Sou o primeiro a defender que uma sociedade democrática e capitalista deve conceder a ricos e pobres os mesmos direitos. E reconheço que em Portugal, se é verdade que na maioria das vezes os pobres são grosseiramente ignorados, também o é que os endinheirados, uma vez caídos nas bocas do mundo, se vêem muitas vezes privados de alguns direitos, olhados com um misto de asco “savonarolesco” e de inveja pelo povo (como é típico nas sociedades de tradição católica), como se ser rico fosse sinónimo de ser desonesto.
Por isso, encarei com naturalidade, apesar do nome caricato, o movimento dos reformados indignados (MRI), encabeçado por Filipe Pinhal. Como o próprio disse, trata-se de pessoas que descontaram toda a vida “a contar com determinados rendimentos e que agora não podem contar com eles.” De facto, e se outros argumentos não bastassem, se não queremos que os ricos fujam, ou que depositem o seu dinheiro no estrangeiro, temos que lhes aplicar as mesmas regras e conceder os mesmos direitos dos restantes cidadãos.
Mas a minha benevolência teve um fim prematuro ao assistir hoje à conferência de imprensa de Filipe Pinhal, em que este não resistiu a apoderar-se de um jargão que, se na boca de alguns já soaria a demagogia, utilizado pelo ex-presidente do BCP parece mesmo uma piada de mau gosto. Pinhal falou dos “pobres dos reformados” que representa, acrescentando que se trata de pessoas “indefesas”. Como quer Filipe Pinhal que reaja um reformado efectivamente pobre e verdadeiramente indefeso perante palavras tão desadequadas, senão com a mesma indignação que este faz sua? Enfim, uma pobreza…de argumentação.
Com ricos destes, o que podemos exigir da nossa (já decadente) classe-média? É este tipo de episódios, assim como outros reveladores desta e de outras idiossincrasias nacionais, que me faz questionar, o que terá nascido primeiro: o ovo (o autismo dos ricos) ou a galinha (a presunção de desonestidade que os pobres lhes atribuem)?

Muito bom, Zé Maria. Clap!Clap!Clap!
Obrigado 🙂
Este Pinhal, assim como o Jardim, não têm vergonha na cara. Digo isto por que não podemos esquecer que foram eles quem fixou os seus vencimentos, não servindo de desculpa o facto de terem sido homologados em assembleia geral do BCP. Espero que os tribunais venham a corrigir injusta deliberação, a roçar o crime enriquecimento sem justa causa.
Aquela gente beneficiou de regalias “pornográficas”, que não mereciam, como se pode ver pelas atitudes que agora tomam. No meu entender, são uns parasitas da sociedade.
Bom, quanto a isso já não sei, mas parece-me difícil de apurar. A ser verdade, torna a história ainda mais caricata.
Terão descontado? É que eu sou do tempo em que alguns bancos ofereciam aos amigos que admitiam, para além das normais condições contratuais, dez, vinte anos de descontos para a aposentação. E na Segurança Social era possível pagar tempo adicional de desconto para a reforma. Por isso, são tão frequentes os casos de pessoas com reformas múltiplas e cumulativas. Sempre muito altas.
Essa é a “presunção de desonestidade” a que me referia. Prefiro, apesar de tudo, não entrar por aí.
Vinte mil por mês não fazem de ninguém rico, e muito menos se quiser manter um pé fora de Portugal, isto é, ter hábitos civilizados.
Se é verdade que não é pobre para Portugal, não passa a média de um razoável ordenado europeu e muito menos é por isso que muito menos deixa de ser indefeso num país que não é um estado de direito.
O Duarte Lima está acusado de se ter abotoado com 40 milhões. Aí já se começa a falar de dinheiro. A 8% – um rendimento normal – dá 3,2 milhões ano, 266 666 mensais.
Isso sim, já é um rendimento para, com algum bom senso, poder viver lá fora.
Agora, 20 000? Pfff….
Quem falou em 20.000? 70.000 ou 80.000, por mês, de pensão de reforma, é o que é. E o chefe dele, o Jardim, 170.000 euros por mês, de pensão. Acha pouco? Sabe o que lhe diga? P^rra!
Uma boa pergunta!
(a última frase do post)
A mesma pergunta (com diferentes factores entre parêntesis) aplica-se a várias idiossincrasias nacionais!