Quando li (e reli) isto fiquei pasmado. A nossa Ana Margarida confirmou aqui que eu tinha lido (e relido) bem. Portanto, houve 83 por cento de professores classificados com ‘bom’? E ainda os houve classificados com ‘muito bom’ e com ‘excelente’? E apenas menos de meio por cento foram considerados regulares e insuficientes? E a ministra só comenta que os muito bons e os excelentes devem ser beneficiados em relação aos bons? E isso quer dizer que a ministra acha tudo isto razoável e não fica pasmada como eu?
Afinal, onde param os professores de competência suficiente? Onde estão os professores comuns? Por onde andam, enfim, os professores normais? Digam-me que isto não é verdade, que isto não está a acontecer, que isto não é normal. Digam-me que isto não é mais um caso a engrossar a normalidade anormal deste país. Digam-me que sou eu o anormal. Digam-mo e segurem-me que eu não me contenho. Segurem-me que eu vou-me a eles, porque não quero um país excelente, ou um país muito bom, nem sequer um país bom. Só quero um país normal.

Cinco anos de guerra aos professores para no fim ficar tudo na mesma. Cinco anos de guerra às ‘férias judiciais’ para no fim ficar tudo na mesma, como o Joaquim já referiu aqui. Noves fora, nada.
Nada de nada. Só o casamento ‘gay’ e a culpa que morre solteira, neste país de alterne.
Ah, somos um país de excelência! Não há medíocres, afinal. Que bom.
Demorou, é certo, mas valeu a pena. E medíocre é um grau reservado à classe política.
E como essa só é avaliada de 4 em 4 anos, tá-se bem… enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.
Menos as nossas, que andam mais arqueadas a cada ano que passa.
No anterior modelo de avaliação a maioria dos professores era classificada com Satisfaz, já que a classificação de Bom e Muito Bom nem sequer estava regulamentada.
Portanto algo mudou com esta avaliação. Os regulares passaram a bons. No fundo é o mesmo que se passa com os alunos, embora neste caso o processo tenha demorado mais governos.
Deve ser isso. Ou não.
A classificação de Bom estava regulamentada na avaliação anterior. Devia ser solicitada pelo interessado e havia uma comissão parcialmente externa que avaliava o professor.
João, tenho imensa dificuldade em opinar sobre esse assunto.
1-Tenho um grande respeito pela profissão de professor – no entanto reconheço que é difícil atingirem essa percentagem de ” Bom” na avaliação do mérito.
2 – Não estou muito por dentro dos modelos de avaliação – anterior e actual.
3 – Por último, também, sei o que custa perder “direitos adquiridos” – já passei por isso.
Se eu já estava baralhada, ao ler através do link a “explicação” da Ministra, fiquei mais – “ (…) Para Isabel Alçada, o número elevado de classificados com Bom explica-se com “a tradição da atribuição desta nota aos docentes por parte de quem avalia (…) ”
Estou consigo no respeito pelos professores. Uma coisa é certa: se uma classificação termina com 80 ou 90 por cento de bons, muito bons e excelentes, o critério da avaliação está errado até que a maioria dos classificados se situe numa posição de normalidade.
A maioria é sempre o que tem de ter-se por normal e não há volta a dar a este conceito. Uma das nossas melhores tradições é aceitarmos o absurdo que se opõe à realidade.
Eh pá desculpem lá, mas estavam à espera de quê? Aqueles que andaram a defender a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, nunca perceberam que todas as medidas que ela tomou estavam impregnadas de uma peçonha chamada laxismo. Aplica-se aos alunos e aplica-se aos professores: para dar negativa a alguém é preciso mover montanhas de papel. Todo este processo esteve mal concebido desde início, foi difícil de aplicar, e como podem ver não serviu para nada. Tal como não servem 90% dos papeis que atafulham as escolas. Os socialistas desde 1995 que estão a implementar em Portugal uma escola ideológica. Tínhamos a escola fascista, agora temos a escola socialista, igualmente totalitária.
Estou a vontade para dizer isto, porque ao contrário de muitos dos meus colegas, sempre soube que este sistema de avaliação não ia atribuir menções negativas, e um sistema que dá bom a todos não serve. Fartei-me de o dizer.
