«Eram perto de 497 pessoas (…)»
(Márcia Torres sobre a queda de uma bancada, no Jornal do Meio-Dia, SIC-Notícias)
«Eram perto de 497 pessoas (…)»
(Márcia Torres sobre a queda de uma bancada, no Jornal do Meio-Dia, SIC-Notícias)
Ora aí está. Certos homens são tão apressadamente associados às suas opções de vida e tão aligeiradamente separados da sua condição humana que até nos esquecemos, por vezes, de que eles também são feitos de virtudes e de fraquezas.
O Prémio Pessoa 2009 – decidido por Pinto Balsemão, Faria de Oliveira, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Baião e Vieira Nery – é atribuído a um homem de reconhecidas virtudes, com uma vida rica de apostolado e vasta de cultura: D. Manuel Clemente, bispo do Porto e «uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo».
Casa na montanha
Esta pequena casa algures numa montanha tem a vantagem de obrigar à prática de exercício físico, como a escalada de encostas e a subida aos postes.
Todos os que se queixam das linhas de alta tensão que lhes passam perto de casa podem contar sempre com o meu apoio. Que ninguém se sinta só em tudo quanto seja lutar contra as decisões polémicas que afectam a nossa vida comunitária.
Porém, nesta quadra natalícia de tolerância e solidariedade, pareceu-me bem lembrar que há sempre quem esteja pior…
Se mais e melhores vantagens não houvesse, podia registar-se o facto de andarmos aqui a contribuir decisivamente para minorar os efeitos da lamentável subcultura linguística e comportamental que cavalga a nossa sociedade.
Entre outros casos bem sucedidos, contam-se os seguintes êxitos já alcançados e carimbados pela nossa persistência:
— Fernando Mendes já conseguiu dizer uma vez «minhas senhoras e meus senhores», entre os milhões de vezes que diz «meus senhores e minhas senhoras», no seu O Preço Certo (RTP-1);
— o Eixo do Mal já se portou menos mal no passado fim-se-semana (SIC-N);
— o inenarrável programa que se apresentava como Telerural refez o seu grafismo para poder finalmente ler-se "Tele-Rural" (RTP-1);
— esteve há dias um concorrente no concurso do Malato Jogo Duplo que disse «a minha mulher» e não «a minha esposa» (RTP-1);
— o Público Última Hora passou um dia inteiro sem publicar uma notícia em que trocasse um «e» por um «ou» e sem recorrer aleatória e cegamente a quaisquer outras preposições (Público);
— um repórter do Jornal Nacional conseguiu estar quase quatro minutos a falar à porta de um tribunal sem trocar «sob caução» por «sobre caução» (TVI);
— o Expresso já tem menos autores que ainda não sabem conjugar o sujeito com o predicado e não percebem o que é o infinitivo de um verbo (Expresso);
— Fátima Campos Ferreira conseguiu fazer um Prós e Contras inteiro sem qualquer «mudança de paradigma» e sem pôr assuntos «em cima da mesa» (RTP-1);
— Pacheco Pereira deixou de usar na Quadratura do Círculo expressões-tiques, como seja, entre vários exemplos possíveis, dizer que Sócrates quer parecer «melhor do-có-que é» (SIC-N);
— Francisco Louçã já diz menos vezes que o Código do Trabalho afecta «todos e todas» (qualquer microfone serve).
Prometemos continuar com afinco este combate contra os tratos de polé de que sofre a nossa língua e contra o mau gosto e infracultura que grassam, dispostos a tentar alargar os bons resultados a outros meios de comunicação.
Para já, estamos a bater-nos pela substituição do piroso CD musical de um duo com o título Cumplicidade que está a ser anunciado por aí. Os artistas, na capa do dito, dão pelo nome de Beto e Mélito, mas a verdade é que o segundo se chama Melito. Mais valia o primeiro ser Béto, que sempre respeitaria a sílaba tónica.
Bem me cheirou. Sempre que coloquei reservas ao(s) projecto(s) relacionado(s) com o TGV, entre vários outros considerandos, defendi aqui, aqui, aqui, aqui e aqui que a ferrovia de mercadorias deve merecer todo a apoio e que a alta velocidade exclusivamente para passageiros não passa de uma fantasia de políticos interessados em ir jantar a Madrid e voltar a casa, decisores da desgraça nacional que se estão nas tintas para qualquer suposta ligação ferroviária à Europa (e Madrid não fica exactamente no caminho).
