Zonas protegidas


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Com o mau tempo de volta, vejo que a marginal da região de Lisboa foi fortemente fustigada. Lembrei-me do Forte de S. Julião, protegido pelo património histórico: se estivesse a morar lá um certo ex-ministro da Defesa, aposto que teria passado a noite na cama bem protegido com uma câmara-de-ar à volta da cintura e flutuadores enrolados no pescoço.

Venham até cá. Está um dia de sol e as temperaturas, como sempre, estão amenas. Nem as zonas protegidas das ilhas não menos protegidas (que integram os núcleos mundiais preservados da biosfera) sofreram alterações. São outlets da natureza…

Ainda a Igreja e o Estado


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Inspirado pelo post mais abaixo «Há ditaduras boas?», em que Carlos Barbosa de Oliveira questiona o papel da Igreja católica perante as ditaduras, talvez fique bem recordar aqui um episódio do Estado Novo que fez correr muita tinta, passado há exactamente meio século.

Em 1958, D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, depois de duas intervenções clarividentes e entendidas como críticas à situação, dirige uma carta a Oliveira Salazar em que reclama a liberdade de os católicos defenderem publicamente os princípios sociais da Igreja.

Considerado incómodo para o regime e aconselhado a afastar-se, o bispo ignora. Desloca-se a Roma no ano seguinte e, na volta, é impedido de entrar no País. Lisboa está informada da viagem e D. António é vigiado nos seus passos de regresso: a fronteira Minho-Galiza, no noroeste, é-lhe barrada. Fica em Tuy, primeiro, e os anos do exílio que se seguem vão ser passados entre Espanha, França (Lourdes) e o Vaticano.

Em rigor, D. António Ferreira Gomes não tem o estatuto de exilado político e, apesar dos esforços das autoridades portuguesas nesse sentido, nunca a Igreja chega a substitui-lo como bispo do Porto. Disponível para a Santa Sé, o Papa João XXIII até o nomeia para uma das comissões que prepara o Concílio Vaticano II.

D. António Ferreira Gomes só regressa a Portugal dez anos mais tarde, em 1969, graças aos esforços de um movimento em que sobressai um jovem advogado portuense: Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro. O envolvimento de Sá Carneiro no caso dá amplamente que falar e irá transportá-lo à política, onde se destaca algum tempo depois como deputado da «ala liberal», já na recta final do Estado Novo.

Seguramente, o episódio representa um dos momentos mais delicados das relações entre a Igreja e o «salazarismo». Bispo e Vaticano estiveram bem, do princípio ao fim.

Obama e chocolate…


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Com os hotéis em Washington DC a abarrotar para o dia da tomada de posse de Barack Obama, começam a saltar os números à margem do acontecimento. Estive a ler alguns e achei piada aos que foram divulgados pelo Marriot.

O luxuoso hotel Washington Marriot do Wardman Park, encaixado entre instituições e serviços do Estado e em posição privilegiada para o cenário presidencial, refere encomendas fabulosas, entre as quais figura uma tonelada de chocolate para as sobremesas que vai servir. Não encontrei mais detalhes sobre esta encomenda, mas posso imaginar: chocolate branco para condizer com a Casa Branca e chocolate escuro por motivos óbvios…

Quantos empregos?


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A equipa de economistas reunida por Barack Obama acaba de revelar o estudo que concluiu: com a intenção já anunciada de cortes nos impostos e com a ajuda das verbas que Obama tem prometido disponibilizar, deverá ser possível ver criados 4,1 milhões de empregos nos EUA. Ou seja: um número bem acima dos três milhões de postos de trabalho que o próprio Obama diz serem necessários para ultrapassar a recessão.

A confirmar-se aquela análise e à margem da importância do resultado real para o mundo, Sócrates tem algumas coisas a aprender com Obama nesta matéria. Desde logo, que as promessas eleitorais sobre criação de emprego têm de ser fundamentadas por quem sabe do que fala, para depois poder acompanhar-se a realidade à medida que o tempo decorre. Porque isto de prometer 150 mil postos de trabalho para depois dizer que até rebentar a crise internacional já tinha gerado 130 mil é um dado que assenta em pouco mais do que fantasia. E escamotear entretanto a evolução do desemprego (dado também fantasioso por motivos conhecidos) é fazer batota.

Além disso, Sócrates pode aproveitar também a lição de transparência: o estudo daquela equipa, com 14 páginas e que inclui o cálculo das possíveis margens de erro, já está alocado na Internet. Através do acesso online, como se percebe, defensores e críticos estão na posse de um documento que sustentará as suas teses e darão clareza aos debates.

