalismo económico com os bancos a desaparecerem do mapa ou a serem utilizados apenas no estrangeiro e o resto das compras a serem feitas em dinheiro ou até em géneros, quiçá com novas moedas inventadas (dará jeito para quando nos chutarem para fora do euro e o novo escudo desvalorizar zimbabuéniamente) ou mesmo com bitcoins ou lusocoins.

 

Estou certamente a ser injusto. Teodora Cardoso viu apenas uma grande oportunidade para uma área de negócio que tem sido escandalosamente negligenciada por todos os governos. O fabrico de colchões. Venha a taxa. Seremos todos colchoneros (também têm o hábito de sofrer e ser governados por loucos).

 

*1º da série (que nem sequer sabia vir a ser uma série).

Petróleo de sangue


Sérgio de Almeida Correia,

Aos diamantes de sangue de Rafael Marques sucede-se o petróleo de sangue da “quadrilha” de Obiang. Os milhões que entram no Banif garantem que não faltará petróleo para fazer andar os topos de gama que o fisco vai sortear entre os seus contribuintes. Não entre todos; apenas entre aqueles que se prestem na perfeição ao papel de bufos das bicas e sejam os felizes contemplados dos inenarráveis sorteios que aí vêm.

Mas lá que é triste, isso é. Não é agradável ver os milhões que tanto nos custam a ganhar em liberdade e democracia, e que safaram o Banif de mais um triste fim, misturados com os dólares que os facínoras sacam ao seu esmifrado povo. E assim se passa directamente da realpolitik e da diplomacia económica do dr. Portas para a stinking politik que ajudará a renovar os stocks da Avenida da Liberdade. Tax free. 

Sinal dos tempos


Pedro Correia,

Vejo os títulos da imprensa de hoje nos quiosques. Títulos? Não, título. A manchete é comum: “Millennium apoia as empresas portuguesas”. Um título não informativo, mas publicitário. Muda apenas o grafismo, cuidadosamente adaptado a cada periódico. Por aqui se vê a extrema debilidade financeira da nossa imprensa: basta um banco — qualquer banco — lançar uma campanha publicitária para todos os diários generalistas lhe cederem o seu espaço mais nobre, que devia estar reservado a notícias e não a anúncios.

Acontecesse isto noutro tempo e não tardariam vozes de indignação a multiplicar-se contra este abastardamento da nobre função de informar. Mas a coisa já passa agora sem o mais leve sussurro crítico, o que é um inequívoco sinal dos tempos.

Compro um exemplar do i – o único diário generalista que ficou à margem desta campanha. É o único que tem, portanto, uma manchete noticiosa: “Portugal sem estratégia para tempestades marítimas”. Aqui fica a minha singela homenagem, enquanto leitor, ao jornal que quebrou o monopólio do Millennium neste chuvoso dia do novo ano.

De Estaline a Gordon Gekko


Pedro Correia,

 

Bem-vindos ao admirável mundo novo. O do trabalho sem direitos, o das jornadas laborais sem horários. Não me refiro às lúgubres linhas de montagem da China ou do Bangladeche, onde mulheres e crianças são atiradas, a troco de quase nada, para satisfazer as delícias consumistas das sociedades “emergentes”. Refiro-me a outro género de escravatura contemporânea. À promovida pelos esclavagistas engravatados da City londrina, que utilizam jovens trabalhadores precários como peões da sua alucinada engrenagem do compra-e-vende, espécie de proletariado do nosso tempo que começa a trabalhar ainda antes de nascer o sol e continua agarrada à cadeira e ao telefone depois de o sol se pôr (porque há sempre uma Bolsa a abrir algures, noutro continente).

Um admirável mundo novo cheio de suicidas, em paragens tão diversas como Paris ou Tóquio. E com um novo mártir: um rapaz de 21 anos, oriundo da Alemanha, que trabalhou literalmente até morrer.

Chamava-se Moritz Erhardt, estava há sete semanas como estagiário da sede londrina do Bank of America Merrill Lynch, no sector da banca de investimento. Tinha como herói uma figura do cinema: Gordon Gekko, o implacável corretor interpretado por Michael Douglas em Wall Street, de Oliver Stone. O mesmo Gekko que proclamava: “A ganância é que faz mover o mundo.”

 

Colegas que partilhavam a residência estudantil com o jovem alemão encontraram Moritz morto no duche, há duas semanas. Vinha de 72 horas consecutivas de trabalho, sem pausa para dormir. Num meio onde é frequente trabalhar entre 12 e 16 horas diárias, seis a sete dias por semana.

