Uma correlação complicada, mas ficou sempre a ideia de que a violência no Chile pode ter poupado muitas vidas, alguns meses depois, em 1974, em Portugal.
Ficámos sem saber como seria um regime comunista resultante de eleições. Curiosamente esse fantasma ficou… Poderia depois ser anulado com sanções e dificuldades económicas, como foi feito com Cuba. Porém o risco de contágio sul-americano era grande, como se viu após Chavez, e Kissinger apadrinhou ali a morte à nascença. Allende ficou congelado numa guerra fria que, por vezes, era apenas tépida.
Terá morrido mais uma ilusão imorredoira. Quarenta anos depois, o Chile progrediu e é talvez o país económica e financeiramente mais estável da América Latina.
Ainda esta semana li um título, da Imprensa internacional, que só elogiava; preço paga-se sempre, nem almoços há grátis, tomara pagarmos este preço que temos agora à cabeça e sairmos de cabeça levantada (mas não acredito nisto, sinceramente).
Tirando, no Chile, o problema da repressão, evidente e lamentável, a saída do poço foi um êxito. Não sou eu que o digo. E na América Latina não há melhor, nem o Brasil (de resto a afundar em breve).
Estas são as perspectivas. Em 40 anos Portugal regrediu bastante no que o Chile melhorou.
Entendo-o mas não sou da mesma opinião. Não são histórias nem processos comparáveis, seja em termos políticos seja em termos económicos. Sobre o chamado milagre chileno, ele resume-se a cinco letras: cobre. E mais modernamente a outras cinco: China. Resumi, claro.
Repressão no Chile? Não está com toda a certeza a referir-se aos milhares de desaparecidos e aos assassinatos pois não? Se calhar é isso que nos falta em Portugal, para no futuro sermos considerados um case study. Vendo bem, foi Pinochet que permitiu a primeira experiência das teorias neo-liberais de Friedman, esse guru do nosso actual governo. Venham então umas perseguições políticas, uns mihares de assassinatos e daqui a quarenta anos termos o mundo a elogiar-nos.
Creio que ninguém ainda referiu sobre a concentração dessa dita riqueza. Fica aqui um link para consulta sobre o estudo realizado pelo departamento de economia da Univrsidade do Chile:
Obrigado pela dica, Anónimo. O estudo confirma muitos outros, e, o que é mais grave, que o Chile continua na mão das 11 famílias que serviram de tese a Ricardo Lagos.
espero que os economicistas nacionais tenham a coragem de apresentar um estudo sobre a concentração da riqueza em Portugal e a forma como o estado a concentrou e concentra (refiro-me a antes e depois do 25 de Abril), assim como ao papel que uma dita parte da classe média nacional, os homens e mulheres de mão que são usados na política e em todos os organismos do estado, e fora dele, para a consolidação da concentração dessa mesma riqueza, sem esquecer a manipulação dos media para a propagação de uma falsa nomenclatura sobre crescimento. Hoje em dia, recessão significa cair menos do que o esperado, mesmo que a queda seja grande. E chama-se austeridade e enfrentar a crise com determinação a uma política de compressão económica até ao ponto em que essa compressão resulte na libertação de algumas moedas para se pagar a dita dívida que enriquece banca e grupos económicos através da concentração da miséria a uma escala que só poderá descambar numa onda de violência social. Portugal, em Julho deste ano, assistiu à quebra da produção industrial por volta dos 2,3%, e para eles tudo continua bem e recomenda-se. Os media, e parte dos blogues, que deviam ser o oásis da informação transparente, transformam-se em espécie de revistas cor de rosa e também em meios de choraminguices pessoais. Tudo é estranho e, como católico que sou, bastante à medida da tradição católica que não está somente vinculada a estes, muitos dos que não o são, ou dizem não ser, também receberam o gene. Deixe-me dizer-lhe que é necessário o surgimento da tradição dos primeiros cristãos, combatentes do status quo e da tradição anestesiante que enriquecia castas e oprimia parte da população, onde a escravatura era vista como condição a manter, para que Portugal, a Europa e até mesmo o mundo possa ser um espaço para gente que é capaz de se governar sem se render ao poder das bestas. Esquecer isto é também esquecer o fenómeno da inculturação cristã (refiro cristã e não religiosa) que fez realçar a nobreza da filosofia e das ciências que subjugavam a economia por enaltecimento da Pessoa.
