RIO GILÃO
Nascente: Serra do Caldeirão, na confluência das ribeiras de Alportel, Asseca e Zimbral. Toma o nome de Rio Séqua até chegar a Tavira.
Foz: Ria Formosa, no sítio das Quatro Águas
Extensão: cerca de 40km
"Cheguei finalmente à vila da minha infância. / Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei. / (Tudo isto levou o espaço de tempo de um olhar cansado). / Tudo é velho onde fui novo. (…) / Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu."
Álvaro de Campos, Notas sobre Tavira


Entre árvores frutadas
de variadas tinturas,
correm águas recatadas
fertilizando as culturas.
O casario reflectido
no Gilão tranquilizante
marca o passo incontido
do tempo deslizante.
E há bom marisco por lá, Amêijoa.
Sem dúvida!
.. e que ricos fins de semana eu passo nessa terra logo, logo que o bom tempo começa 🙂
Bom fim-de-semana Pedro
Também eu, Catarina. Também eu.
Não há muito que passei lá um bom fim-de-semana. E, curioso, fiz as minhas caminhadas matinais por perto.
No entanto, não imaginava como se chamava o rio. Gilão soa-me nome catita, já Séqua é mais áspero sei lá…
:)))
Séqua soa a seca, nome inapropriado para rio.
Vai ver que é mesmo isso… Paradoxos só assumidos, é o que é..
:))))))))))
As construções junto ao rio na metade esquerda da imagem não tinham particular interesse arquitectónico mas teria sido melhor manter do que terem sido substituídas pelo ” falso antigo ” do mais pífio, em que por sinal Tavira é especialista, como dizia alguém (1), em substituir ” uma cómoda D. Maria por qualquer coisa em fórmica”. Cá na minha mais valia uma peça de modernismo flamejante à la Taveira do que a foleirada que lá se fez.
(1) Arquitecto conhecido que ouvi na TV e de que não lembro o nome. A citação completa é : ” o português troca uma cómoda D. Maria por qualquer coisa em fórmica “.
Já agora que tenho a mão na massa, Tavira passa por ser das mais bem preservadas cidades do Algarve mas quem a conheceu desde os anos 60 testemunhou até ao fim do séc XX (e além) a substituição de inumeráveis pérolas arquitectónicas ou paisagísticas por puro pechisbeque ( e continua – ver o local escolhido para o “parque industrial”)(2) . Por vezes até nem eram assim tão interessantes,como o palacete dos Padinha que foi substituído por um mono que figuraria sem contraste na Reboleira. Neste processo destruiu-se o magnífico jardim. E a horta dos Galhardo, a dos Larcher, o Largo da Atalaia, a dos Carvalho perto da Atalaia. E muitas outras hortas e edifícios cheios de carácter. No caso das hortas existentes dentro da cidade ainda se poderia aceitar que se tivesse urbanizado se isso não tivessem sido feito no mais puro estilo J.Pimenta : quantos blocos se consegue botar no mais curto espaço de tempo. E é escusado dizer que “eram outros tempos” pois que nesses já Ribeiro Telles, (e não só), se fartava de arengar no deserto.
(2) Mas, como dizia Macário, “desde sempre as cidades ocuparam terra arável”. Como a coisa é desde sempre para quê parar agora !?
Esqueci de fazer referência à horta da família Bagarrão,(1) nas traseiras do quartel, que se mantém intacta. Um verdadeiro milagre !
(1) Não estou completamente seguro que a referida horta pertença à referida família mas foi o que um dia me foi dito e tomo como sendo verdade.
O rio Gilão nasce no fim das casas da metade esquerda da foto, a pequena falha antes do muro para a direita são escadas que dão acesso à nascente do Gilão. Na linha de água brota uma nascente de água doce ao fundo das escadas.
. Até aos anos 70 pelo menos, (já não lembro exactamente mas acho que ainda lá vi mulheres a lavar nos 80) lavava-se aí roupa na maré vazia. Durante a maré cheia a água do mar entra rio acima daí que esta actividade só era possível (ainda é) na maré vazia.
Das “escadinhas” existentes após as casas à direita na foto saíam mulheres a deitar o lixo ao rio. Não tinha mal, naquele tempo lavavam-se os sacos de plástico para reutilizar e o resto do lixo era biodegradável. Bem,imagino que as primeiras pilhas já constassem do cardápio.