Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O PSOE tornou-se um lúmpen político de atmosfera infrequentável, ao ponto de o mítico Felipe González ter marcado distâncias. Há de tudo, de juridicamente ilegal a eticamente insustentável: suspeitas de chapelada eleitoral na eleição interna, corrupção, prostituição. Nem vale sequer a pena ir para questões de governação, o sacrifício aos separatistas para manter o poder, que isto é quase alta política face ao dinheiro vivo na sede do partido, à amante de um ministro paga pelo Estado, aos contratos de máscaras, ao caso dos hidrocarbonetos. Sánchez, para já, está ileso, mas o cheiro é nauseabundo. Dos quatro homens que circularam por Espanha no Peugeot, em 2016, que o levou ao poder, dois têm o passaporte apreendido, o terceiro está preso. O quarto, o próprio Sánchez, já não serve para virgem vestal e Portugal é o último país a poder fazer de conta que não vê. É absolutamente misterioso que por cá, com mais de uma década de Operação Marquês, se escolha ver em Sánchez apenas o arauto de uma esquerda à procura de ser feliz com pouco. Não serve para este papel.»

Maria Henrique Espada, na Sábado

Reflexão do dia


Pedro Correia,

 

«Os Estados Unidos são hoje, de facto, fonte de risco na política internacional: é algo de que não temos memória nas últimas décadas. Uma alteração estrutural que conduz à grande ruptura que parece estar em curso.»

Miguel Monjardino, na SIC Notícias 

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A notícia dos 75.800 euros escondidos em envelopes no Palácio de São Bento mudou tudo.

Mesmo que os arguidos não sejam levados a julgamento, mesmo que sejam julgados e absolvidos, mesmo que não haja nada concreto para acusar António Costa, o PS precisa de ir para a oposição.

O choque, desdém e vergonha provocados pela descoberta de tanto dinheiro escondido na sede do Governo não são mortais para o Governo, mas levam o partido por arrasto, incluindo os que, lá dentro, sentiram o mesmo choque, desdém e vergonha que sentiram os que estão fora, à esquerda e à direita, ligados ou desligados da política.»

 

Bárbara Reis, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A retórica é claramente de ódio a Israel e anti-semita. Os cartazes são de linguagem desumanizadora e de apoio à violência do Hamas. Vêem-se bandeiras do ISIS e da Al-Qaeda. Ninguém podia pedir maior apologia do terrorismo. Grita-se “morte aos judeus”, usam-se cartazes com a bandeira de Israel no lixo junto ao slogan “manter o mundo limpo”. Só quem considera os judeus não possuidores de dignidade humana por inteiro permanece numa manifestação onde se exibem tais opiniões.

Mas nem só de slogans em manifestações vive o anti-semitismo. Em Londres, os crimes motivados por anti-semitismo, desde o ataque do Hamas, cresceram 1350% (em termos homólogos). Uma sinagoga em Berlim foi atacada por dois cocktails Molotov. Na mesma Berlim, estrelas de David – o sinal, lembro para os mais novos, que os judeus eram obrigados a usar em braçadeiras no regime nazi – foram pintadas à porta de casas onde habitam judeus. A sinagoga do Porto foi vandalizada. Em Paris, foi queimada a porta do apartamento de um casal de judeus octogenários. (…) Em Barcelona um hotel foi atacado por manifestantes. A razão? É propriedade de um judeu. Em Toronto o alvo foi um restaurante. A razão? A mesma.

Este anti-semitismo é declarado e evidente. Atacam-se as pessoas, as casas, os negócios. Temos relatos de tudo isto vindos da Europa pelos anos 1930.»

Maria João Marques, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A violência desmedida dos guerrilheiros da UPA em 1961 contra os portugueses [no norte de Angola] teve exactamente o mesmo objectivo da violência desmedida dos guerrilheiros do Hamas contra os israelitas: chocar o país e o mundo; aterrorizar a população; destruir qualquer sensação de segurança; obrigar a uma intervenção militar capaz de quebrar a situação de impasse; torná-la o mais desgastante possível, de forma a conduzir a uma clarificação política e à vitória final. Esta é a lógica. Esta é a estratégia. A partir daqui, as pessoas dividem-se em dois grupos: 1) O grupo dos que aceitam este nível de violência porque a luta é justa. 2) O grupo dos que não aceitam este tipo de violência mesmo que a luta seja justa. Não tenho dúvidas a que grupo pertenço. E também não tenho grandes dúvidas do grupo a que pertencem aqueles que decidem manifestar-se a favor da Palestina antes sequer de os inocentes irem a enterrar.»

