Liverpool & Beatlemania (9)


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Chegar a Liverpool e fazer o check-in no Hard Days Night Hotel (v. Liverpool & Beatlemania – 8) junto do busto de John Lennon na recepção, num edifício histórico recuperado que hoje ostenta na fachada estátuas dos Fab Four, gera seguramente emoções. Se essa for a intenção da visita, então vale a pena materializá-la.

 

 

Nesse caso, o passo seguinte é uma inscrição no Magical Mystery Tour, para percorrer de autocarro, um a um, todos os lugares antes percorridos pelos Beatles na velha Liverpool.

Ver as casas onde viveram, passar na Penny Lane e no Strawberry Field (o antigo orfanato do Exército de Salvação), ir aos lugares onde se encontraram e ao Cavern Pub onde actuaram, conhecer o núcleo museológico sobre o grupo e a lápide que conserva o nome da misteriosa Eleanor Rigby – tudo isso e ainda mais é deixar que as emoções tomem forma, que os sentidos materializem os sentimentos, que o tempo seja revisitado.

Muitos desses locais estão hoje classificados como património de interesse público, pelo que o tour tem a garantia das autoridades com o pelouro da cultura da cidade. ‘Bora lá.

Passado presente (CCXVIII)


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Coupé (1949*)

Cabriolet (1951*)

 

Alfa Romeo 6C 2500 SS (Itália, pós-Guerra)

 

* — Veja-se como a mesma carroçaria (independentemente de uma ser fechada e a outra aberta), em apenas dois anos, foi modernizada em vários detalhes sem perder a sua extraordinária pureza de linhas. A evolução mais importante é no parabrisas, que deixou de ser dividido em dois planos para passar a ser um único vidro curvilíneo.

‘Artitectura’: os mal-amados (especial)


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Casa-avião (Brasil?)

A casa-avião é suposto estar algures no Brasil. Pelo menos, a informação disponível dá-a como propriedade de um piloto brasileiro reformado, que a concebeu para uso próprio.

 

O interior, forrado a madeira, torna a habitação mais confortável e a ampla varanda sobre o que resta de uma asa permite desfrutar uma luxuriante paisagem litoral dos trópicos.

No entanto, a escadaria que conduz à entrada não há-de ser agradável para qualquer um e é provável que os ataques da diversificada bicharada tropical contribua para que as visitas achem a estadia inesquecível pelas piores razões. Igualmente provável é que seja muito sensível a ventos e tempestades – e não é por o trem de aterragem estar em baixo que irá pousar em terra com segurança…

 

O certo é que a casa-avião não passa de uma ideia infantil que apenas um piloto excêntrico levaria a cabo. Excêntrico e solitário, porque o aproveitamente da exígua largura da fuselagem obriga a passar de um quarto para o outro, com óbvios inconvenientes para a privacidade dos hóspedes.

Sejamos justos: a insólita moradia só não perturba o meio envolvente, visto que qualquer avião poderia ter acabado ali a vida dele. Se este não caiu ali, caiu ali um antigo piloto com uma fixação incomum.

Conclusão: pode ser uma graça, mas nunca será funcional e aceitável. Fica também por provar que, por não chocar com o ambiente florestal, não choque quem pensar que os restos mortais da pequena aeronave estão no local de uma possível tragédia. E chocar os mais impressionáveis é quanto basta para a graça ser de gosto duvidoso.

É preciso cabeça


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A imagem mostra uma realidade que deixa tontos muitos norte-americanos: certas autoestradas em perímetros urbanos e suburbanos são caóticas e põem-lhes os nervos em fanicos.

Não querem aprender, os norte-americanos. Venham cá e ponham os olhos no que temos. Quem é que se importa com isso, em Lisboa e no Porto? A gente, quando quer arejar a cuca, vai dar uma volta em qualquer das outras autoestradas que estão às moscas. É um descanso para o sistema nervoso.

Ficamos tontos na mesma, é claro, mas por outro motivo: é preciso ter muita cabecinha para construir autoestradas só para arejarmos a cuca.

‘Artitectura’: os mal-amados (12)


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Biblioteca Nacional da Bielorrússia,

Minsk (Bielorrússia)

A Biblioteca Nacional da Bielorrússia, fundada a 15 de Setembro de 1922, foi transferida para um novo edifício que levou cerca de dois anos a ser construído, inaugurado a 16 de Junho de 2006. A encomenda governamental manifestava o desejo de que fosse uma construção para deixar qualquer um embasbacado e que servisse de polo de atracção para turistas. O projecto ficou a cargo dos arquitectos Michael Vinogradov e Viktor Kramarenko.

O que nasceu foi um edifício carregado de painéis envidraçados, com 72 metros de altura e 23 pisos, que é um verdadeiro rombicuboctaedro, um sólido formado por oito triângulos e 16 quadrados, com uma iluminação do tipo led, de colorido variável, para ser visto a cintilar de noite. É, afinal, uma construção estranhíssima que assenta numa equação incongruente, com círculos viciosos, triângulos forçados e rampas em forma de asas.

O "Diamante", como muitos lhe chamam, não impede que se mantenha a tradição de ser o principal lugar de cultura e informação que a Biblioteca Nacional sempre foi (em particular, após a recolha de todo o material impresso, na sequência da II Guerra Mundial), o que faz dela a terceira maior colecção do espaço russo, logo atrás da Biblioteca Estatal Russa, em Moscovo, e da Biblioteca Nacional Russa, em S. Petersburgo.

