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As pessoas que se consideram virtuosas acabam por se tornar ridiculas, porque têm de estar constantemente a enganar-se a si próprias.»

Ken Greenhall, Elizabeth (1976), p. 102

Cavalo de Ferro, 2026. Tradução de Eugénia Antunes

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«Não somos nós que lemos os livros, mas os livros que nos lêem a nós.»

Javier Cercas, O Louco de Deus no Fim do Mundo (2025), p. 343

Porto Editora, 2025. Tradução de Helena Pitta

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«[…] a partir de certa idade vivemos a imaginar, a aperfeiçoar, a polir o teatro macabro das próprias exéquias, o sacristão, a família, as participações nas revistas, o interesse dos vizinhos, o número de ramos de flores e os litros das lágrimas.»

António Lobo Antunes, As Naus (1988), p. 24

Ed. D. Quixote, 2018 (8.ª ed)

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«Ternura, uma confiança absoluta, comunicação e sinceridade ganham uma importância cada vez maior à medida que envelhecemos. Não desperdicemos o amor, que é tão raro.»

Iris Murdoch, O Mar, O Mar (1978), p. 502

Ed. Relógio d’Água, 2005. Tradução de José Miguel Silva. Colecção Ficções

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«L’idée qu’une culture préserve son originalité en se barricadant contre les influences étrangères est une vieille ilusion qui a toujours donné un résultat contraire à celui qui était recherché. On ne peut pas être différent tout seul. C’est la libre circulation des oeuvres et des talents qui permet à chaque culture de se perpétuer tour en se renouvelant. L’isolement n’engendre que la stérilité. La démonstration rémonte au vieux parallélisme entre Sparte et Athènes. C’est Athènes, cité ouverte, qui fut le prolifique lieu de création dans les lettres et les arts, dans la philosophie et les matématiques, la science politique et l’histoire. Sparte, défendant jalousement son “exception”, réalisa ce tour de force d’être l’unique cité grecque qui ne produisit aucun poète, acun orateur, aucun penseur, aucun architecte.»

Jean-François Revel, L’ Obession Anti-Américaine, p. 185

Ed. Plon (França), 2002

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«Um homem da planície respira mal numa grande montanha, aí não se sente firme.»

Georges Simenon, Bairro Negro (1935), p. 69

Ed. Livros do Brasil, 1958. Tradução de António [Alves] Redol. Colecção Miniatura, n.º 89

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«Nunca se sabe o que pode desencadear a memória (…). A cara de um bebé, um guizo na coleira de um gato. Qualquer coisa.»

Jeffrey Eugenides, As Virgens Suicidas (1993), p. 82

Ed. D. Quixote, 2017 (2.ª ed). Tradução de Sofia Slotboom e Maria João Delgado

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«Haverá humildade na terra? Aparentemente, qualquer pessoa pode aparecer e fazer dela o que quiser. Cavar e lavrar e semear. Mas depois ela devora os seus senhores. E ali fica, eternamente muda.»

Amos Oz, A Caixa Negra (1987), p. 117

Ed. D. Quixote, 2012 (2.ª ed). Tradução de Miguel Serras Pereira. Colecção Ficção Universal

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«O pior da patrulha ideológica não é discordar, detestar, estar contra, ter outros argumentos, ter aliados, cumprimentar os amigos (com “o excelente”, “o imprescindível”, etc.) antes de dizer uma frase, criar famílias de adjectivos em vez de geografias de afectos, ser facilmente visível, irritar ou ser irritante; não. O pior é estar sempre vigilante — sobre cada vírgula, cada frase, cada ideia. Não discute, não argumenta. Tem apenas a obsessão de impor a sua linguagem, a sua conversa, de limitar o espaço que não controla. E um prazer absoluto quando distorce, cita incorrectamente, descobre um fragmento maldito. A patrulha ideológica afirma a superioridade moral do debate — desde que seja com o seu dicionário. O que lhe escapa, morde, sobretudo para se distinguir. Esse sentido policial da discussão acaba por transpor-se para [a] vida propriamente dita, chata, antipática, desgraçada.»