 

João Miguel Tavares, hoje, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O “todos, todos, todos” gritado por meio milhão de pessoas no Parque Eduardo VII é uma imagem que ficará comigo. Há quem considere isto falta de critério. E, de facto, é. Jesus não tinha qualquer espécie de critério quanto ao amor ao próximo. Está escrito: quem deves amar? Toda a gente. Incluindo quem te esbofeteia. É uma proposta excessiva e humanamente inatingível? Sim, mas o essencial não é atingi-la – é deixarmo-nos guiar por ela. É esforçarmo-nos por colocar o perdão, em vez da vingança, no centro das nossas vidas.

Francisco arrasta multidões, em parte porque são fortíssimas as ressonâncias evangélicas das suas palavras. Depois, claro, há os católicos em geral a quem Francisco muito irrita, e que invadem eucaristias direccionadas para a comunidade LGBT. Estamos tão habituados a uma Igreja prescritiva, que quando alguém diz, como ele, que “o Senhor não aponta o dedo, abre os braços”, há logo quem pense que Francisco está a “facilitar”. Mas não há nada de fácil nisso. Deixar os imperfeitos à porta é muito mais cómodo do que os acolher em casa.»

 

João Miguel Tavares, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Para captar os incautos de todo o mundo, o putinismo ergueu-se como defensor dos “valores morais tradicionais”, e sobretudo da Cristandade.

Moscovo seria a Nova Roma da Ortodoxia, a proteger as suas ovelhas, onde quer que estivessem.

Mas os selvagens ataques à cidade de Odessa, mais monstruosos por se disfarçarem de “bombardeamentos cirúrgicos a alvos militares”, conseguiram também destruir um símbolo maior da Fé.

Na verdade, a delapidação generalizada da Catedral do Salvador e da Divina Transfiguração mostra bem a face do “protector”. Fundada no século XVIII, foi declarada o maior templo da Nova Rússia em 1808. Jaz agora em ruínas, fruto da política de terra queimada do santo Kremlin.»

 

Nuno Rogeiro, na Sábado

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Há uma crise geral das democracias, não é um problema especificamente português. Há uma crise dos sistemas de representação democrática. A verdade é que a democracia é um regime que vive quase permanentemente em crise e temos de saber lidar com isso. E, provavelmente, não estaremos a saber lidar com isso.

E porque é que vive praticamente em crise? Porque é o único tipo de regime que assenta na indeterminação, na incerteza, na ideia de que o poder é um lugar vazio e que é momentaneamente ocupado por aqueles que adquirem legitimidade para o fazer. Os outros regimes são baseados em certezas, em dogmas absolutos. E com isso têm o efeito de limitar, de restringir, senão mesmo de anular, a liberdade individual.»

 

Francisco Assis, em entrevista ao Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O idadismo é uma doença social que prova uma crescente desumanidade. Num mundo em que o cãozinho ou um gatinho provocam mais comoção do que um velho doente ou um refugiado, esta produção de mensagens que tem como objectivo afastar os mais velhos da vida política parece normal. Mas não é. (…) A transferência do afecto e preocupações, muito visível nos últimos tempos, dos humanos para os animais é um sinal de miséria e decadência.»

Ana Sá Lopes, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

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«É com vergonha que vejo, depois de um ano de guerra, que ainda há muitos europeus que se precipitam para oferecer à Rússia territórios que não são deles. Nem deles, precipitados, nem deles, russos. Porque são territórios ucranianos. 

Estes precipitados falam da paz como o vizinho que quer dormir e não quer saber da violência doméstica no andar de cima. Como não quer barulho, quer é que marido e mulher se entendam, para baixar os decibéis lá do prédio.

(…) À Rússia basta-lhe retroceder e desistir. Mas parece que nem isso sabe fazer. Não descansará enquanto não se invadir e destroçar a si própria.»