Nessas ocasiões, fui sempre alvo de comentadores a dizer que o TGV engloba o transporte de mercadorias e que essa é até a grande vantagem da rede de alta velocidade. Também respondi sempre que concordava com tal vantagem, mas fui insistindo que me cheirava não estarem contempladas as mercadorias, que deviam constituir a nossa máxima prioridade. Na verdade, nunca eu tinha ouvido qualquer declaração clara nesse sentido, uma só declaração afirmativa e dita com as palavras todas. Nunca.
Dito e feito. Cheirava-me e com razão. O que agora o País ficou a saber, com clareza e com as palavras todas, é que o projecto do TGV não prevê o transporte ferroviário de mercadorias. E mais: que essa falta é um erro grave. Pudera. É obviamente «um erro histórico», um conjunto de «projectos tacanhos», como acabou de afirmar Manuel Moura, o primeiro presidente da RAVE nomeado por Jorge Coelho no tempo de António Guterres.
No fundo, como se adivinhava, o elevado custo que se sabe vai ser mais um desastre para a nossa desgraçada economia. Entretanto, os defensores do projecto apenas têm andado a pensar no que já me cheirava: ir a Madrid encher o bandulho e regressar a Lisboa para dormir com o papo cheio. O País que espere, que eles têm de jantar primeiro.
John Winston Lennon nasceu no Liverpool Maternity Hospital a 9 de Outubro de 1940, durante um raid aéreo alemão da II Guerra Mundial, e morreu há 29 anos, exactamente.
O seu nome próprio deve ter sido inspirado pelos acontecimentos da guerra: John do avô paterno e Winston pela admiração a Churchill. Viveu na velha cidade costeira com a mãe, Julia Stanley Lennon, em casa da família materna, no número 9 da Newcastle Road (à esquerda), até aos 5 anos.
A longa ausência do pai, Alfred Lennon, que andou embarcado, resultou em divórcio e John passou a morar com a tia materna Mary Elizabeth Stanley Smith (a tia Mimi, que era casada com George Smith e sem filhos) em Woolton, do lado sul de Liverpool, no 251 da Menlove Avenue – a vivenda Mendips (em baixo). A mãe visitava-o quase diariamente, até morrer em 1958, atropelada por um carro conduzido por um polícia embriagado, perto da porta de Mendips e após uma visita ao filho, tinha ele 17 anos.
Com os primeiros sucessos dos Beatles e já independente, John Lennon comprou e ofereceu à tia Mimi um bungalow em Poole (Dorset), onde ela passou a residir até morrer, em 1991.
Divorciado de Cynthia Powell Lennon e casado com Yoko Ono (em Gibraltar) desde 1969, John Winston Ono Lennon vivia em Nova Iorque e estava a morar desde 1973 no Central Park, em Manhattan, num luxuoso e amplo espaço que agrupava cinco apartamentos do centenário e imponente número 1 West da 72nd Street – o renascentista Dakota Building (ao fundo), de 1880, considerado elemento urbano cultural em 1972, património histórico classificado desde 1976 e habitado por muita gente famosa, no passado e no presente.
A 8 de Dezembro de 1980 – dois meses depois de ter feito 40 anos – pelas 17 horas, John autografou um exemplar do novo álbum Double Fantasy a um homem que tinha viajado de Honolulu, chamado Mark David Chapman, longe de saber que era um doente mental e fanático. O homem ficou de boca aberta, especado, e John perguntou-lhe: "Is that all you want?" Ele respondeu: "Thanks, John."
Às 22 horas e 50 desse dia, John entrava no Dakota com Yoko e ouviu: "Mr. Lennon." Quando estava a voltar-se para trás, foi baleado por Chapman, atingido nas costas por quatro de cinco disparos seguidos, e gritou: "I’m shot! I’m shot!" Não falou mais: passavam sete minutos das 23 horas quando deu entrada no serviço de urgência do Roosevelt Hospital, já morto.
«(…)
– Vinha com sua mulher?
– Vinha com a minha esposa.
(…)»
(Repórter da SIC e cidadão envolvido num acidente de viação)
«Os golos (do Benfica) aconteceram nas alturas erradas.»
(André Vilas-Boas, treinador da Académica, em conferência de imprensa)
«A questão dos túneis não pode ser uma questão fechada.»
(Rui Santos no Tempo Extra, SIC-Notícias)
«Aquele deputado da madeixa… madeirense…»
(Luís Pedro Nunes a tentar lembrar-se do nome do açoriano Ricardo Rodrigues, no Eixo do Mal, SIC-Notícias)
«PS vai propor Vera Jardim para presidir à comissão eventual para a corrupção»
(Título do Público Última Hora, hoje)
Segundo o Público Última Hora, «são falsos os três extractos de conversas que foram postos a circular na Internet tendo como interlocutores o primeiro-ministro, José Sócrates, e o banqueiro Armando Vara.» Não é que isto tenha algo de extraordinário: tratando-se de segredo de justiça, a mentira pode ser verdade e a verdade pode ser mentira, visto que ninguém irá fundamentar qualquer afirmação que faça. Extraordinário – isso, sim – é este hábito que está a instalar-se de chamar "banqueiro" a Vara.
Já não ficarei admirado se o homem, um dia destes, publicar um livro sobre a sua empolgante vida no mundo da alta finança. Insistam só mais um bocadinho que ele ainda se convence. É de boa tradição as biografias traduzirem a ideia de «a vida e a obra» ou «o homem e a obra». Novidade são as biografias do tipo «o homem e a queda», uma tendência que o banqueiro João Rendeiro inaugurou com indesmentível sentido de oportunidade.
Mantenho a ideia de um homem duro e firme na defesa das suas convicções, eloquente e elegante nas palavras.
Nasceu no Porto a 19 de Julho de 1934 e morreu em Lisboa há 29 anos, exactamente.
Piano House, em Huainan (Anhui, China)
A Piano House está em Huainan, a segunda cidade da província de Anhui, na República Popular da China. Foi criada pelas autoridades locais com o
objectivo de atrair mais investimento e maior desenvolvimento para a região.
O nome do edifício, como pode ver-se, prima pela modéstia, uma vez que, além do piano, há um violino transparente com uma escadaria e cuja decoração interior consiste numa exposição de projectos e ideias destinados ao futuro desabrochar da cidade e arredores.
Convenhamos que a construção é desajeitada: falta altura
nas três pernas do piano, sobem-se muitas escadas para entrar e o violino que serve de quarto apoio ao chão é totalmente desproporcionado.
Porém, o maior problema é que não atrai investimento nem desenvolvimento. Os escassos visitantes apenas têm manifestado curiosidade e concluem invariavelmente que o insólito edifício ainda se torna mais controverso por estar plantado no "asshole of nowhere". Isto é, em bom português: está "no meio de nenhures", ou "no cu de Judas".
«Temos de sair deste impasse, sob pena de caminharmos para um suicídio colectivo.» Estas palavras de Pinto Balsemão sobre o PSD actual traduzem a situação preocupante a que chegou um dos partidos de primeiro plano. Preocupante, mas previsível. Porém, a realidade nacional revela hoje em dia um aspecto que pode deixar os sociais-democratas menos angustiados: o próprio país caminha para um suicídio colectivo e o PSD apenas cumpre o dever de o acompanhar neste percurso doloroso. Não é mais animador?
… a Austrália é o país em que as casas de família têm a maior área média? Segundo um estudo apresentado recentemente e referente a Setembro passado, as habitações australianas têm 214,6 metros quadrados, em média, e vão pela primeira vez à frente dos EUA, onde a recessão fez baixar a média para os 201,5 metros quadrados por agregado.
Na Europa, é a Dinamarca que tem as habitações – apartamentos ou moradias independentes – maiores (137 metros quadrados), seguida da Grécia (126 metros quadrados) e da Holanda (115,5 metros quadrados). Entre os nossos parceiros, as casas mais pequenas são as dos britânicos, cuja área, em média, se fica pelos 76 metros quadrados.
«A primeira ideia é que, sendo belga… francófono… fala em inglês… sem acento.»
(Repórter sobre o primeiro presidente do Conselho Europeu, no Telejornal, RTP)
A propósito do que Vital Moreira diz aqui sobre o que chama "democracia referendária" e ao qual o Paulo Gorjão se refere aqui mais abaixo, lembrei-me do que o eurodeputado para-socialista achava e deixava de achar sobre o referendo ao tratado europeu prometido e não-cumprido por José Sócrates. Hoje há champanhe.