Ninguém pode adivinhar a qualidade da liderança que Obama vai assumir daqui a poucos dias, mas as primeiras marcas têm dado conta do estilo. Um estilo que deve interessar-nos, ao invés de continuarmos pegajosos nesta nossa política de melaço que nos atrai a debatezinhos estéreis e impede o País de descolar…

Incompreensões…


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Torna-se claro que Manuela Ferreira Leite não compreende os portugueses. Sobre o debate que propôs ao secretário-geral do PS e primeiro-ministro, diz ela ao Sol: «Esperei que Sócrates aceitasse o meu desafio». Ou seja: a presidente do PSD esperou aquilo em que ninguém acreditou; nem José Sócrates, nem os eleitores esperavam que ela acreditasse nisso.

Assim manifestamente isolada, é natural que também ninguém a compreenda…

Frio???


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Muitos dos nossos parceiros europeus não estranham o tempo que se faz sentir: estão habituados às vagas de frio. Muitos portugueses não estranham o frio: estão habituados às atitudes de Sócrates.

Ao contrário do que querem fazer crer durante o resto do ano, esse vosso frio não faz parte dos fenómenos climatéricos tecidos nos Açores: aqui não está frio nenhum. Nem chuva, por muito que insistam.

Bom fim-de-semana e fiquem quentinhos.

Venha daí esse debate!


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Ninguém acreditava que Sócrates fosse aceder ao desafio da líder do PSD. Provavelmente, nem Manuela Ferreira Leite acreditou nisso por um só momento e, portanto, não há qualquer razão para ficar amuada. Pelo contrário: ninguém esperava, tão-pouco ela própria, convencer o primeiro-ministro com as medidas que ela já deve ter cogitado e respectivo argumentário. O debate era, pois, para o País, para os eleitores, os quais é sempre possível que ainda estejam à espera.

Assim sendo (e não se vislumbra espaço para ser de modo diferente), o debate continua em aberto. Manuela Ferreira Leite pode ir apresentando as suas medidas e fundamentos, que a gente está cá para o saudável debate. Sócrates jamais se deixaria convencer, mas a gente está aqui para se deixar conquistar. Ainda por cima, cheira-me que os eleitores, por muito que rejeitem o já cansado folclore político e todo o circo à sua volta, não arriscam o seu voto numa primeira-ministra muda e pronta a combater a crise com um pacote de medidas secreto.

A líder do PSD tem agora todo o espaço disponível, sem precisar de assentar datas com Sócrates. E parte com uma evidente vantagem: não usa nem vai usar gravatas monocromáticas…

A notícia!


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O José Rodrigues dos Santos é um ponto. No Telejornal de hoje, aí pela metade do alinhamento, lembrou-se de uma grande ‘caxa’: Soares Franco iria dizer à Judite de Sousa, logo a seguir, se será recandidato ao Sporting. O País ficou suspenso, à espera.

Soares Franco já ia recandidatar-se muito antes do Telejornal. Não se falou em outra coisa o dia inteiro, em todos os noticiários. Mas parece que ele ia dizer na entrevista à RTP-1 que ia mesmo recandidatar-se. Dizê-lo com a boca toda, mesmo toda; declarar em definitivo, mesmo em definitivo; garantir com todas as forças, mas mesmo todas; jurar a pés juntos, mas mesmo juntos. E foi o que fez, mas é que fez mesmo…

País de alterne


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Dizem uns que a culpa acaba por morrer solteira, barafustam outros que ela não pode morrer solteira. Assim é que não nos entendemos. Não pode morrer solteira, mas morre sem haver casamento? Eu vejo o caso de outro modo: é indesmentível que ela morre solteira, mas vai vivendo em grande, ora amancebada, ora em quartos à hora. Portugal não consegue arranjar-lhe marido, mas tem condições para ser um país de alterne muito atraente…

Convite de concubinato?


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Eram poucas, as facilidades recentemente introduzidas para adjudicação de obras ao nível da Administração central. Agora, as autarquias também ficam dispensadas de abrir concursos públicos para obras calculadas até cinco milhões de euros. Digo calculadas, sim, e digo-o intencionalmente: todos sabemos das manobras correntes que originam a ‘partição’ de uma obra como se fossem duas ou mais obras, as famosas ‘obras a mais’, os custos acrescidos, a inflação e toda a espécie de truques conhecidos. Com o tecto agora elevado para cinco milhões de euros, tudo ficará mais simples.

