Bom dia, princesa, Mem-Martins
E viva a monarquia!…
modosdever,
A presidente da câmara de Tomar, Anabela Freitas, PS, nomeou o companheiro, Luís da Silva Ferreira, PS, para chefe de gabiente de apoio à presidência. Se isto não é amor, onde está o amor? Parece que o povo anda a rosnar. Mas Anabela saberá com certeza contornar este pequeno obstáculo…
Quando um comediante fala de coisas sérias pode tornar-se perigoso. O que é suposto é que divirta, não que chateie. Foi o que aconteceu com Russell Brand, a propósito de uma entrevista que deu à BBC, criticando o sistema capitalista neoliberal e a ideia de que os recursos e o crescimento económico são ilimitados. E a esquerda que não se ria. A coisa tornou-se viral nas redes. Evidentemente, os vigilantes de serviço intervieram para repor a ordem: o homem devia era fazer rir, não aborrecer. O pensamento é uma área com o direito de admissão reservado. A história está contada e comentada aqui, e vale a pena lê-la. Passa em revista parte dos truques de que se serve um sistema falhado e gerador de desigualdades para desacreditar quem o critica e impedir o próprio pensamento – e eventuais alternativas. Outro post para reflectir.
Boa notícia, boa notícia, seria, não a reforma do Estado, mas a sua aposentação; já fez o que tinha a fazer, podia vestir o roupão, calçar os chinelos de quarto e passar o resto dos seus dias a ver telenovelas. Esta também é só para reflectir.
O xeque Ali al Hemki, membro do Conselho dos Estudiosos da Arábia Saudita, emitiu uma fatwa, um decreto islâmico, proibindo as viagens a Marte, noticiou o jornal Ah Hayat, citado pela EFE – e o DN. Allah-o-Akbar! Quem comprou bilhetes, aconselho que os devolva.
Sobre os riscos de pertencer a um clube – ou as vantagens de não pertencer a nenhum. Só para reflectir.
Corto [Maltese]: “… tem de ser na primeira sexta-feira da lua. Compras uma fita azul de comprimento médio em nome da rapariga que amas… Dás um nó dizendo versículo 5 da surata 30, dita Dos Venezianos ou, se preferires, Dos Bizantinos… Mas não o apertes antes de recitares todo o versículo… Depois, amarras a fita no teu braço esquerdo, e, com esse braço, acaricias a rapariga que amas e… tudo correrá bem.” Cush [da tribo dos Beni Amer]: “E se ela não quiser que eu a acaricie?” Corto: “Então, arranja outra…” (O golpe de misericórdia, in As Etiópicas). Precisava de Corto Maltese depois de terminar “Meio Sol Amarelo” (Chimamanda Adichie) e antes de pegar na piada infinita de David Foster. Não levem a mal: Corto é culto. Voltamos sempre a ele.
Aviso amarelo para todo o território. Volto a pensar nos que mantiveram o pensamento à tona da banalização do mal, nos que assumiram qual era a risca mais curta dos cartõezinhos de S. Asche ou que abandonaram, quase nos 450 v., os testes de Milgram. Vem-me à cabeça um montão de nomes de justos. Pressinto na mera indignação uma colossal perda de tempo. Bom. A chuva abrandou. Vou aos correios. Afinal estamos sob aviso amarelo, e não é só hoje. Ou não? Pode ser que a carta chegue, e se chegar que tenha resposta… Quem sabe?
Não sei quantas vezes interrompi um livro ou o pus de lado. De forma que esta nota teria mais cabimento numa rubrica como a do Pedro sobre livros deixados do que aqui. Mas foi o que acabou de acontecer com mais um da Mercè Rodoreda. A gente veste a roupa conforme o frio e talvez seja assim também com os livros e a disposição, isto para libertar desde já a autora de A Praça de Diamante, de qualquer culpa. Para ir ao ponto: deixei A Morte e a Primavera a meio, literalmente a meio, ainda sem saber como lá cheguei. O relato começou por me atrair, na Feira do Livro, pelos seus 3 euros e a meditação sobre os ciclos da vida, mas assim que me senti um freguês da sua aldeia desolada, tanto a cheirar a estrume como a glicínias, entre gente sem cara, cruel e comedora de cavalos, divertida a esmagar abelhas, dentro de uma atmosfera medievalizante e irreal, e de uma escrita obsessiva, comecei a torcer o nariz e a roer as unhas, e a sentir-me mal; e interrompi. Já me tinha acontecido isso com Quanta, quanta guerra e o seu herói, Adriá Guinart, que nunca a viu e tudo o que fez foi matar uma velha. Quem uma vez leu A Praça do Diamante quis com certeza ler mais alguma coisa de Rodoreda, cuja vida, a fugir de franquistas e nazis, justifica a densidade dramática da sua escrita, que se nos mete debaixo da pele, que inflama. Mas como disse precisamos de estar com a disposição certa, e eu não estava. [Ia fazer também um apontamentozinho sobre o Brumário, de Arménio Vieira, Prémio Camões de 2009, mas inibi-me]. Entretenho agora a alma com o Meio Sol Amarelo (ASA), da nigeriana Chimamanda Adichie. Já sei para onde me leva e ainda vou no cenário, nos sonhos revolucionários do senhor Odenigbo e nos amores das irmãs Olanna e Kainene; cheira-me a petróleo e a genocídio. Era muito miúdo quando o pivot da televisão anunciou que iam transmitir imagens susceptíveis de chocar as pessoas e mandaram-me para a cama. Terá sido aí por 1967. Ainda hoje vejo pela frincha da porta um ibo a ser fuzilado. Disse “ai, aiiii” – e caiu. Tenho-o nos ouvidos. Mas hoje já ninguém me manda para a cama.