“Não podeis servir a dois Senhores, porque ou odiareis a um e amareis o outro, ou dedicar-vos-eis a um e desprezareis o outro”. O grave problemas dos fundamentalismos existentes, e daqueles que se avizinham, deve-se às fundamentações que os ocasionam e que por esta via, da má fundamentação, os sustentam.
Infelizmente, diz bem, Emanuel [conhecemo-nos, não?]. Mas deixe; são certamente os mesmos que costumam defender que devíamos ter entrado na Segunda Guerra…
Partantos… isto resume-se, a evocação e certos comentários, a laivos de ideologia, tá visto. Pois enquanto não se libertarem disso, vão andar a bater no mesmo. E, contudo, factos na mão, há melhor país na América Latina neste momento?
(ah, e tal, as famílias ricas… pois, o 25/4 trouxe-nos as mesmas famílias do antigamente; não me culpem a mim, são de novo os factos, serem para alimentar a ideologia de sempre, continuem…)
A malta do BE editou “Os Donos de Portugal”, que eu comprei, está lá tudo o que pretendem saber. E, de facto, estamos mal, muito mal, pior do que o Chile, vejam os indicadores e os rankings internacionais.
Uma correlação complicada, mas ficou sempre a ideia de que a violência no Chile pode ter poupado muitas vidas, alguns meses depois, em 1974, em Portugal.
Ficámos sem saber como seria um regime comunista resultante de eleições.
Curiosamente esse fantasma ficou…
Poderia depois ser anulado com sanções e dificuldades económicas, como foi feito com Cuba. Porém o risco de contágio sul-americano era grande, como se viu após Chavez, e Kissinger apadrinhou ali a morte à nascença. Allende ficou congelado numa guerra fria que, por vezes, era apenas tépida.
Realmente uma “correlação complicada”, da Maia…
Tem razão, já uma correlação a 12 anos seria puro mal…te.
Terá morrido mais uma ilusão imorredoira.
Quarenta anos depois, o Chile progrediu e é talvez o país económica e financeiramente mais estável da América Latina.
A ser verdade o que diz, zé luís, pois é tese que dá pano para mangas, o preço que os chilenos pagaram foi bem caro…
Ainda esta semana li um título, da Imprensa internacional, que só elogiava; preço paga-se sempre, nem almoços há grátis, tomara pagarmos este preço que temos agora à cabeça e sairmos de cabeça levantada (mas não acredito nisto, sinceramente).
Tirando, no Chile, o problema da repressão, evidente e lamentável, a saída do poço foi um êxito. Não sou eu que o digo. E na América Latina não há melhor, nem o Brasil (de resto a afundar em breve).
Estas são as perspectivas. Em 40 anos Portugal regrediu bastante no que o Chile melhorou.
Entendo-o mas não sou da mesma opinião. Não são histórias nem processos comparáveis, seja em termos políticos seja em termos económicos. Sobre o chamado milagre chileno, ele resume-se a cinco letras: cobre. E mais modernamente a outras cinco: China. Resumi, claro.
Repressão no Chile? Não está com toda a certeza a referir-se aos milhares de desaparecidos e aos assassinatos pois não? Se calhar é isso que nos falta em Portugal, para no futuro sermos considerados um case study. Vendo bem, foi Pinochet que permitiu a primeira experiência das teorias neo-liberais de Friedman, esse guru do nosso actual governo. Venham então umas perseguições políticas, uns mihares de assassinatos e daqui a quarenta anos termos o mundo a elogiar-nos.