Trabalha-se em piloto automático, muito para além dos primeiros sinais de fadiga e esgotamento começarem a ser emitidos pelo corpo humano: 110 horas semanais, sem fins de semana. Para satisfação permanente da ganância de alguns.

 

O jovem alemão morreu a 15 de Agosto, dia de festas e romarias em Portugal nas quais se conjugam o sagrado e o profano. Dia que chegou a estar na lista dos feriados nacionais a abolir entre nós, por vontade dos Gordon Gekkos lusitanos, pífios aprendizes de Estaline – sem bigode e com camisas Hermès em vez da samarra comunista.

O ditador soviético promovia a “heróis do socialismo” aqueles operários que mais horas consagrassem à patriótica tarefa de produzir em doses brutais. O maior de todos eles foi Andrei Stakhanov, um mineiro que, no dia 31 de Agosto de 1935, terá conseguido extrair 102 toneladas de carvão em cinco horas e 45 minutos.

No amplo formigueiro estalinista, Stakhanov foi apontado como exemplo a seguir: recebeu um caloroso abraço de Estaline, passou a ostentar a Ordem de Lenine, ascendeu a deputado no Soviete Supremo da URSS, teve honras de capa na capitalista Time e deu até origem a novas palavras: stakhanovismo e stakhanovista.

Milhões de soviéticos procuraram seguir este padrão, para louvor e glória da “pátria dos trabalhadores”, conduzida pelo grande ditador.

Moritz Erhardt não teve tempo para receber o abraço de ninguém. Infeliz Stakhanov dos nossos tempos, escravo de gravata, sucumbiu em Londres, à hora em que abria a Bolsa de Tóquio, deixando tanta acção por vender e por comprar. “Money never sleeps”, como Gordon Gekko ensinou aos seus contemporâneos.

 

Imagens, de cima para baixo: Moritz Erhardt (foto The Times); Michael Douglas, protagonista de Wall Street (1987); Andrei Stakhanov num selo soviético

Quando salvar os bancos é coisa boa


escafandro,

Existe há muito em Portugal a tendência para considerar que o dinheiro do Estado é inesgotável e que este apenas o recusa por maldade. Da exigência de cada vez mais serviços públicos (com consequente aumento de custos) à solicitação de apoios sempre que algo corre mal (cheias, incêndios, granizo, dificuldades financeiras de empresas públicas e privadas), os exemplos abundam. Ao tornar visível que o dinheiro do Estado sai do bolso dos contribuintes, a crise  abalou ligeiramente esta mentalidade mas não a eliminou. Longe disso. Ainda recentemente (um exemplo entre muitos possíveis) o bastonário da ordem dos médicos admitia que a situação financeira do Serviço Nacional de Saúde é preocupante mas acrescentava de imediato que tal não revela a existência de um problema no SNS, antes de um problema no país. Como se o país fosse uma realidade inteiramente separada das suas componentes. Como se fosse possível resolver problemas sem mexer na área em que eles ocorrem. Como se, aplicada a todos os sectores, tão brilhante conclusão não levasse a um (de resto, tradicional) completo imobilismo (em nada de específico se toca porque o problema não é específico), do qual resulta o irritante problema de saber quem no fim paga as contas (algo que não pareceu preocupar o bastonário porque, evidentemente, ele continua a acreditar que o dinheiro só não surge por má vontade). E a maioria das pessoas terá ouvido o bastonário e concordado se não com a interpretação altamente dissociativa que ele produziu pelo menos com a mensagem mais perceptível de que é preciso arranjar dinheiro para injectar no SNS.

Existe, todavia, uma área em que os portugueses parecem hoje incomodar-se a sério com a utilização de dinheiros públicos: o auxílio aos bancos. Aumentar impostos ou cortar salários e pensões para salvar os bancos? Inaceitável. Na verdade, nem tanto. Como se vê pelas reacções às soluções adoptadas em Espanha (o auxílio aos bancos não conta para o défice) e em Chipre (onde os maiores depositantes foram atingidos), bem como a várias notícias relacionadas com a união bancária, não é a ajuda aos bancos que incomoda os portugueses. Tendo mais ou menos percebido que o dinheiro público nacional lhes sai dos bolsos, os portugueses apenas passaram a desejar que outro dinheiro público resolva os problemas. O dinheiro público europeu, que, evidentemente, só não é inesgotável por má vontade de alguns povos (ou melhor: dos governantes de alguns povos). Com esse dinheiro, e entre muitas outras coisas, salvar os bancos não tem mal nenhum.