Miguel Esteves Cardoso, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Habituem-se, disse o patrão Costa. E é mesmo verdade, habituamo-nos. Os talibãs afegãos, por exemplo, depois de correrem as raparigas das escolas, expulsaram agora as mulheres das universidades. Habituados, pouco mais mexemos do que uma preguiçosa pestana. Vagas de clamores nas ruas e praças de Lisboa? Viste-os!

Servindo-se de leitura iníqua da xaria, homens afegãos reduzem as mulheres à sub-humanidade e o mundo cala-se. É assustador – ou revelador? – o silêncio dos activistas.

Fosse um mínimo direito trans e outro galo cantaria. E fosse o culpado o homem ocidental, as ganas com que lhe lançariam as mãos ao pescoço.»

 

Manuel S. Fonseca, no Correio da Manhã

Para lá do Espelho


Maria Dulce Fernandes,

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Para lá do espelho existe a pessoa que aqui escreve, alguém cujo rosto não ilustra a sua fibra. Habita lá um espírito forte mas metódico, modesto até, que anseia pela simplicidade e descomplexidade das coisas da vida.

Para lá do espelho existe a pessoa que aqui escreve, cujo pensamento inquieto, icário e turbulento não tem sossego, porque parar é morrer e morrer não é opção enquanto a imaginação puder correr maratonas, desenfreada e rebelde como sempre a conheci.

Para lá do espelho existe a pessoa que aqui escreve, desiludida com a fraqueza da carne incapaz de nadar oceanos, escalar montanhas, velejar ventanias, cingir-se num par de gentis braços e deslizar como uma pluma ao som duma doce valsa. Habita lá carne que amolece como um par de peúgas velhas cuja elasticidade se esvai, enfraquece, pui, fende, e por cujas fissuras se insidiam as moléstias da podridão dos anos e onde o cansaço é soberano absoluto e recorrente.

Para lá do espelho existe a pessoa que aqui escreve, alguém em cujo ADN um incógnito pai celeste escreveu os códigos de uma imensa força interior, de uma vontade hercúlea, de uma teimosia titânica e de uma consciência têmisica.

Para lá do espelho existe a pessoa que aqui escreve, uma pessoa que eu conheço bem, uma pessoa que eu gostaria de conhecer ainda melhor, uma pessoa que gostava de vos poder apresentar, porque é diferente, porque é jovem e irreverente, expedita e alegre, espirituosa e inteligente. 

Para lá do espelho existe a pessoa que aqui escreve e que infelizmente vive do lado de cá, vive na realidade duma existência de agridoce clausura, mas que em olhando atentamente à sua volta realiza que em substância é feliz e no seu reflexo encontra a sabedoria que lhe traz a  reflexão.

 

(Imagens Google)

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A Rússia de Putin destruiu a configuração mundial existente. O ditador quer substituí-la por outra, na qual a sua Rússia tenha papel determinante. É o que está a fazer, sem escrúpulos e com toda a violência de que é capaz. O que sobrar, depois do que ele fizer, não voltará a ser o que era, nem sabemos o que será. Mas vai demorar anos, muitos, a encontrar um novo equilíbrio mundial de cooperação. Não sabemos, hoje, a que preço e com que custos de vidas humanas, de países, de instituições, de liberdade e de paz. O especial talento de Putin é o que se vê no exercício ou na utilização da mais bárbara violência sem remorsos, nem moderação. E no desrespeito da lei internacional.»

António Barreto, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Pedro Pablo Pichardo é uma uva cabernet sauvignon quase perfeita. Será perfeita quando chegar aos 18, 30 metros do recorde do mundo [de triplo salto]. E não é luso-cubano. É só português.»

Rogério Azevedo, n’ A Bola

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«José Eduardo dos Santos é uma figura central na cultura de corrupção em Angola. Foi debaixo do seu nariz que a elite política do país e, consequentemente, da grande família política do MPLA, enriqueceu ilicitamente, deitando por terra uma oportunidade histórica para que o desenvolvimento social e económico viesse por fim corrigir décadas, séculos de opressão e miséria. (…) Hoje, as promessas do pós-independência há muito que caducaram e o projecto de país continua a ser um esboço atrapalhado pela gula e a ambição de uns quantos.»

