Palhaço Mau versus Padeiro


tralhasdavida,

Hoje bem cedo, já andava o palhaço mau na rua. É dia de feira, de maneira que se preparou para a circulação acrescida de transeuntes, enchendo uma data de balões, com os quais se passeia para cá e para lá, à espera da primeira vítima.

O padeiro vislumbra-o ao longe e, num acesso de compaixão, pega num saco com quatro carcaças para lhe ir oferecer.

Desconfiado, o palhaço mau olha para dentro do saco e diz “bem, agradeço, mas faço notar que há uma série de dias que não me vem cumprimentar”. O padeiro, irritado com o reparo, responde “olha lá, tu estás aqui para o fundo da rua, em cascos de rolha. Deves estar a achar que és a minha avó e que eu tenho de atravessar a sala para te vir falar. Tá bem, tá.”

As unidades métricas de Cavaco


joaomsandre,

Cavaco sabe o que irá fazer no pós-eleições mas recusa revelar um centímetro a sua decisão.

 

Próximas edições: 

1 – Cavaco sabe o que fazer em relação à crise de refugiados mas recusa revelar um decímetro o seu pensamento. 

2 – Cavaco sabe o que fazer em relação ao Novo Banco mas objecta demonstrar um milímetro as suas ideias. 

3 – Cavaco sabe o que fazer em relação ao fracking mas considera inoportuno revelar um picómetro que seja das suas reflexões. 

4 – Cavaco sabe o que fazer em relação à fuga de cérebros mas opta por não se pronunciar um Angström sobre o assunto. 

5 – Cavaco sabe o que fazer em relação às necessidades alimentares do mundo mas declina neste momento explicar um nanómetro das suas soluções. 

 

Ficam estas e outras questões para os próximos prefácios, depois de se debruçar sobre a questão fundamental da fotografia do jantar em casa de Sócrates. 

 

 

A sério, direita, que quiseram eleger esta… coisa?… 

O apoio ao negócio dos colchões*


joaomsandre,

E temos agora a senhora presidente do conselho das finanças públicas a propor taxar levantamentos. Eu não sei se ria se chore, porque a ideia é tão disparatada que só posso imaginar que ela tenha bebido uns copos valentes antes de abrir a boca. É que, sejam lá quais forem os favoritismos, taxismos, carreirismos e outros ismos, Teodora Cardoso tem que ser uma pessoa minimente inteligente para chegar onde está. Por outro lado sabemos que a ideia deste governo é ir desmantelando o estado (depois de espremer o que pode para pagar aos patrões de “lá fora”) e uma tal taxa ia garantir a proliferação absoluta do liberalismo económico com os bancos a desaparecerem do mapa ou a serem utilizados apenas no estrangeiro e o resto das compras a serem feitas em dinheiro ou até em géneros, quiçá com novas moedas inventadas (dará jeito para quando nos chutarem para fora do euro e o novo escudo desvalorizar zimbabuéniamente) ou mesmo com bitcoins ou lusocoins.

 

Estou certamente a ser injusto. Teodora Cardoso viu apenas uma grande oportunidade para uma área de negócio que tem sido escandalosamente negligenciada por todos os governos. O fabrico de colchões. Venha a taxa. Seremos todos colchoneros (também têm o hábito de sofrer e ser governados por loucos).

 

*1º da série (que nem sequer sabia vir a ser uma série).

Da falta de decência


joaomsandre,

«O problema é as pessoas estarem a consumir medicamentos a mais»

via José Simões.

 

Tempos houve quando o nosso primeiro-primeiro era o actual avisador-prefaciador e o país era mal gerido mas havia dinheiro a fundo perdido vindo dos confres europeus que acabou nos bolsos da Mercedes e BMW e afins e das construtoras europeias, tempos houve dizia eu em que um ministro (ou secretário de estado, perdoem-me a idade) disse uma piadita acerca de doentes de hemodiálise, uma piada que foi de mau gosto mas que toda a gente sabia ser uma piada e foi despedido. Nesses tempos em que já éramos mal governados (ou desgovernados) e já andávamos enganados pela propaganda europeia chegada pela agência de S. Bento da altura a gastar acima das nossas possibilidades, ainda havia uma aparência de decência que os membros do governo tinham que respeitar e ai de quem não o fizesse.

 

Hoje, com o cantador mentiroso a primeiro-segundo e o primeiro-vice-primeiro irrevogável no governo, temos os tipos vindos dos seguros de saúde com o objectivo de desmantelar tornar mais eficiente o serviço nacional de saúde a mandar bojardas para o ar e a dispararem conversas do tipo de andar a viver acima das suas possibilidades o que no caso dos medicamentos só pode querer dizer andar a viver e ponto final. Em tempos passados e nem assim há tanto tempo esta criatura teria sido despachada para de onde veio e provavelmente a seguir viria outra igualzinha nos objectivos e pensamento (heheh, piada) mas com mais decência fingir que se preocupava com as aparências. Assim sabemos de forma clara que sua excelência o ministro da saúde privada tem como úbico pbjectivo tratar-nos da saúde mas com a expressão a ser usada no seu sentido puramente figurativo e nunca literal porque para tratar da saúde no sentido liberal já existe a médis.