Do total descaramento


Ana Vidal,

“Um banqueiro disse esta noite, pomposo, solene e pesaroso, que “andámos muitos anos a viver acima das nossas possibilidades” (José Maria Ricciardi a Mário Crespo). Como se os bancos não tivessem sido os primeiros a impingir crédito fácil para ganharem, como ganharam, muitos milhares de milhões. Antes tinha metido os pés pelas mãos a não explicar por que motivo traz dinheiro do BCE a 0,5 por cento e o empresta a 7 por cento, como disse o Presidente da República. Depois, negou qualquer conflito de interesses no facto de o BES assessorar a venda da TAP, tendo vendido a sua companhia aérea falida -a Portugália – à mesma TAP. Por fim, achou perfeitamente natural – como não? – que o Governo tenha contratado para assessorar a venda dos CTT um banco (o J.P.Morgan) que, ainda há poucas semanas, queria levar a tribunal por causa dos famigerados swaps. Há entrevistas a banqueiros que deviam ter bolinha vermelha.”

 

(Fernando Madrinha, no Facebook)

De confisco em confisco.


Luís Menezes Leitão,

 

Primeiro foi o confisco dos salários dos funcionários públicos. Depois passou-se ao confisco das pensões. A seguir entrou-se nas tributações confiscatórias. E agora fala-se no confisco dos depósitos bancários. Tudo perante uma constituição que garante o direito à propriedade, proibindo o confisco. Vivemos num país onde o Estado de Direito e o respeito pela legalidade se tornaram palavras vãs. Neste momento vale tudo e, pior do que isso, os cidadãos sabem que em qualquer momento pode valer tudo.

 

Vem isto a propósito da intervenção de Fernando Ulrich a defender o confisco dos depósitos bancários. Já uma vez escrevi aqui que Fernando Ulrich parece o banqueiro anarquista de que falava Fernando Pessoa. Neste momento, acha que o dinheiro dos depositantes não merece qualquer protecção e pode ser livremente confiscado. A  mim não me espantava nada que um partido anarquista defendesse o confisco dos depósitos bancários. Já me custa muito, no entanto, a aceitar que essa posição seja defendida pelo responsável máximo de um banco. Os seus depositantes podem muito justamente perguntar-se qual a razão por que devem depositar o seu dinheiro num banco onde se defende o confisco dos seus depósitos. 

 

Mas, vendo bem, o exemplo de Fernando Ulrich não é muito diferente do que se está a passar com os partidos da maioria governamental. Tendo sido eleitos como partidos de direita ou de centro-direita têm vindo a fazer no governo exactamente o contrário do que propugnaram e do que defendem os seus programas, desencadeado ataques à propriedade mais violentos do que o partido anarquista mais radical que pudesse existir. Como é óbvio, trata-se de uma política suicidária, que só pode levar os seus autores a um descalabro eleitoral. Mas Passos Coelho que defende que as eleições que se lixem, já prometeu continuar nesta senda, haja o que houver. Resta saber se o PSD quer alinhar neste suicídio colectivo.

Salvando os bancos


escafandro,

Por que motivo, em comparação com o que sucedeu nos Estados Unidos, tão poucos bancos encerraram na Europa desde o início da crise financeira? Devem os bancos europeus continuar a ser salvos com dinheiro dos contribuintes ou deve a solução encontrada para Chipre ser alargada a outros países? Este artigo, na edição online em inglês da Der Spiegel, ajuda a perceber que não há respostas fáceis.

Vêem-se gregos, os cipriotas …


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Viajei no Chipre em 1982, o primeiro inter-rail. Ficou-me uma imagem meio esbatida, pelo tempo e não só. Lembro o Muro de Nicósia, que achei pouco imponente e bem estranho (até porque na altura os “turcos” infiéis não eram os inimigos, estes vinham mais do norte), o alegre convívio júnior, até esfuziante, uma fome combatida a cervejas e muito ocasionais spaguetis e estes magníficos mosaicos de Paphos. Foi uma semana, depois voltámos à Grécia, inebriados pela história no Peloponeso, e pela fome vivida e as cervejas bebidas.