Aline Frazão, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Faz todo o sentido que a NATO e as democracias ocidentais se preparem para o pior. Que agravem as sanções, que reforcem a ajuda à Ucrânia, que tratem de aumentar a sua capacidade de resposta militar rápida para 300 mil homens. O tirano que é capaz de bombardear civis ou que encolhe os ombros perante a ameaça de uma indispensável crise alimentar mundial não pensa nem actua num quadro mental em que entra a razão, a emoção ou a humanidade. 

A Rússia é hoje muito mais do que nos primeiros dias do conflito uma ameaça para a Europa. A firmeza da resposta ocidental surpreendeu e irritou a fera. O Donbass já não basta. Os receios do envio de tropas para Kaliningrado ou para a fronteira entre a Lituânia e a Bielorrússia ganham consistência. Zelensky quer acabar a guerra até ao final do ano, mas nada nos garante que a Rússia, movida pelo superávite do gás e do petróleo, esteja disposta a aceitar uma meia vitória ou uma meia derrota. A megalomania é uma marca dos déspotas.»

Manuel Carvalho, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«António Costa foi a um encontro de associações juvenis defender “um acordo de médio prazo, no horizonte desta legislatura, sobre a perspectiva da evolução dos rendimentos”. Para ele, “temos nos próximos quatro anos de conseguir fazer todos em conjunto – a sociedade, o Estado, as empresas – um esforço para que o peso dos salário dos portugueses no PIB seja pelo menos idêntico ao que existe na média europeia”. Isto significaria, até 2026, “um aumento de 20% do salário médio no país”.

Para que não haja dúvidas, não estamos a falar de um extraterrestre acabado de aterrar em Portugal. O António Costa que proferiu este discurso é o mesmo António Costa que é primeiro-ministro há sete anos, e também o mesmo António Costa que há oito é líder do PS. Sim, líder do PS, o partido que mandou em Portugal durante dois terços das últimas três décadas, com as notórias retiradas após o “pântano” e a iminência da bancarrota, e em cujos governos esse tal de António Costa se senta desde 1995.»

Francisco Mendes da Silva, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

 

«Qualquer coisa de impensável está a acontecer naquele país [Ucrânia]. Qualquer coisa só comparável aos campos de extermínio nazis.»

 

«Qualquer coisa de monstruoso apareceu, dentro da monstruosidade que é a guerra. Para lá das leis da guerra, agora sistematicamente quebradas pelo Exército russo, que já nem pretende esconder os crimes que comete, a horda de assassinos avança, exibindo aos olhos do mundo a sua brutalidade sem escrúpulos. Não é só a ordem da paz que é perturbada, é a própria guerra que é subvertida e transgredida – não é uma guerra, é um massacre.»

 

«Num gesto livre, a Ucrânia levantou-se para defender a sua vida, em vez de se submeter aos ditames de uma ditadura. Foi isso, e não a defesa da liberdade como valor ideal e abstracto, que levou os ucranianos a lutar tão energicamente. Às forças de destruição e morte trazidas pelo Exército russo eles opuseram a força de vida vinda daquele laço imanente que os une à sua terra e que define, todos os dias, a liberdade que os anima.»

 

José Gil, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Só os ucranianos, que estão a defender a sua pátria com a vida e um enorme heroísmo, podem dizer em que condições aceitam a paz. E, no entanto, já começamos a ouvir alguns líderes europeus insistir em que “não se deve humilhar a Rússia” ou, por outras palavras, que se lhe deve dar alguma coisa. Certamente não um pedaço da França ou da Alemanha, mas talvez um pedaço da Ucrânia.»

Teresa de Sousa, no Público

Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Se o PCP estivesse ameaçado de ilegalização por causa do que diz sobre a Ucrânia, eu seria o primeiro a defendê-lo. Mas, sendo Portugal uma democracia liberal, nos antípodas das ideias que o PCP quis impor após o 25 de Abril, também me reservo o direito de o criticar livremente sem levar com a acusação alucinada de que sou fascista.»

Francisco Mendes da Silva, no Público