Num país onde a corrupção atravessa as instituições, onde as autarquias representam muitos ninhos de dinheiros fáceis, onde a impunidade é moeda corrente e onde a responsabilidade é pouco mais do que simples chamada de dicionário, este tipo de medidas podia ser um convite à escalada das negociatas mais escabrosas. Felizmente, Portugal não é assim. Por cá, mesmo que a culpa morra solteira é apenas porque ela é feiosa e ninguém lhe pega para casar. Mas até consta que ela vive muito bem em concubinato…

Duelo à vista? (2)


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É oficial: José Sócrates não aceita o desafio de Manuela Ferreira Leite e fê-lo saber pelo prestável ministro Augusto Santos Silva. Não haverá duelo, porque o roto e o nu têm peditórios diferentes.

Quando Santos Silva era o Augusto ali da Ramada Alta (os portuenses entendem-me), nem com as paredes falava tanto. E ele pela-se por falar…

Descoberta…


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No Telejornal, a notícia é sobre a neve em França. «Faz parte das regras» – explica a repórter da RTP. «Nas autoestradas não se pode parar, mas a regra foi hoje quebrada» por causa da neve, blá-blá-blá.

Não era preciso ir tão longe: por cá também não se pode parar, nem estacionar, nem circular a menos de 50 quilómetros por hora. E, no entanto, nas autoestradas de acesso a Lisboa e Porto há diariamente milhares de veículos parados…

Interrupções e conceitos


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Israel decidiu interromper hoje a guerra em Gaza por três horas, para ajuda humanitária. E parece que é assim mesmo que o conflito vai continuar: uma trégua de três horas por dia, para acorrer às vítimas das restantes 21 horas diárias de guerra.

À indiferença com que se matam civis – crianças e velhos incluídos – acresce a previsão desumana das partes beligerantes, que concedem um intervalo regular para socorrer ou recolher as vítimas da guerra. Assim a frio, pode dizer-se que a diferença entre esta guerra e as da Idade Média não vai muito além das fardas e do armamento, por exemplo. E da própria interrupção, claro.

Quanto à diferença entre esta interrupção e outras interrupções, ela está no conceito. Esta é um pouco como nos cinemas, em que a interrupção corresponde a um intervalo. Ou como nos velhos tempos da RTP, em que era retomada a programação após a interrupção, a qual até originava um pedido de desculpas. Diferente é a eufemisticamente chamada ‘interrupção voluntária da gravidez’, em que a interrupção é definitiva e nada se retoma.

Israel e a Palestina deviam pensar no conceito que Portugal associa ao aborto, juntar-lhe um pedido de desculpas tipo RTP a preto-e-branco e deixar o intervalo para os filmes. Mas preferem a razão da força. Contra crianças e velhos, os dois serão seguramente vencedores.

Quantos deputados são precisos?


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As faltas dos deputados às sessões parlamentares voltam a ser notícia. O grupo parlamentar do PSD, não sendo a maior representação, consegue ganhar em tudo: maior número de faltas no total e maior número de faltas injustificadas.

Sei que a redução do número de deputados à Assembleia da República tem o risco de reduzir a diversidade das representações parlamentares. Porém, quem falta não representa coisa alguma. Por isso, se não houver outra solução e se o tema das faltas volta à ordem do dia, talvez seja também de voltar a pôr em agenda o número de deputados de que o País precisa de facto…

Ó TMN, põe-te a pau!


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Creio que foi a 29 de Dezembro que me entrou a seguinte mensagem no telemóvel (os erros são do remetente): «Waiting Ring gratis – Poe os Gato Fedorento a atender as tuas chamadas. Oferta da 1a mensalidade! Caso nao aceites, responde NAO p/ o 22700 ate 30/12  Remetente: tmn». Decidi que não me apetecia responder, mas o tratamento por ‘tu’ tocou-me e optei por guardá-la.

No dia 31, recebi nova mensagem: «Waiting Ring – O servico encontra-se activo(mensalidade EUR 0,89). P/receber SMS gratis sobre o servico, SMS p/12700 c/texto NOTICIAS ACTIVAR  Remetente: 12700». O tratamento menos familiar deixou-me desconfiado. Experimentei ligar para mim mesmo e fiquei a saber que, antes de eu atender uma chamada no meu telemóvel, tinha os Gato Fedorento a atendê-la com um escarcéu inacreditável.

Entrei em contacto com a TMN para desactivação imediata daquele serviço idiota e que não pensassem em qualquer cobrança. Acrescentei ainda dois pontos: nunca mais quero receber mensagens a tratarem-me por ‘tu’ e nunca mais quero receber mensagens com ofertas de serviços a que eu tenha de responder que não quero.

Não sei como irão tirar-me do sistema quando lançarem mensagens automáticas, mas o problema não é meu. A dúvida que retenho é que ficou sem resposta: por que raio pensará a TMN que toda a sua clientela é garotada?

Voltem a tratar-me por ‘tu’ e a exigir-me que responda que não quero uma coisa que não pedi e verão com quem se meteram…