E tu, Ivone? Que leituras andas a fazer?
Bradley Mannings não será condenado a prisão perpétua, porém incorre numa pena de 136 anos. Extraordinário! A juíza que presidiu ao tribunal militar que julgou o soldado que filtrou centenas de milhares de ficheiros para a WikiLeaks foi no entanto magnânima: descontou-lhe 112 dias pelos oito meses em que esteve metido numa cela de 2×2,5 metros e sem janelas, com direito apenas a uma hora diária de recreio. Que humanidade! Mas o mais extraordinário é que o Governo dos Estados Unidos, que se mandou ao Iraque como gato ao bofe com base em mentiras e que vem recusando investigar alegações de tortura e outros crimes, tenha decidido processar Mannings por ter revelado provas de comportamentos de guerra criminosos.
O tema religião continua limitado entre nós a uns quantos colunistas, por exemplo Frei Bento Domingues, no Público, aos domingos, Fernando Calado Rodrigues, no Correio da Manhã, às sextas, e Anselmo Borges e Tolentino Mendonça, respectivamente no Diário de Notícias e Expresso, aos sábados. Não é ainda parte da nossa cultura, tradicionalmente laica e republicana. Nem – infelizmente – uma especialidade jornalística a cultivar. Por isso escolhi como blogue da semana o Religionline, um trabalho colectivo de Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, do jornalista António Marujo, ex-Público, com anos de experiência acumulada, e de Joaquim Franco. Contra o que possa parecer não é um blogue proselitista, é um espaço voltado para o “sentido da vida, a dimensão religiosa e a cultura”, com “notas, notícias, procuras e interrogações”, abrangente, atento e crítico.
Quem apesar das contingências destes tempos difíceis mantém algum amor pela profissão de jornalista não pôde esta manhã deixar de ficar ora branco de espanto ora vermelho de raiva com a manchete do Jornal de Notícias. Por vergonha, uma imensa vergonha, nem a reproduzo. O leitor pode no entanto espreitá-la aqui. O JN tem na sua redacção (ainda) grandes profissionais, amantes do rigor e inimigos figadais da ambiguidade barata. Não foi seguramente nenhum deles o autor deste título tão rasca, que nos envergonha a todos.
Tortura e outras formas de maus-tratos. Uso excessivo da força por parte das polícias. Violência de género e um balanço do Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas de pôr os cabelos em pé. Eis em poucas linhas o que diz o Relatório da Amnistia Internacional de 2013 sobre a situação dos direitos humanos em Portugal, com as medidas de austeridade a ajudar à degradação de direitos, liberdades e garantias que o Estado, esse ente estranho, cada vez mais estranho, deveria proteger, para mais quando acaba de ratificar o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que assim aparece como um embuste – como mais um embuste.
Quis de repente escrever sobre ele e não consegui. Incapaz de resumir a sua vida e obra – o regime militar argentino que instaurou em 1976 e chefiou nos primeiros cinco anos – ou mesmo de mencionar sequer o seu nome, remeto os leitores do DO para este pequeno texto – Murió la muerte. Não era realmente um marciano e esse é que é o problema: era humano.
António Pires de Lima disse esta manhã à Antena 1 que existe “consenso” no Governo para que a nova taxa sobre os reformados não seja inscrita no orçamento de 2014. É extra-ordinária a capacidade de manipulação desta gente! Extra-ordinária!
E pronto, o número de circo chegou ao fim: Portas, depois de fazer de bonzinho, aceitou “excepcionalmente” a taxa sobre as pensões. Eheheheh!…
Irena Sendler morreu há cinco anos. Estas linhas são para que não morra mais. Assistente social quando alemães invadiram a Polónia, introduziu à socapa, no gueto de Varsóvia, comida e medicamentos para os sitiados. Valendo-se ainda da sua condição de enfermeira, resgatou, durante um ano e meio, usando de todos os truques, 2500 crianças desse símbolo maior da iniquidade, registando os seus nomes para que pudessem recuperar a identidade e as histórias pessoais. Descoberta em Outubro de 1943, foi presa e torturada. Teria sido fuzilada se um soldado alemão, subornado pela Zegota, organização clandestina de apoio aos judeus, não a tivesse levado para um interrogatório “adicional” e a certa altura ordenado: “Corra!” Irena Sendler morreu no dia 12 de Maio de 2008. Estas linhas são para que não morra mais.