Duas coisas


jmmcc,

1. De regresso a casa, apresso-me a desejar a todos que tenham um bom ano e ofereço uma salada mista de saudades, beijos e abraços. Ou julgavam que se livravam de mim assim sem mais nem menos?

 

2. Entro em casa, ligo o aquecimento, desfaço as malas e ligo a televisão. Pacheco Pereira abre o seu Ponto Contra Ponto com uma coisa engraçada: «O Bloco Central das Lareiras», em que estabelece os pontos de união das mensagens de Natal de Manuela Ferreira Leite e de José Sócrates. Nos dois casos, a lareira acesa, a ideia de recato famíliar, o conforto da intimidade do lar e o décor natalício correspondem a um estilo decalcado que se repete. Com uma pequena diferença, segundo diz Pacheco Pereira: o elemento religioso no Presépio de Manuela Ferreira Leite e a falta do elemento religioso, substituído pela Árvore de Natal de José Sócrates. Ora, acontece que ambos têm um Presépio visível em cima da respectiva lareira, embora o de Sócrates seja mais pequeno, esteja mais afastado e não inclua um par de lunetas para ser visto por quem não quer vê-lo. Como não sou suspeito, isto permite-me concluir que o Ponto Contra Ponto, com pretensões a varanda crítica do que se lê, se ouve e se vê por aí, adivinha-se um programa igual ao ano novo. Ou seja: é pior ‘do-có-que’ ficou para trás.

Boas Festas a todos


jmmcc,

Pois é: decidi ir às origens e passar esta quadra no meu Porto-natal. Sem saber se (e quando) terei um computador (e Internet) à mão, aqui vos deixo os meus votos de Festas felizes.                                                     

Aos amigos "delinquentes", aos comentadores regulares e casuais, aos leitores e a todos os bloggers com quem me entendo bem e aos outros:  que 2010 vos traga tudo o que for bom.                                                   

Fui encarregado…


jmmcc,

… de vos transmitir os habituais votos por esta quadra natalícia, da parte dos que lamentam não poder fazê-lo de outro modo. É o que aqui vos trago.

 

– Festas felizes. Brindo por Lisboa na passagem de ano, quando erguer a minha taça de Red Bull.  (António Costa)

– Boas Festas e vejam se a estrela no céu não será algum voo secreto da CIA. (Ana Gomes)

– …* (António Costa Pinto)

– Boas Festas para todos e faço votos para não ter de malhar no próximo ano. (Augusto Santos Silva)

– Merry X’mas. I wish you make love and not to much war. (Barack Obama)

– Votos de bom Natal, mas desculpem lá: os  votos de ano novo só poderei divulgá-los talvez na próxima semana. (Cândida Almeida)

– Boas Festas e que as namoradas obriguem os namorados a entrar a horas no próximo ano. (f.)

– Envio os meus votos sinceros de boas Festas com todo o rigor e enorme apreço pelas famílias portuguesas e pelos lares dos portugueses e faço votos para que possamos encarar o próximo ano com toda a serenidade e toda a tranquilidade. (Francisco Assis)

– Desejo bom Natal a todos e todas e em 2010 orreis magos que paguem a crise e arreformas da banca. (Francisco Louçã)

– Basicamente,  temos efectivamente que exigir boas Fêstas para os portugueses e para as portuguesas, porque efectivamente estamos em tempo de Fêstas e as Fêstas têm que ser uma mudança de paradigma para todos e para todas terem efectivamente o peru em cima da mesa. (Heloísa Apolónia)

– Festas felizes. Isaltinemos todos o espírito inocente do Natal. (Isaltino Morais)

– Boas Festas e que tênhamos um bom ano. (Jaime Silva)

– Boasche a-Festasche e felizche a-doische a-mil e dezche. (João Moleira)

– Boas Festas, visto que os próximos anos há-dem ser melhores. O que é munto importante e isso é que é fundamental. (Jorge Coelho)

– Boas Festas e que 2010 seja melhor do-có-que foi 2009. (José Pacheco Pereira)

– Nós voltamos a ver-nos no ano novo. Para si (pisc) em especial, tenha um bom Natal. (José Rodrigues dos Santos)

– Desejo-vos com toda a verdade Festas felizes. E tenham juizinho. Como eu os percebo: não, não  pode haver duas festas, uma do governo e outra da oposição. O voto popular determinou que Natal é quando o governo quer. (José Sócrates)

– Feliz Natal e bamos a ber se 2010 bai ser melhor. (Luís Filipe Menezes)

– Boas Festas. Olé! (Manuel Pinho)

– Bom Natal e que toda a gente tenham boas passagem de ano. (Manuela Ferreira Leite)

– Bom. Espero que tenham boas Festas, com muita tolerância e solidariedade. (Marcelo Rebelo de Sousa)

– O meu voto sincêro de boas Fêstas. E vão ao circo ver os palhaços, que é uma tradição nêsta quadra. (Maria José Nogueira Pinto)

– Tenha um Natal de excelência e um ano novo a não perder. Rigorosamente. (Mário Crespo)

– Bom Natal. Mas atenção: o ano novo é um embuste; o próximo ano é tão velho como os outros e dizer o contrário é mentir. (Medina Carreira)

– Oiça. Desejo um santo Natal às senhoras e senhores portugueses, por duas razões. Primeira: que as peixeiras e os agricultores possam receber bacalhau e azeite, por duas razões. Primeira: é preciso que o governo apresente os votos que nós propusemos, por duas razões. Primeira… Oiça… Deixe-me só dizer duas coisas… Primeira… (Paulo Portas)

– Boas Festas e feliz ane nôve. (Ramalho Eanes)

 

* — Sussurro imperceptível.

