
Enganaram-se os loucos do Eurogrupo que aprovaram este confisco, julgando que bastava fazer umas declarações de que a medida seria excepcional e apenas aplicável a Chipre para que nada mais se passasse. O argumento de que se visava punir apenas os depositantes russos não convence ninguém quando se vê aqui que os depósitos de estrangeiros correspondem a menos de 1/3 do total de depósitos existente em Chipre. O que se passou foi que os países do Norte estão cansados de resgatar os países do Sul e só conseguem vender esses resgates às suas opiniões públicas se os mesmos foram acompanhados de dolorosas punições para esses países. Por isso é que o resgate a Chipre ainda é mais doloroso que os outros resgates já realizados à Grécia, Irlanda e Portugal. Mas neste momento, as opiniões públicas já perceberam que não faz sentido continuar nesta deriva louca. Como bem diz Richard Quest, ninguém pode subestimar a capacidade da União Europeia em dar um tiro nos dois pés. Estou convencido que depois de Chipre esta União Europeia já não tem pernas para andar.


Só depois de destruirmos todo o nosso aparelho produtivo, destituir o país de empreendedorismo por imposição do paternalismo socialista é que percebemos que nada disto nem daquilo tem pernas para andar? Tantos comentadores, tantos especialistas, tantos engenheiros e ninguém viu o que qualquer merceeiro de bairro topou à légua, como a burricada da adesão ao Euro?
Isto resume-se em algo tão simples como isto: é mais uma trapalhada à alemã e eles irão recuar atribuindo as culpas ao governo do Chipre. Os alemães ainda não se recompuseram da tareia que os russos lhe deram na segunda guerra e estão a armar aos cágados. Quiseram mexer num ninho de vespas e vão recuar, mas nada será mais o mesmo na União Europeia.