Um desastre.


Luís Menezes Leitão,

  

Enganaram-se os loucos do Eurogrupo que aprovaram este confisco, julgando que bastava fazer umas declarações de que a medida seria excepcional e apenas aplicável a Chipre para que nada mais se passasse. O argumento de que se visava punir apenas os depositantes russos não convence ninguém quando se vê aqui que os depósitos de estrangeiros correspondem a menos de 1/3 do total de depósitos existente em Chipre. O que se passou foi que os países do Norte estão cansados de resgatar os países do Sul e só conseguem vender esses resgates às suas opiniões públicas se os mesmos foram acompanhados de dolorosas punições para esses países. Por isso é que o resgate a Chipre ainda é mais doloroso que os outros resgates já realizados à Grécia, Irlanda e Portugal. Mas neste momento, as opiniões públicas já perceberam que não faz sentido continuar nesta deriva louca. Como bem diz Richard Quest, ninguém pode subestimar a capacidade da União Europeia em dar um tiro nos dois pés. Estou convencido que depois de Chipre esta União Europeia já não tem pernas para andar.

 

 

2 comentários em “Um desastre.”

  1. Só depois de destruirmos todo o nosso aparelho produtivo, destituir o país de empreendedorismo por imposição do paternalismo socialista é que percebemos que nada disto nem daquilo tem pernas para andar? Tantos comentadores, tantos especialistas, tantos engenheiros e ninguém viu o que qualquer merceeiro de bairro topou à légua, como a burricada da adesão ao Euro?

  2. Isto resume-se em algo tão simples como isto: é mais uma trapalhada à alemã e eles irão recuar atribuindo as culpas ao governo do Chipre. Os alemães ainda não se recompuseram da tareia que os russos lhe deram na segunda guerra e estão a armar aos cágados. Quiseram mexer num ninho de vespas e vão recuar, mas nada será mais o mesmo na União Europeia.

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