Pelo Chipre e cipriotas ficou-me este carinho, de memória. Agora vejo que lhes esbulharam as poupanças. Não sei que lhes terá acontecido e o que terão feito para se chegar a este desenho. Cheira-me que é o princípio do fim. Do quê não sei, mas de alguma coisa será. Não que me surpreenda, cá por casa muito disso se falou há uns dois anos. Emigrantes remediados, pequeninos aforradores, pensámos que o dinheiro (a moeda) entregue à guarda dos gabirús poderia desaparecer. Nas conversas amigos mais sábios na vil matéria aconselhavam: compra dólares, não os guardes em Portugal (e arredores).

Ora aí está. Hoje vê-se grego o cipriota e eu não disse nada … amanhã ver-se-á grego o búlgaro e eu não direi nada … depois de amanhã, ver-se-á grego o … É ir ler o Brecht, que tem uma ladaínha dessas.

Solução? Simples. Ponham o dinheiro no estrangeiro, mesmo que seja pouco. Num estrangeiro. Escolham bem. Façam como os gabirús. E, se puderem, vão atrás dele. Não deles. Dele.

Não era má ideia…


André Couto,

 

… que Vítor Gaspar viesse tranquilizar a malta e dizer que, caso o acórdão do Tribunal Constitucional venha no sentido que não deseja, a solução não passará por inventar um plano B, que confessou não ter, à base da receita usada em Chipre. Digo eu, só para não desatar tudo a levantar os poucos cobres que restam.

Insanidade em Bruxelas


josegomesandre,

Pela calada, o Euro e a União Europeia sofreram hoje um abalo terrível. O resgate de Chipre levou o Eurogrupo a impôr condições muitíssimo severas, que não só lançaram os cipriotas em desespero como produzirão ondas de choque muito além do Mediterrâneo. Os dirigentes europeus demonstraram, mais uma vez, uma completa indiferença pelas regras do jogo democrático e pelos enquadramentos legais. Qual é a legitimidade da UE para levantar impostos sobre os depósitos bancários individuais? E como podem os responsáveis cipriotas enganar a população desta forma, negociando uma jogada de bastidores que constitui um autêntico assalto às poupanças dos cidadãos? E talvez pior ainda: que mensagem envia a UE aos restantes povos europeus? Que o (pouco) dinheiro que têm nos bancos não está a salvo em nenhumas circunstâncias? Quem achou uma boa ideia aterrorizar os depositantes, num momento de crise generalizada como este? Querem acabar com a pouca credibilidade que ainda resta no sistema bancário? A insanidade grassa em Bruxelas.

Uma pobreza…


José Maria Gui Pimentel,

Sou o primeiro a defender que uma sociedade democrática e capitalista deve conceder a ricos e pobres os mesmos direitos. E reconheço que em Portugal, se é verdade que na maioria das vezes os pobres são grosseiramente ignorados, também o é que os endinheirados, uma vez caídos nas bocas do mundo, se vêem muitas vezes privados de alguns direitos, olhados com um misto de asco “savonarolesco” e de inveja pelo povo (como é típico nas sociedades de tradição católica), como se ser rico fosse sinónimo de ser desonesto.

 

Por isso, encarei com naturalidade, apesar do nome caricato, o movimento dos reformados indignados (MRI), encabeçado por Filipe Pinhal. Como o próprio disse, trata-se de pessoas que descontaram toda a vida “a contar com determinados rendimentos e que agora não podem contar com eles.” De facto, e se outros argumentos não bastassem, se não queremos que os ricos fujam, ou que depositem o seu dinheiro no estrangeiro, temos que lhes aplicar as mesmas regras e conceder os mesmos direitos dos restantes cidadãos.

 

Mas a minha benevolência teve um fim prematuro ao assistir hoje à conferência de imprensa de Filipe Pinhal, em que este não resistiu a apoderar-se de um jargão que, se na boca de alguns já soaria a demagogia, utilizado pelo ex-presidente do BCP parece mesmo uma piada de mau gosto. Pinhal falou dos “pobres dos reformados” que representa, acrescentando que se trata de pessoas “indefesas”. Como quer Filipe Pinhal que reaja um reformado efectivamente pobre e verdadeiramente indefeso perante palavras tão desadequadas, senão com a mesma indignação que este faz sua? Enfim, uma pobreza…de argumentação.

 

Com ricos destes, o que podemos exigir da nossa (já decadente) classe-média? É este tipo de episódios, assim como outros reveladores desta e de outras idiossincrasias nacionais, que me faz questionar, o que terá nascido primeiro: o ovo (o autismo dos ricos) ou a galinha (a presunção de desonestidade que os pobres lhes atribuem)?