Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

Andamos o tempo todo a tropeçar em eufemismos, induzidos em larga medida por canais noticiosos que evitam chamar as coisas pelos seus nomes. Agora, por exemplo, ninguém morre: limita-se a “partir”. Como se fosse num cruzeiro às Maldivas.

 

Este pensamento acompanha o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

A ética jornalística consiste na permanente procura da verdade com a noção antecipada de que não existem verdades absolutas. O jornalista tem o dever deontológico de contrariar a propaganda, de desmascarar falsidades, de combater a mentira. Só assim cumpre realmente a sua função.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

Uma democracia sem jornalismo – forte, vigilante, incómodo – está condenada à exaustão ou à irrelevância. E não se presuma que o combate pelo direito à informação é tarefa exclusiva dos jornalistas: esse combate só terá êxito se for uma exigência permanente da cidadania.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

A democracia plenamente civilista, libertada de amarras militares, só existe em Portugal desde 1982, quando foi extinto o Conselho da Revolução. Em 2032 haverá, portanto, nova efeméride de meio século para festejar.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

A sorte conquista-se, constrói-se. Dá muito trabalho. Prefiro sempre usar a palavra mérito em vez da palavra sorte. Experimentem usar mérito ou competência no lugar da palavra sorte. Não é uma simples questão semântica: há toda uma filosofia de vida subjacente às palavras que escolhemos.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

 

Oitenta anos de conquistas civilizacionais com vista à limitação dos instintos bélicos pela lei internacional e por elementares padrões da decência humana têm estado a ser estilhaçados nos últimos 15 meses por aquele que se imagina Imperador do Mundo. Mas não só por ele: também pelo abjecto séquito de vassalos que lhe alimentam o ego e o incentivam a atingir novos patamares de indecência.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

«O Natal nada mais é do que um ponto de luz rodeado de noite», escreveu em 2022 Jorge Bustos, um dos melhores cronistas da imprensa espanhola. Definição exacta do que sinto nesta data, reforçando convicções antigas. Possa esta luz, mesmo frágil e vacilante, iluminar-nos muito para além da quadra natalícia. Conquistando – palmo a palmo, metro a metro, passo a passo – terreno às trevas. E nos permita distinguir o essencial do acessório à medida que se sucedem as folhas do calendário. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

Um pouco por toda a parte, neste mundo de múltiplas indignações plasmadas nas redes ditas sociais, vivemos numa atmosfera de guerra civil de baixa intensidade. Que vê em cada palavra de bondade um sinal de fraqueza. Que faz de cada tribuna uma trincheira de rancor. Que imagina um inimigo oculto em cada divergência. Que transforma cada opinião discordante em casus belli. Que esmaga cada tese contrária com a fúria de um combatente apostado em não recolher prisioneiros nem respeitar convenções de Genebra.

Disto nada há a esperar de bom. Sobretudo para os jovens que se formam neste caldo de cultura marcado pela intolerância mais primária e pelo maniqueísmo mais rasteiro.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

Há que tomar cuidado com o que se diz e com o que se escreve. O respeitinho é muito bonito, como se dizia antigamente: eis uma frase agora ressuscitada. A liberdade de expressão está cada vez mais restringida. A lista de interditos aumenta de dia para dia. Sabe-se lá quando e onde terminará.

 

Este pensamento acompanha o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

O 25 de Novembro complementa e completa o 25 de Abril. São duas datas indissociáveis – excepto para fascistas e sociais-fascistas. Quem no PS hoje não entende isto, traindo o seu legado histórico, não entende nada.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

Quando me perguntam se sou republicano ou monárquico, costumo responder: sou republinárquico, por vezes monarquicano.

Por outras palavras: a questão da forma do Estado não se colocou às pessoas da minha geração. Colocou-se, isso sim, a questão do sistema político. E tanto há democracia em regimes monárquicos como em regimes republicanos. Mas não esqueçamos que quase todos os sistemas totalitários do século XX foram republicanos. Talvez não seja politicamente correcto sublinhar isto, mas é verdade.

 

Este pensamento acompanha o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

 

Pensamento da semana


Pedro Correia,

Ditaduras são ditaduras, tiranos são tiranos. Distinguir uns e outros, à esquerda ou à direita, pela retórica que empregam ou pelo emblema que usam, não faz sentido: todos lesam o Estado de Direito. Liberdade e democracia, erigidas como valores universais, estão sempre acima das divergências ideológicas. Digam as cartilhas mais sectárias o que disserem. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Pensamento da semana


Pedro Correia,

Os grupos de interesses – vulgo, lóbis – continuam à margem da lei em Portugal, ao contrário do que sucede (por exemplo) no Parlamento Europeu. É fácil descortinar porquê: isto facilita a vida dos grandes escritórios de advocacia neste doce país que tanto adora cultivar eufemismos, evitando chamar as coisas pelos seus nomes e tornar transparente aquilo que se pratica em discretos gabinetes climatizados.

Será isto alterado, em benefício do escrutínio democrático? Tudo indica que não. «Um advogado com a sua mala pode roubar mais do que cem homens armados», dizia Tom Hagen a Sonny Corleone nesse clássico dos clássicos que é O Padrinho, de Francis Ford Coppola.

Um lóbi sem lei é um lobo à solta. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana