O homem e a queda


jmmcc,

Segundo o Público Última Hora, «são falsos os três extractos de conversas que foram postos a circular na Internet tendo como interlocutores o primeiro-ministro, José Sócrates, e o banqueiro Armando Vara.» Não é que isto tenha algo de extraordinário: tratando-se de segredo de justiça, a mentira pode ser verdade e a verdade pode ser mentira, visto que ninguém irá fundamentar qualquer afirmação que faça. Extraordinário – isso, sim – é este hábito que está a instalar-se de chamar "banqueiro" a Vara.

Já não ficarei admirado se o homem, um dia destes, publicar um livro sobre a sua empolgante vida no mundo da alta finança. Insistam só mais um bocadinho que ele ainda se convence. É de boa tradição as biografias traduzirem a ideia de «a vida e a obra» ou «o homem e a obra». Novidade são as biografias do tipo «o homem e a queda», uma tendência que o banqueiro João Rendeiro inaugurou com indesmentível sentido de oportunidade.

7 comentários em “O homem e a queda”

    1. Não-assunto para si, naturalmente. Para mim, é um assunto curioso que até passa pela psicologia, embora não tenha uma relevância extraordinária. Veremos se é assunto ou não-assunto para outros.

  1. Um não assunto, efectivamente. À falta de tema (embora temas não faltem), o articulista, relativamente à legitimidade do ‘baralha e volta a dar’, diz nada. Aproveita no entanto para se virar para o formal em detrimento do substancial, chamar ou não ‘banqueiro’ a Vara.
    Ainda haverá tolos que se deixem levar pela técnica ou só acredita quem já acreditava? Ou de como
    a banalização do discurso visa afinal outros objectivos.

  2. Sr. João Carvalho.
    Esta noticia do publico só existe por falta de investigação.
    Uma vez que o inventor destes falsos extractos de conversas não é anónimo.
    Conforme pergunto no meu blog no post “cortinas de fumo” qual o interesse de inventar coisas destas.
    Provocando depois reacções como a do Sr.
    http://jojoratazana.blogs.sapo.pt/

    1. Ora aí está. Eis por que eu escrevi que, «tratando-se de segredo de justiça, a mentira pode ser verdade e a verdade pode ser mentira, visto que ninguém irá fundamentar qualquer afirmação que faça».

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