… que Vítor Gaspar viesse tranquilizar a malta e dizer que, caso o acórdão do Tribunal Constitucional venha no sentido que não deseja, a solução não passará por inventar um plano B, que confessou não ter, à base da receita usada em Chipre. Digo eu, só para não desatar tudo a levantar os poucos cobres que restam.


Eu achava melhor vir alguém mais credível declarar tal coisa. Se é ele, desata tudo à mesma a levantar os cobres.
A questão é: quem é esse “alguém mais credível” em que possamos acreditar…
Assim de repente, só o “escurinho”, e mesmo esse…
Esse não fala…
Percebo perfeitamente a sua mais do que legítima preocupação perante uma provável corrida às poupanças….mas considera que a palavra do ministro seria o suficiente para deixar minimamente descansados os portugueses?
Não, mas levantar essa questão era uma das ideias destes post… 🙂
Acho que não são precisos mais sinais. Já todos estamos a ser confiscados de uma ou outra forma, e como diz o ditado, vão-se os anéis ficam os dedos, só que pelos vistos os anéis não são suficientes, logo, à partida podemos esperar que a seguir irão os dedos!
Cara Ana A., uma coisa é confiscarem-lhe aquilo que ainda vem, aquilo que espera mas que ainda não é seu. Outra coisa é tirarem-lhe o que já ganhou e conquistou com o seu trabalho, ou com o suor dos seus…
Ambas as situações são graves, mas uma bem mais que outra.
Tem toda a razão .
As pessoas acham que têem direitos adquiridos futuros e então confundem-os com direitos adquiridos passados .
Muito boa gente que poupou para uma eventual dificuldade (a formiga) se deve começar a interrogar porque é que não trocou o carrito ou a mobília da sala ou bebeu uns copos valentes como o vizinho (a cigarra) .
P.S. – A situação de Chipre é um caso muito particular que pouco tem a ver connosco .
Mas a medida tomada é de uma estupidez sem paralelo .
Caro rmg, há direitos adquiridos futuros que não deveriam ser tocados, mas sobre isso pronunciar-se-à o Tribunal Constitucional. De qualquer forma é efectivamente diferente. Essa analogia que usou, da cigarra e da formiga, é certeira e ilustra bem a dimensão do problema.
Compreendo que diga que a situação de Chipre e de Portugal tenham pouco a ver uma com a outra, a questão é que para o cipriota comum, bem como para o português comum, é exactamente igual. O cipriota comum não tem culpa que os russos e os gregos tenham desatado a depositar dinheiro nos seus bancos, e muito menos têm de pagar por essa particularidade…
Caro André Couto
Agradeço a sua resposta .
O tema dos direitos adquiridos futuros levava-nos longe pois é algo que passa sempre pela capacidade de os honrar .
Isso é válido para os Estados como o é para as relações entre as pessoas .
Não devia ser assim , pois não devia , aí estamos (quase) todos de acordo .
Concordo com o que diz mas há uma subtileza , na minha opinião .
Já o escrevi ontem noutro post deste blog e não vou repetir tudo mas parece-me que a situação do cipriota vs a do português comum tem diferenças .
Chipre vive há anos em grande parte da sua situação como uma “espécie” de paraíso fiscal e disso terão beneficiado de uma forma ou outra as populações locais – não é o nosso caso aqui , muito pelo contrário.
De resto , e como ontem escrevi , esta medida é de uma estupidez total (já nem falo da enorme injustiça de tirar 6.75% a pequeníssimos aforradores …).
Então onde andava a supervisão do BCE neste BPN cipriota.
Então se eles ofereciam juros melhores que os outros porque não depositar lá o dinheiro ?
E obviamente que quem lá depositou o dinheiro não foi o zé povo , foram os mini-tubarões que ainda não tinham estofo ou artimanhas para o pôr na Suiça.
Mais uma vez se verifica que os culpados desta mega-crise foram os gestores bancários e os accionistas dos bancos que delinearam a estratégia e a sancionaram em busca de chorudas recompensas que até tiverem, com os lucros obscenos da última metade da década, criados unicamente através de especulação e economia de casino.
Quem paga por todo esse hedonismo é o mexilhão que nunca lá tocou e quando muito contribuiu com o endividar ligeiramente exagerado sendo que na minha modesta opinião apenas 5% a 10% faliram por incapacidade de se controlaram ,os demais foi porque lhes tiraram o sustento !
Ora a crise começou nos USA e estendeu-se á Europa por arrasto devido á desregulação dos mercados para os tubarões da Finança que apostam na tal economia de casino que se mantém (ainda existe short selling e a Taxa Tobin é uma miragem) , além do fluxo massivo de capitais por magia (a net permite ) entre países , algo só possível também aos tubarões que são os únicos a beneficiar destes esquemas mas QUEM ESTÁ A PAGAR ESTA BANDALHEIRA TODA É O MEXILHÃO.
Cronologia :
1º – Bancos e acionistas ficam em apuros em devido á economia de casino onde ganharam milhões !
2º – Forçam ajudas sobre o pretexto de proteger os depositantes !
3º – Bancos usam o dinheiro das ajudas para comprarem divida publica !
4 º – Estados endividam-se para aquecer ligeiramente a economia (em Portugal despejou-se gasolina na fogueira)
Bancos pressionam as taxas de juro dos Países alertando (com a ajuda das agências de rating que não previram o colapsar dos bancos) que a divida dos Países é demasiado elevada , divida originada em 3º e 4º .
5 º – Bancos salvos apostam agora fortemente contra os Países que os ajudaram. Politicos e reguladores a soldo dos bancos (por isso os ajudaram em 1º em vez de se preocuprem unicamente com os depositantes e trabalhadores) ordenam que o Povo pague agora por erros que não cometeu e onde nem foi achado, apenas ludibriado.
Obviamente o objectivo é criar novos medos subjugando toda uma sociedade pelo pobeza com todas as dificuldades e constrangimentos que isso acarreta para beneficio de uns poucos sem rosto que agora mandam em tudo sem legitimidadee para tal.
Quem souber explicar melhor ou veja que cometi algum erro na análise que complemente ou corrija.