Rendeiro banqueiro e autor


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O fundador e ex-presidente do BPP, constituído arguido pelo Ministério Público e João Rendeiro de seu nome, manifesta indiferença pelas acusações de que é alvo e diz que não admite ser o “bode expiatório” da situação e falta de soluções para o banco.

Não se pode dizer o mesmo dos depositantes do BPP e dos contribuintes portugueses: não lhes são indiferentes as acusações a João Rendeiro e admitem sem a mais pequena dúvida que ele teve um papel na situação e na falta de soluções a que chegou o banco, o que faz com que lhe assente como uma luva a pele de um qualquer ser vivo, desde que seja expiatório.

Aguarda-se que Rendeiro venha a publicar um segundo livro de receitas, desta vez centrado no modo de erguer um banco, afundá-lo, encolher os ombros com desdém, não ser “bode expiatório”, ter soluções para o caso e reservá-las como direitos de autor.

O partido que se esfuma


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Depois de o Pedro Correia ter analisado ontem aqui (e eu próprio já ter ensaiado em tempos) o problemático futuro do PPD/PSD, eis que Alberto João Jardim vem baralhar e dar de novo. Mais ou menos, diz ele que o partido não precisa de inventar nem de fingir posições liberais, porque basta centrar-se na sua ideologia social-democrata.

Certo. Esse é o PSD de nome. E o PPD de nome? E quando o PPD é que era social-democrata? E quando o PSD é que passou a ser liberal? Alguma coisa há-de continuar errada. Ou aquele partido está na Europa numa família de adopção (os populares), ou a sua morada europeia está errada e o PPD/PSD enganou-se na porta.

Conclusão antecipada: ainda não está para breve descobrir-lhe a vocação. Esfumar-se é capaz de ser uma questão de tempo. Entre os populares do CDS-PP e os sociais-democratas do PS, o espaço que lhe resta é nada. Por isso, certamente, é que vai continuar à procura de salvadores. Até se esfumar.

Mistérios na TAP


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Só faltava mais esta: a «TAP perdeu 3,4 por cento dos passageiros em 2009». Ora, se nenhum avião da TAP abriu as portas em pleno voo e se, ainda por cima, não só anda a perder passageiros como também anda a perder cada vez mais dinheiro, não parece ser tempo de começar a investigar tantos mistérios? Para já, o melhor é não guardar o dinheiro nos aviões que forem voar e não transportar mais passageiros desamarrados ou, ao menos, levar sempre um detective na tripulação.

«Que perfeito coração…


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… no meu peito bateria»… É quando a bateria e toda a acústica electrónica ficam a martelar-me os miolos. Há canções em que não se devia mexer. Não, não sou um purista do fado. Nem sequer sou um apreciador do fado. Mas há canções em que não se devia mexer. Até para não serem estafadas. E não me estafarem mais.

Desconforto


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As notícias nacionais que leio hoje deixam-me desconfortável. Vejam só.

 

· A GNR deteve dois alegados etarras em Portugal e o ministro da Administração Interna falou sobre essa detenção. Chega a parecer que o ministro não segura a sua alegria, como se o cumprimento bem sucedido da polícia fosse uma vitória política do seu gabinete. É bom que não sejam alegados etarras. É bom que sejam etarras. Para não serem declarações ao nível de ministro sobre alegados.

 

· A CMVM aprovou novas recomendações sobre os salários dos administradores e gestores das sociedades nacionais. "Bem prega frei Tomás…"

 

· Cientistas embarcam em projecto nacional para estudar o fundo do nosso mar. Ao anunciar ontem o lançamento de um «projecto nacional de ciências do mar profundo», o ministro Mariano Gago parece apostar no futuro: Portugal afunda-se e só terá continuidade nas profundezas do oceano.

 

· O MP acredita que Godinho pagou 25 mil euros a Vara em Junho. Se forem verdadeiras as notícias anteriores de idêntico teor, este é mais um sinal da crise: as "luvas" andam a ser pagas em tranches.

 

· O primeiro-ministro disse que o sector agrícola «não é nenhum fardo para Portugal». Pudera. O que não existe, não pesa. José Sócrates parece o sucessor de Jaime Silva, que nunca viu fardo nem sentiu peso.

