O fundador e ex-presidente do BPP, constituído arguido pelo Ministério Público e João Rendeiro de seu nome, manifesta indiferença pelas acusações de que é alvo e diz que não admite ser o “bode expiatório” da situação e falta de soluções para o banco.
Não se pode dizer o mesmo dos depositantes do BPP e dos contribuintes portugueses: não lhes são indiferentes as acusações a João Rendeiro e admitem sem a mais pequena dúvida que ele teve um papel na situação e na falta de soluções a que chegou o banco, o que faz com que lhe assente como uma luva a pele de um qualquer ser vivo, desde que seja expiatório.
Aguarda-se que Rendeiro venha a publicar um segundo livro de receitas, desta vez centrado no modo de erguer um banco, afundá-lo, encolher os ombros com desdém, não ser “bode expiatório”, ter soluções para o caso e reservá-las como direitos de autor.

A este e outros, um pano encharcado nas trombas ainda era pouco…ou então uma fricção no traseiro com crina ou estôpa e depois uma massagem com aguaraz…
Se calhar.
O comportamento de diletante, displicente até, deste sujeito é confrangedor. É claro que ele sabe bem o chão que pisa e conhece bem a república das bananas em que vive, que dá cobertura a todas as tropelias e falcatruas, suas e de seus congéneres. Se vivesse nos EUA, por exemplo, estou certo de que não estaria tão tranquilo, só de pensar que poderia rapidamente ir dentro por uns aninhos bem largos. Aqui é exactamente o contrário: ele tem a certeza absoluta que vai andar durante uns aninhos bem largos sem que ninguém o incomode e, se algum dia vier a ser julgado, também já sabe de antemão o que é que lhe vai acontecer: nada, comme d’habitude.
Razão mais do que suficiente para haver quem esteja a pensar deixar de ir para a porta do banco e preferir dar uma volta até casa dele…
Em condomínio fechado, claro.
Têm uma lata descomunal, uma falta de pudor sem medida e nehuma vergonha na cara…
🙂
Nenhuma, mesmo. Na cara só têm é espaço para apanhar um valente par sopapos.
A propósito do livro do Rendeiro. A tv tem mostrado uma pequena cena da saída do Rendeiro da sala da apresentação do 1º livro. Ao lado do actual Ministro das Obras Públicas. O tal circulo.
Sim, o círculo dos quadrados…
Claro que a medida de coacção fixada – TIR – pode justificar estes desmandos, porque lhe dá a ilusão de que se terão passado apenas umas coisitas lá no BPP. Umas medidas adequadas – prisão preventiva e arresto de bens – talvez o levassem a perceber a gravidade das alhadas em que envolveu o banco e, sobretudo, os seus clientes.
Muito embora não pareça necessário meter explicador para perceber isso, não é? Mais uma razão para outro par de sopapos, que ele ia passar a perceber com toda a facilidade.
João Rendeiro deve pensar que é um político que geriu mal o dinheiro dos contribuintes.
João Rendeiro deve pensar que tem a mesma imunidade/impunidade de um político.
E ainda ninguém lhe provou o contrário.
O homem deve pensar que o seu futuro é uma estrada recta e tranquila.
E faltam argumentos para dizer ao homem que não é bem assim.