E não sabem vocês o que se passa com essa excelente medida chamada “aulas de substituição”, é tudo menos aula, até badminton já os vi jogar…
Pois, meu caro. Não sei se é exactamente como diz, mas sei que não pode ser muito diferente pelos resultados alcançados.
Há um facto incontornável: esta avaliação é uma treta. Basta dizer que apenas os professores que o requereram (com vista à obtenção de Muito Bom ou Excelente) tiveram aulas assistidas (2 ou 3). O que se avalia não é o desempenho docente, mas a papelada anexada, as actividades de lazer e de entretenimento, etc. Com um coordenador regateiro a puxar, talvez se chegue lá, não por mérito, mas por outras razões cuja exposição exigiria muito espaço — e, além disso, nós, professores, não gostamos de lavar a roupa suja em público. No meu caso, que recusei a avaliação e nem os objectivos entreguei, também me atribuíram o Bom, desconheço com base em que critérios.
Quanto à ironia implícita no post, assumo que os professores portugueses são, na sua maioria, bons. Se assim não fosse, há muito que o ensino teria colapsado. Mas esta é outra discussão que carece de muito mais espaço, não cabendo num comentário apressado como este.
Zé
Entendo e parece-me que deve estar cheio de razão. Também não tenho dúvida de que os professores são como quaisquer outros profissionais: na sua maioria, são bons. Mas ser bom, em linguagem corrente, significa ter o desempenho que deles se espera, o que quer dizer que são normais, que é o grau atribuível ao desempenho de qualquer maioria esmagadora.
São todos excelentes. E faz sentido, tendo em conta os brilhantes resultados das crianças. É tudo excelente, neste país perfeito.
Certíssimo. Tudo segue – como diria o Obelix – ‘ferpeitamente’…
Será que a avaliação não é um “ganhar” tempo para baixarem o salário dos professores?
Baixar salários é que não pode ser. Então os bons, muito bons e excelentes não são para aí uns 90 por cento ou mais?
Com este céu ilimitado
de normal anormalidade
este regime enquistado
padece de futilidade.
A ideia normalizada
abstraindo o normal
é assaz arrevesada
e, sem dúvida, minimal.
Gostei de “futilidade” e de “minimal”, meu caro.
Pois com ‘toda esta normalidade estatistica’ os Professores ainda passam a ideia de que estão em acordo com o Srs dos Sindicatos (vários) que têm sido um exempl acabado de S. Excelência a Demagogia!!! foi por esta prática acumulada ao longo de anos que os Sindicatos morreram-se!
Não sei se concordo plenamente, mas sei que tem razão: estas avaliações são cartilhas de demagogia.
“Um país normal”, João? Não estarás a pedir muito? Lá porque és generoso…
Abraço,
Se calhar, estou a ser exigente…
Abraços, Sérgio.
Por alguma coisa os professores se manifestaram, porque este modelo de avaliação não presta e apesar de tudo o que foi dito por Maria de Lurdes Rodrigues e secundado por Sócrates não distingue os melhores. Como a gestão deixou de ser democrática, o Director pode fazer o que lhe apetecer, premiar os amiguinhos, por exemplo, sem que ninguém lhe peça contas. Há escolas onde os professores não conheciam os critérios segundo os quais foram avaliados.
Não há qualquer novidade. O que me irrita é que mais uma vez sejamos culpados, esses eles de que tanto aqui se fala são culpados de reivindicarem o que é injusto, agora são culpados por terem tido bom ou muito bom, ou seja o que for. Fantástico.
Estava ansioso que viesses com o teu ponto de vista, Leonor. E acho que tens toda a razão: o polémico critério posto em prática culminou com o previsível rato a esconder a montanha que o pariu; os professores não têm nada que ser responsabilizados por isso, seja qual for a classificação que receberam. Nem eu quis, como é óbvio, estabelecer tal confusão e dar os docentes como culpados.
Em suma: na parte que me toca, não me falta vontade de “ir a eles”, mas a “eles” os responsáveis pelo exercício político que desgraça este país sector a sector.
Sim, João, nem eu entendi que tivesses intenção de outra coisa que não denunciar a situação. Admito que começo a ficar saturada do clima das Escolas e da agressividade permanente contra os professores. Os professores só podem ser parcialmente responsabilizados porque foram eles que avaliaram, mas é uma ínfima parte, apenas o Director e uma comissão o podem fazer. São uma percentagem mínima.
Foi o que calculei, Leonor.