Hoje bem cedo, já andava o palhaço mau na rua. É dia de feira, de maneira que se preparou para a circulação acrescida de transeuntes, enchendo uma data de balões, com os quais se passeia para cá e para lá, à espera da primeira vítima.
O padeiro vislumbra-o ao longe e, num acesso de compaixão, pega num saco com quatro carcaças para lhe ir oferecer.
Desconfiado, o palhaço mau olha para dentro do saco e diz “bem, agradeço, mas faço notar que há uma série de dias que não me vem cumprimentar”. O padeiro, irritado com o reparo, responde “olha lá, tu estás aqui para o fundo da rua, em cascos de rolha. Deves estar a achar que és a minha avó e que eu tenho de atravessar a sala para te vir falar. Tá bem, tá.”

Ele não é mau. É só passivo-agressivo e, se calhar, intolerante ao glúten.
Não, Isabel, o palhaço é mesmo estuporado. Mau como as cobras.
Só dá umas abébias ao Padeiro por ser vizinho.