 

· O Ministério da Saúde comprometeu-se a encontrar solução para doentes do Hospital de Braga. Deve ser um equívoco. Nenhum governo se lembraria de anunciar que se sente comprometido com a busca de soluções para pacientes dos serviços de Saúde pública. Se for o caso de uma situação nova e imprevisível, a única saída razoável é encontrar rapidamente os meios para resolvê-lo, que faz parte da normal governação.

 

Que me dizem? Não ficam também desconfortáveis?

Iguais e diferentes


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Há quem diga que os casamentos homossexuais são diferentes e que não deviam ser tratados como iguais. Estive a meditar. Esqueçam isso. Um casamento homossexual é o mais igual de todos. Desde logo no sexo dos cônjuges. Os outros é que são diferentes.

Como é difícil a vida a 3D


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Possivelmente a propósito do filme de que se fala, li ontem algures que uma médica oftalmologista avisava contra o uso de óculos 3D em crianças de tenra idade, pelo efeito perturbador que isso pode provocar com o excesso de realismo das imagens recebidas no cérebro.

Se eu fosse oftalmologista a precisar de um momento de visibilidade que me ajudasse a fazer nome, talvez não arranjasse melhor. Mas não me atrevo a duvidar daquela opinião clínica e até vou mais longe: as crianças de tenra idade não devem assistir a filmes que não são próprios para elas. Mais: as crianças de tenra idade não devem sair de casa sem um olho tapado, para não ficar traumatizadas com a vida real vista a 3D.

Brilhante e estaladiço


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Tornou-se corrente e repetitivo ver na televisão o estafado recorte de uma velha ida do governo anterior ao Palácio de Belém para apresentar cumprimentos, quando a troca de votos natalícios ainda se confundia com uma troca de piropos.

De cada vez que revejo essas imagens e a respectiva frase recortada do discurso do primeiro-ministro, ocorrem-me sempre as conhecidas qualidades do verniz: brilhante e estaladiço. Disse José Sócrates naquele acto formal relembrado pública e exaustivamente na televisão: «Gostamos muito de trabalhar consigo».

"Gostamos muito de trabalhar com Vossa Excelência" – dir-se-ia no tempo em que o verniz e o exercício político eram menos compatíveis. Conclusão: quanto mais se estudam gestos e palavras para abrilhantar a figura, maiores são as estaladelas que deixam à mostra o que apenas foi envernizado.

Que é feito deles?


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Depois do obscuro processo de contratação dos 400 mil Magalhães da JP Sá Couto, sabe-se agora que o governo, através do Ministério da Educação, acaba de abrir um concurso público internacional para novos 250 mil computadores portáteis destinados ao polémico programa "e-escolinhas". Ou seja: o governo teve de alterar o atabalhoado e suspeitoso procedimento anterior para o efeito. 

Parece que não ficaria mal que certos defensores do indefensável reaparecessem a explicar como é que uma contratação directa tão «transparente» teve de mudar de figura a favor da transparência nas contratações. De Mário Lino àquele seu inenarrável secretário de Estado que falava dele próprio na terceira pessoa (o amigo-não-muito-amigo de Joana Amaral Dias), que é feito deles? Gostava de revê-los em novas explicações públicas.

Vidas


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Portugal é o sexto país europeu e o oitavo do mundo a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não me lembro de termos sido tão lestos desde a abolição da pena de morte.

O fim da pena de morte salvou a vida a grandes criminosos. Espera-se que o casamento homossexual possa salvar alguém de qualquer coisa, já que o resto do país continua sem ilusões de vida.

Governos europeus é que era


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José Sócrates está em Paris (que mande de lá saudades, que é coisa que cá não deixou), onde já se mostrou útil a Portugal: defendeu que a Europa deve ter um governo económico.

Finalmente, revela-se nisto uma iniciativa da maior lucidez. Não sei o que os restantes Estados-membros da UE pensam sobre o assunto, mas para nós é a única saída: face à manifesta incapacidade do nosso governo para encarar e resolver o problema económico, sempre é melhor entregarmos a governação a quem saiba governar-nos por controlo remoto. E Sócrates, afinal, tem noção disto.