Nem inventar sabem


jmmcc,

Orçamento do Estado? Défice interno? Dívida externa? Qual quê?! A Red Bull Air Race é que domina as preocupações de Lisboa. Importante é centralizar mais e mais tudo o que cheirar a fogo-de-artifício. Mesmo que o Mar da Palha não seja um rio apropriado, a preocupação é rasteirar Rui Rio e outros assim.

A centralidade bacoca desce ao nível mesquinho de roubar as ideias dos outros. Não se admirem se o aeroporto do Porto for transplantado para Alcochete. Ainda hão-de levar o Futebol Clube do Porto para o campo pelado da Praça do Comércio. E que tal transferir a Lagoa das Sete Cidades para as sete colinas? Ou a Serra da Estrela para o Martim Moniz? No Porto – não sei se estão interessados – parece que ainda sobram a Torre dos Clérigos e a Casa da Música.

Inventem, senhores! Inventem. Se souberem.

O retrato


jmmcc,

Vou fazer um retrato em prosa de Francisco Anacleto Louçã (tentem ler como eu sugiro): «O ensino é um custo para o País, mas não pode ser um preço para os estudantes; tem que ser uma vantagem para todos.»

Está um retrato fracote, eu sei. Vou dar um retoque: "(…) tem que ser uma vantagem para todos e todas." A culpa não foi minha. Louçã é que está a perder qualidades, mas continua a falar em surdina-e-bold.

Disto ainda há (aqui e por aí)


jmmcc,

Francisco José Viegas (nosso Blogue da Semana) decidiu entrar na nossa corrida: foi tocado pela nostalgia das quatro rodas e passou a recordar os tempos em que os carros tinham personalidade e carisma e não eram as coisas ambulatórias e indistintas de hoje.

Foi o que o nosso amigo já fez aqui e aqui, em duas mostras de clássicos inesquecíveis (vários dos quais já passaram no DO). Com o tempo, também ele irá saber que nunca devemos chamar cabriolet a qualquer carro de dois lugares só por ser descapotável e muito menos chamar ‘Coccinelle’ ao velho Carocha.

Ficam, pois, os nossos leitores avisados: há mais "delinquentes" por aí a lembrar que o automóvel já foi um bem respeitável, nem que fosse só para os olhos.

TGV: uns jantam e outros emigram


jmmcc,

Sócrates anunciou ontem a construção da primeira fase do TGV e disse que este é «justamente o momento» para o projecto passar para o terreno. Como há muito se adivinhava, o troço anunciado – o primeiro a ficar pronto se já ninguém conseguir estancar este desastre económico – é a linha Poceirão-Caia. Ou seja: é o troço que vai permitir a ligação Lisboa-Madrid.

Já expus todos os inconvenientes do projecto – que outros dissecaram muito melhor do que eu – mas vale a pena reter, em suma, o seguinte:

— o primeiro-ministro usou o termo «justamente» vezes a mais e nenhuma delas foi para sublinhar que esta sua obcessão tem de tudo menos de justa;

— começar pela ligação Lisboa-Madrid é começar por abrir a cova a este país que só não acaba enterrado por não ter onde cair morto;

— os espanhóis estão muito satisfeitos pela aproximação ao porto de Sines e mais ainda porque nós continuamos a ignorar o transporte ferroviário de mercadorias;

— os franceses, italianos e alemães estão muito satisfeitos pela possibilidade de vender equipamento que fabricam e possuem em excesso;

— ouvir uns figurões a falar na rápida e essencial ligação à Europa quando se começa por Madrid é o mesmo que sair do Porto de automóvel e dizer que "o melhor é ir por Castelo Branco para chegar mais depressa a Lisboa";

— ter de ouvir (como ontem) alguns desses figurões explicar (?) que em breve se pode partir de Lisboa para chegar rapida e tranquilamente a Paris, por exemplo, é um disparate, porque o TGV português está projectado para linhas de bitola ibérica e para lá dos Pirinéus a bitola europeia obriga a mudar de comboio (o que a Espanha já percebeu para alterar as suas ligações a França);

— vamos entrar na rede europeia tarde e a más horas com comboios que a Europa está a trocar pela alta velocidade moderada (250km/h, como o nosso Alfa Pendular), por razões de custo, tempo, consumos, travagem e arranque nas ligações, segurança, manutenção,  etc., como hoje já se sabe;

— estamos a rejeitar a entrada na rede europeia com a velocidade comum adoptada, para adoptar o equipamento de topo mais dispendioso e super-rápido que, tanto quanto se sabe, só a China projectou, por motivos óbvios;

— continuamos a alargar a já excessiva rede de autoestradas, a manter enormes camiões em circulação, a persistir numa linha férrea de mercadorias que vem do século XIX e a assobiar para o lado sobre os problemas inerentes da economia, poluição, consumo de combustíveis, acidentes de viação, tempo das ligações, manutenção do piso das estradas e custo final dos produtos;

— vamos pagar nos impostos o custo verdadeiro das deslocações em TGV, para o governo impor preços fictícios às viagens e poder fingir que não sai caro;

— vamos também pagar umas belas comezainas em Madrid a uma certa gente que se porta tão bem à mesa como no Parlamento.

Podemos continuar a emigrar, que isto já deu o que tinha a dar.