O Chile foi uma Venezuela “avant la lettre” – e,por isso mesmo, correu mal…
Por favooooooor!…
Creio que ninguém ainda referiu sobre a concentração dessa dita riqueza. Fica aqui um link para consulta sobre o estudo realizado pelo departamento de economia da Univrsidade do Chile:
http://www.biobiochile.cl/2013/03/29/dis tribucion-de-la-riqueza-en-chile-el-real-p roblema-esta-en-el-1-mas-rico.shtml
Obrigado pela dica, Anónimo. O estudo confirma muitos outros, e, o que é mais grave, que o Chile continua na mão das 11 famílias que serviram de tese a Ricardo Lagos.
Fernando,
espero que os economicistas nacionais tenham a coragem de apresentar um estudo sobre a concentração da riqueza em Portugal e a forma como o estado a concentrou e concentra (refiro-me a antes e depois do 25 de Abril), assim como ao papel que uma dita parte da classe média nacional, os homens e mulheres de mão que são usados na política e em todos os organismos do estado, e fora dele, para a consolidação da concentração dessa mesma riqueza, sem esquecer a manipulação dos media para a propagação de uma falsa nomenclatura sobre crescimento.
Hoje em dia, recessão significa cair menos do que o esperado, mesmo que a queda seja grande. E chama-se austeridade e enfrentar a crise com determinação a uma política de compressão económica até ao ponto em que essa compressão resulte na libertação de algumas moedas para se pagar a dita dívida que enriquece banca e grupos económicos através da concentração da miséria a uma escala que só poderá descambar numa onda de violência social.
Portugal, em Julho deste ano, assistiu à quebra da produção industrial por volta dos 2,3%, e para eles tudo continua bem e recomenda-se.
Os media, e parte dos blogues, que deviam ser o oásis da informação transparente, transformam-se em espécie de revistas cor de rosa e também em meios de choraminguices pessoais. Tudo é estranho e, como católico que sou, bastante à medida da tradição católica que não está somente vinculada a estes, muitos dos que não o são, ou dizem não ser, também receberam o gene.
Deixe-me dizer-lhe que é necessário o surgimento da tradição dos primeiros cristãos, combatentes do status quo e da tradição anestesiante que enriquecia castas e oprimia parte da população, onde a escravatura era vista como condição a manter, para que Portugal, a Europa e até mesmo o mundo possa ser um espaço para gente que é capaz de se governar sem se render ao poder das bestas.
Esquecer isto é também esquecer o fenómeno da inculturação cristã (refiro cristã e não religiosa) que fez realçar a nobreza da filosofia e das ciências que subjugavam a economia por enaltecimento da Pessoa.
“Não podeis servir a dois Senhores, porque ou odiareis a um e amareis o outro, ou dedicar-vos-eis a um e desprezareis o outro”.
O grave problemas dos fundamentalismos existentes, e daqueles que se avizinham, deve-se às fundamentações que os ocasionam e que por esta via, da má fundamentação, os sustentam.
De acordo, Anónimo, sobre quase tudo o que afirma, desde logo sobre os media; tentemos então não desistir nem dos bons sonhos nem das boas lutas.
Infelizmente, muitos dos que relembram esta data desejam a mesma solução para Portugal.
Infelizmente, diz bem, Emanuel [conhecemo-nos, não?]. Mas deixe; são certamente os mesmos que costumam defender que devíamos ter entrado na Segunda Guerra…
Partantos… isto resume-se, a evocação e certos comentários, a laivos de ideologia, tá visto. Pois enquanto não se libertarem disso, vão andar a bater no mesmo. E, contudo, factos na mão, há melhor país na América Latina neste momento?
(ah, e tal, as famílias ricas… pois, o 25/4 trouxe-nos as mesmas famílias do antigamente; não me culpem a mim, são de novo os factos, serem para alimentar a ideologia de sempre, continuem…)
A malta do BE editou “Os Donos de Portugal”, que eu comprei, está lá tudo o que pretendem saber. E, de facto, estamos mal, muito mal, pior do que o Chile, vejam os indicadores e os rankings internacionais.