Francisco José Viegas, Algumas Distracções, p. 171

Ed. Quasi, 2007

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«O passado não é excêntrico quando estamos a vivê-lo. Só parece sê-lo mais tarde, quando já estamos a uma distância segura dele, quando já o vemos como cenário, não como aquilo que moldou a nossa vida.»

Margaret Atwood, Olho de Gato (1988), p. 414

Ed. Bertrand, 2023. Tradução de Rita Canas Mendes

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«Mau é quem enjeita o donde é nado.»

Vitorino Nemésio, Quatro Prisões Debaixo de Armas (1949), p. 182

Ed. Verbo, 1971. Colecção Livros RTP, n.º 10

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«Não há nada a que as pessoas se habituem tão facilmente como aos milagres, quando estes lhes acontecem uma, duas, três vezes.»

Joseph Roth, A Lenda do Santo Bêbedo (1939), p. 26

Ed. Relógio d’ Água, 2024. Tradução de Bruno C. Duarte. Colecção Ficções

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«Quando nos sepultam, as nossas ilusões saem do caixão, pairam sobre o nosso túmulo e evaporam-se no céu. São as últimas a morrer.»

Al Pacino, Sonny Boy (2024), p. 213

Ed. Presença, 2024. Tradução de João Cardoso e Pedro Elói Duarte

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«O tempo de guerra é um tempo de espera.»

J. M. Coetzee, A Vida e o Tempo de Michael K (1983), p. 168

Ed. Difel/Diário de Notícias, Lisboa, 2003. Tradução de Ricardo Fernandes. Colecção Prémio Nobel

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«A estrada é a vida.»

Jack Kerouac, Pela Estrada Fora (1957), p. 278

Ed. Relógio d’Água, Lisboa, 1998. Tradução de Armanda Rodrigues e Margarida Vale de Gato. Colecção Ficções

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«Ninguém escapa ao seu passado.»

Anita Brookner, Desconhecidos (2009), p. 118

Ed. Bertrand, Lisboa, 2012. Tradução de Ana Falcão Bastos. Colecção Ficção Contemporânea

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«A tradição bíblica mostra-nos que a felicidade do primeiro homem antes da queda consistia na ausência de trabalho, isto é, na ociosidade. O gosto da ociosidade permaneceu no homem depois da queda, mas a maldição divina continua a pesar sobre ele, não só porque é obrigado a ganhar o pão que come com o suor do rosto, mas ainda porque a sua natureza moral o impede de encontrar contentamento na indolência. Uma voz secreta nos insinua que é culposo entregarmo-nos à preguiça e, entretanto, se o homem pudesse encontrar um estado onde lhe fosse dado sentir que continua a ser útil e a cumprir o seu dever permanecendo inactivo, deparar-se-ia nele uma das condições da primitiva felicidade.»

Leão Tolstoi, Guerra e Paz (1869), volume II, p. 88

Ed. Inquérito, 1957 (3.ª ed) . Tradução de José Marinho

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«Não jurarei que qualquer deus exista. Só sei que é grosseiro viver sem deuses. Porque mais importante que os deuses existirem é acreditarmos neles. E mesmo que, existindo, nos ignorem, não sejamos nós a ignorar a sua autoridade primitiva que, nutrindo de segredos as florestas, os rios, os ventos, fez correr o sangue em nossas veias.»

Natália Correia, citada por Filipa Martins em O Dever de Deslumbrar, pp. 501/502

Ed. Contraponto, 2023

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«Nós vamos ser felizes! Ninguém o é, ou pelo menos eu nunca encontrei ninguém, mas nós vamos ser.»

Doris Lessing, O Quinto Filho (1988), p. 139

Ed. Círculo de Leitores, 1989. Tradução de Cristina Rodriguez