Já agora, se não for pedir muito, valia a pena defender que a Europa tivesse um governo para as obras públicas, mais um governo fiscal e financeiro, outro para a Justiça e, pelo menos, outro para a Educação. Enfim: a Europa deve ter uma data de governos centralizados. Não digo que fosse para todos, mas ao menos para Portugal.

A gente espera


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Acabo de ler que Assis admite mais duas excepções à disciplina de voto na adopção por gays, o que já totaliza quatro excepções concedidas ao grupo parlamentar do PS. Parece-me bem. Um casal masculino e um casal feminino são duas excepções, no que respeita à adopção tradicional. Ora, entendendo que cada um pensa e decide singularmente pela sua cabeça, cada casal já constitui duas excepções. Faltavam, pois, outras duas.

Claro que faltam muitas outras coisas para os deputados fazerem, mas a gente espera. Todos sabemos que Progresso e Economia não se fizeram num dia. Tenham calma.

Anormalidade normal?


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Quando li (e reli) isto fiquei pasmado. A nossa Ana Margarida confirmou aqui que eu tinha lido (e relido) bem. Portanto, houve 83 por cento de professores classificados com ‘bom’? E ainda os houve classificados com ‘muito bom’ e com ‘excelente’? E apenas menos de meio por cento foram considerados regulares e insuficientes? E a ministra só comenta que os muito bons e os excelentes devem ser beneficiados em relação aos bons? E isso quer dizer que a ministra acha tudo isto razoável e não fica pasmada como eu?

 

Afinal, onde param os professores de competência suficiente? Onde estão os professores comuns? Por onde andam, enfim, os professores normais? Digam-me que isto não é verdade, que isto não está a acontecer, que isto não é normal. Digam-me que isto não é mais um caso a engrossar a normalidade anormal deste país. Digam-me que sou eu o anormal. Digam-mo e segurem-me que eu não me contenho. Segurem-me que eu vou-me a eles, porque não quero um país excelente, ou um país muito bom, nem sequer um país bom. Só quero um país normal.

A terceira coisa


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Há dois ou três dias, estava eu de regresso a casa, escrevi aqui sobre o Ponto Contra Ponto de Pacheco Pereira e o «Bloco Central das Lareiras» a que acabara de assistir. Distinguia ele os cenários das mensagens natalícias de José Sócrates e de Manuela Ferreira Leite por aquele ter uma Árvore de Natal e esta não dispensar o símbolo religioso que é o Presépio. Contrariei o autor: «ambos têm um Presépio visível em cima da respectiva lareira, embora o de Sócrates seja mais pequeno, esteja mais afastado e não inclua um par de lunetas para ser visto por quem não quer vê-lo».

Um comentador anónimo, ou nem tanto, enviou-me o link para um vídeo da mensagem de Sócrates, no qual pude ver que o que me pareceu um Presépio parece ser, afinal e com as minhas lunetas, um enfeite festivo. Sendo assim, teve Pacheco Pereira razão e não tive eu.

Não acredito que o meu possível lapso contribua para o ano negro a que estamos condenados ou para ser mote de programa televisivo, mas quero acrescentar a estas duas coisas uma terceira: sei que acalmo a arritmia cardíaca do comentador anónimo, ou nem tanto, mas fico eu com palpitações pelo receio de estar a estragar a pré-gravação do próximo Ponto Contra Ponto, fortaleza crítica do que se lê, se ouve e se vê por aí.

Esqueçam: novo ano, vida nova


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1. Se pensam que as coisas por aqui vão continuar na mesma, esqueçam. Ao fim de um ano, há que pôr a realidade em cima da mesa e cuidar, basicamente, da mudança de paradigma.

Aceitar quem pensa de outro modo e manifesta discordância? Responder a quem comenta os posts e dar-lhes importância? Afagar o ego dos visitantes e acarinhar os gostos por temas diversos? Desmentir enganos e dar a mão à palmatória por algum mau juízo? Pois digo-vos já: esqueçam.

 

2. A partir de agora, o que ficou para trás são tretas e as regras passam a ser estas:

– aceitar quem pensa de outro modo e manifesta discordância;

– responder a quem comenta os posts e dar-lhes importância;

– afagar o ego dos visitantes e acarinhar os gostos por temas diversos;

– desmentir enganos e dar a mão à palmatória por algum mau juízo.

E mais nada. Pensavam o quê?