1. Parte da dívida pública grega é perdoada;
2. Bancos cipriotas encaixam perdas monumentais com perdão da dívida grega;
3. Contribuintes europeus e depositantes dos bancos cipriotas são chamados a salvar bancos cipriotas.
Continuamos apaixonados pela ideia de renegociar as dívidas públicas?

Sabe como se chama o governador do banco central cipriota : Panicos Demetriades. Quem precisa de ficção?
Não dá para acreditar! 🙂 Como se diz em facebookiano: “roubei” e publiquei na página FB do A.I.
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Uau, daí tantos cipriotas com ataque de Panico. 😉
Não continuamos apaixonados, até porque, aqui por este lado do Antologia de Ideias, o entusiasmo nunca foi muito! 😉
Ainda assim, a forma como foram feitas as coisas no Chipre… preocupa-me. Como sabemos, em Chipre aconteceu algo semelhante ao que aconteceu na Irlanda: sistema bancário sofre uma descapitalização aguda (vulgo chimbalau!) por via da desvalorização acentuada de ativos a que estavam sobre-expostos. Na Irlanda foi o imobiliário, no Chipre foi o valor da dívida grega mais o dito perdão de dívida. Agora, ao cidadão-empresa-contribuinte – onde o dinheiro “nasce” e reside, de facto – são colocadas duas opções: ou apanha, ou deixa cair.
Infelizmente, o que o José António está farto de saber, mas outros poderão ter ainda dúvidas, é que aqilo que parecem duas opções resumem-se, em larga medida, apenas a uma. Isto porque, em primeira instância, face a bancos insolventes, depositantes passam a credores, com tudo o que isso implica – contas congeladas, tempos de espera e perdas potenciais. Em primeira instância, porque logo de seguida temos toda uma economia a colapsar. Empresas de contas congeladas não pagam a fornecedores, entram elas próprias em insolvência, levando a perda de empregos, a famílias que de imediato param de consumir, levando ao tecido que disso vive a colapsar, mais insolvências…! Mais: hospitais sem medicamentos, escolas sem energia, exército sem salários, parando também tudo o que destes dependa. Tudo parado porque o “sangue” (dinheiro) parou de correr no sistema. Esta segunda opção do “deixa cair”, configura assim uma forma de “pagamento” completamente descontrolada com consequências, principalmente ao nível da segurança e ordem pública, que só de imaginar nos faz encolher de medo. Daí ter-se sempre optado pela primeira opção: contribuinte paga, até porque é aí que, mais uma vez, o dinheiro “nasce” e reside. Nada de novo, o proverbial mexilhão, está sempre à pega.
Agora o que vem de novo é a forma como esse pagamento se processa. No caso português e irlandês, mesmo sabendo o cidadão que a austeridade é imposta de fora, quem lhe leva o dinheiro, quem o (des)governa, são instituições democráticas a quem reconhecemos, apesar de tudo e por isso, (alguma) legitimidade para nos taxarem, embora haja quem prefira termos mais gráficos. Muito bem, para esses, em jeito de innuendo: se no essencial é o mesmo – irem-me ao depósito, ou irem-me ao salário – politica e eticamente, até porque é feito nas devidas instâncias, com o devido tempo, esta última via é mais digerível. Aguentamos melhor, dirá Ulrich.
Já a forma como o fizeram em Chipre tem um travo bélico, especialmente vindo do lado de que vem: ouvi alguém recordar que tudo isto soará “dejá vu” a judeus que recordem a Alemanha nazi. De facto, não é de censurar quem pense que a partir de agora tudo é concebível. Poderá não ser totalmente – e não é – mas digamos que o domínio das impossibilidades viu-se, este fim-de-semana, substancialmente reduzido.
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De acordo. Eu também não gosto da «solução». Mas convenhamos que, num país em que o PIB é muito inferior aos activos bancários, não é fácil desenhar uma solução que permita recapitalizar os bancos de outra forma. Excepto se a Europa lhes oferecer o dinheiro – o que, para além de ser complicado (a vontade dos cidadãos dos países cedentes também deve ser levada em conta neste jogo da democracia, não?), é, pelo menos em alguns casos, constitucionalmente proibido.