
Primeiro foi o confisco dos salários dos funcionários públicos. Depois passou-se ao confisco das pensões. A seguir entrou-se nas tributações confiscatórias. E agora fala-se no confisco dos depósitos bancários. Tudo perante uma constituição que garante o direito à propriedade, proibindo o confisco. Vivemos num país onde o Estado de Direito e o respeito pela legalidade se tornaram palavras vãs. Neste momento vale tudo e, pior do que isso, os cidadãos sabem que em qualquer momento pode valer tudo.
Vem isto a propósito da intervenção de Fernando Ulrich a defender o confisco dos depósitos bancários. Já uma vez escrevi aqui que Fernando Ulrich parece o banqueiro anarquista de que falava Fernando Pessoa. Neste momento, acha que o dinheiro dos depositantes não merece qualquer protecção e pode ser livremente confiscado. A mim não me espantava nada que um partido anarquista defendesse o confisco dos depósitos bancários. Já me custa muito, no entanto, a aceitar que essa posição seja defendida pelo responsável máximo de um banco. Os seus depositantes podem muito justamente perguntar-se qual a razão por que devem depositar o seu dinheiro num banco onde se defende o confisco dos seus depósitos.
Mas, vendo bem, o exemplo de Fernando Ulrich não é muito diferente do que se está a passar com os partidos da maioria governamental. Tendo sido eleitos como partidos de direita ou de centro-direita têm vindo a fazer no governo exactamente o contrário do que propugnaram e do que defendem os seus programas, desencadeado ataques à propriedade mais violentos do que o partido anarquista mais radical que pudesse existir. Como é óbvio, trata-se de uma política suicidária, que só pode levar os seus autores a um descalabro eleitoral. Mas Passos Coelho que defende que as eleições que se lixem, já prometeu continuar nesta senda, haja o que houver. Resta saber se o PSD quer alinhar neste suicídio colectivo.

Este país está um manicómio colectivo. De facto, um banqueiro defender o confisco de depósitos não lembra ao careca, como diz o outro. E ontem também foi noticiado que, pasme-se, o Provedor de Justiça (!) declarou que o recente acórdão do TC pecou por defeito.
A minha opinião é totalmente oposta à deste post e estou totalmente de acordo com o sr Ulrich.
É absolutamente errado que sejam os contribuintes a ajudar os bancos em dificuldades, como em péssima hora se fez com o BPP e o BPN, com efeitos nefastos para todos nós. Quem deve ajudar os bancos deve ser, em primeiro lugar, os seus acionistas, em segundo lugar, os detentores de obrigações, e em terceiro lugar, os detentores de grandes depósitos a prazo. Não deve ser, jamais, o contribuinte.
E digo mais: é totalmente preferível que os detentores de grandes depósitos vejam uma parte deles transformados em ações dos bancos, do que que se deixe o banco falir e esses depósitos desapareçam na sua totalidade. Porque é essa a verdadeira alternativa: deixar o banco falir, ou exigir que os grandes depósitos a prazo sejam transformados em ações. O que não pode ser considerado, de forma nenhuma, é que os contribuintes sejam chamados a pagar para que os ricaços que têm grandes depósitos bancários não percam o seu pilim.
Eu defendo claramente a falência dos bancos que não conseguem honrar os seus compromissos, mesmo com risco dos maiores depositantes. Agora o que me parece inaceitável é o banco confiscar os depósitos, transformar os depositantes em accionistas à força, dar-lhes papéis sem valor, e continuar como se nada se passasse. Não sei quem é que quer ser depositante num banco deste tipo. E não sei que país é que quer ter um sistema bancário assim. Alguém discutiu isto em campanha eleitoral?
o que me parece inaceitável é o banco confiscar os depósitos, transformar os depositantes em accionistas à força
A mim parece-me totalmente aceitável, tendo em vista as alternativas: o Estado oferecer dinheiro dos contribuintes para recapitalizar o banco, ou o banco ficar com insuficientes fundos próprios e em risco de falir – o que prejudicaria ainda mais gravosamente os depositantes. Ambas essas alternativas seriam bem piores.
Além disso, parece-me errado descrever isso como um “confisco”: o dinheiro dos depósitos não é confiscado, apenas é transformado em ações, que em princípio poderão um dia, quando o banco estiver em melhor situação, render dividendos ou ser reembolsadas.
Se o Dr. Luís Lavoura quer trocar os seus depósitos por acções do banco que o faça voluntariamente. Poderia seguramente receber com muito êxito acções do BPN, do BPP ou da Pedro Caldeira-Sociedade Corretora, que como se sabe recuperaram e renderam imensos dividendos aos seus accionistas. Agora não obrigue os outros a aceitar isso. Eu pessoalmente prefiro uma liquidação geral, o pagamento dos depósitos garantidos e o rateio dos restantes, do que trocarem os depósitos por papéis sem valor e continuarem numa actividade onde fracassaram. Quem decide onde deve investir são os investidores e não os bancos que guardam o seu dinheiro.
OK, então concordamos em discordar.
Já agora, se o Luís M. L. me quer tratar com um título (eu não o exijo), use “doutor”, pois não sou (apenas) licenciado. Não use “Dr.”, que isso não é nada.
Tratei-o pelo título pois vi pela primeira vez o seu blogue há uns dias e concluí que era economista. Não sabia que tinha doutoramento. As minhas desculpas.
“doutor” Lavoura – deve dar uns bons cartões de visita!
Ou seja eu empresto (um depósito é isso mesmo: um empréstimo ao banco) o meu dinheiro ao banco segundo um contrato, e o banco faz tabua rasa do contrato, agarra no meu empréstimo e devolve-me acções de uma empresa falida. É isso que defende não é?
luis e quem me pagava o meu deposito de 100000mil euros?sou rico com 20.OOO contos na saudosa moeda? quanto ao resto subscrevo tudo e mais a cadeia com eles!
Acima de 100 mil euros são ricaços? Deves ter tirado o doutoramento no Burkina Faso.
Ataques à propriedade dos mais fracos, porque os fundos imobiliários, por exemplo, nem IMI pagam…
Quando um fabricante de automóveis estiver em dificuldades, já sabe: toma posse dos carros que tiver vendido, trocando-os por acções, e “resolve” os seus problemas.
Mais um que devia ter ido à falência e não foi.
O BPI é uma bolha que tem sobrevivido á custa do BCE e coisas dessas…o Dr. Ulrich administra um imenso vazio por isso anda sempre á rasca! Eu não sou economista, mas li algures que o “BPI iniciou a sua actividade com 4% de capitais proprios”…não percebo da coisa, mas não me parece grande coisa !
Porque estão chateados?
Quiseram os Estado para tudo, deram todo o poder ao Estado, porque estão admirados que o Estado agora tira tudo?
Já aqui disse uma vez que o futuro será ter bancos pequeninos e maneirinhos. Começaremos todos a pedir garantias para os nossos depósitos.