Ora aí está. Certos homens são tão apressadamente associados às suas opções de vida e tão aligeiradamente separados da sua condição humana que até nos esquecemos, por vezes, de que eles também são feitos de virtudes e de fraquezas.
O Prémio Pessoa 2009 – decidido por Pinto Balsemão, Faria de Oliveira, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Fraústo da Silva, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Baião e Vieira Nery – é atribuído a um homem de reconhecidas virtudes, com uma vida rica de apostolado e vasta de cultura: D. Manuel Clemente, bispo do Porto e «uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo».

Pois é. Mas já andam para aí a jorrar muitas manifestações de dúvidas e algumas contra a atribuição do prémio.
Desconhecimento da sua obra ou não ter vontade de a conhecer? É que quando se atribui um prémio desta qualidade a algum escritor, cientista ou outro, a ideia de quem não conheça a obra do mesmo não é criticar: é pesquisar sobre… Ou então, não fazer nada nem, sequer, haver pronúncia sobre o dito para não mostrar falta de conhecimento.
Mas o que tenho lido é crítica. Preconceituosa. ‘Não conheço a obra, mas é um tipo do Clero, e o F. Pessoa até era agnóstico, logo a justiça da atribuição é bastante duvidosa’.
Anda a estupidez à solta. E eu, nem religiosa sou, portanto não é à luz de nenhuma crença que escrevo.
Certo.
É só rir.
Ora aí está, como dizes. Gosto de isenção e tiro-lhe o chapéu quando a reconheço.
Nem precisas de tirar. Reconheces e eu sei que sim.
«Uma referência ética para a sociedade portuguesa no seu todo» e… para a sociedade portuense, em especial. Não sendo um portuense de raíz, sempre teve uma certa ligação à Invicta, por parte de sua mãe, que era portuense.
Que o exemplo possa servir.