Possui cerca de 8,3 milhões de títulos em diferentes suportes, que incluem um desenvolvido sistema tecnológico e abrangem os mais diversos temas, e é amplamente frequentada por boa parte da população (menos de dez milhões de habitantes): 90 mil bielorrussos são utilizadores regulares e consultam uma média anual de 3,5 milhões de documentos; recebe mais de 2200 pessoas diariamente e emite perto de doze mil documentos também por dia.

Para ser mais convidativo, o edifício fica junto do rio e está rodeado por um parque público, onde foi colocada a estátua de Francysk Skaryna, um erudito da primeira metade do século XVI que traduziu para bielorrusso a Bíblia, que assim se tornou a primeira obra impressa em alfabeto cirílico.

Um elevador panorâmico e um terraço no topo oferecem uma estupenda vista sobre o rio e sobre Minsk. Mas tudo isto e as boas condições interiores não disfarçaram a polémica que estalou na inauguração do incongruente "Diamante" feito biblioteca pública.

Descaída


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Para proclamados especialistas e outros menos especialistas, Sandra Bullock foi a mais mal vestida da noite dos Globos de Ouro.

Como sempre, porém, nem todos estão absolutamente de acordo, por muito que a maioria concordasse de nariz torcido.

Por mim, apenas concordo que já não há pachorra para vestuário feminino desta cor.

Quanto ao modelo,  atendendo à silhueta, apenas acho o vestido muito (mesmo muito)  descaído. Mas não em cima; descaído na parte de baixo, isso sim.

Um dia de exageros


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O primeiro-ministro foi inaugurar uma escola à Póvoa de Varzim e outra a Vila Nova de Gaia. Um exagero, a sugerir que não tem grande coisa que fazer. Atirou-se a quem critica os investimentos públicos e frisou que investir em escolas é contribuir para a educação. Outro exagero, porque escolas não são autoestradas às moscas. Disse que a actual requalificação de cem escolas representa uma oferta de dez mil empregos. Deve ser um exagero, essa média de cem empregos por escola em obras. Acrescentou que as obras em curso nas tais cem escolas envolvem 2700 empresas. Parece mais um exagero, essa média de 27 empresas a trabalhar na requalificação de cada escola.

Sigo sempre com muito interesse tudo o que o primeiro-ministro afirma. Exagero meu.

Os números da OMS


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A seguir às primeiras notícias que apontavam para a possibilidade de haver mais de meio milhão de vítimas mortais e depois de se dar como provável que seriam para cima de cem mil, ficamos agora a saber que a Organização Mundial de Saúde dá como certo que o sismo no Haiti causou entre 40 e 50 mil mortos.

É uma tragédia que nos atinge. E é pena podermos presumir que, se fosse uma epidemia, a OMS aceitaria os números das primeiras estimativas sem qualquer modéstia.

Liverpool & Beatlemania (8)


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O Hard Days Night Hotel (4 estrelas de cinco pisos) abriu em 1 de Fevereiro de 2008 e o seu interior é inspirado nos Beatles.

Pertence à cadeia hoteleira Classic British Hotels e a ideia do Hard Days Night nasceu nos anos 80, tendo ficado a aguardar a possibilidade de dispor de espaço entre os edifícios históricos do centro de Liverpool. no coração de Cavern Quarter. Com a remodelação e adaptação nessa zona histórica da cidade (na North John Street), o hotel ficou a funcionar a dois passos do famoso Cavern Club original, o pub onde se lançaram muitos músicos que fizeram carreira e onde, nos anos 50, actuou John Lennon, com os Quarry Men.

  

Do ambiente geral e além de uma boutique dedicada a memorabilia do quarteto, merece destaque especial o décor do lounge bar, do Bar Four e das duas suîtes, com os nomes de Lennon e de McCartney.

"All the lonely people": escultura alusiva a Eleanor Rigby

dedicada à população de Liverpool (na zona histórica)

Qual é o verdadeiro?


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Sempre vi António Costa como um político de discurso pensado, capaz de evitar afrontas desnecessárias e de suscitar envolvimentos abrangentes. Na semana que termina, porém, protagonizou dois casos que revelam uma faceta que lhe desconhecia.

 

1. O primeiro, referido aqui e aqui, mais do que espantoso, é inacreditável e há-de ter próximos capítulos, sejam eles quais forem. Trata-se da prova de aeronáutica Red Bull transferida num passe de mágica do Porto/Gaia para Lisboa/Oeiras, que António Costa disse ter-lhe caído no colo sem que tivesse ido surripiá-la. Rui Rio ignorou o argumento e ficou furioso e muito boa gente ficou desconfiada na expectativa dos custos. Contudo, o presidente da câmara de Lisboa garantiu publicamente que a capital não pagaria mais do que o Porto pagara antes (metade de 800 mil euros, já que a outra metade fôra paga por Gaia). Para tentar que fosse como tinha dito, envolveu a Associação de Turismo de Lisboa e seduziu (espante-se) Isaltino Morais, o qual aceitou e comprometeu-se a construir uma pista para os aviões e respectivos hangares.

O problema surgido esta semana, segundo foi noticiado, é que a Red Bull cobra 3,5 milhões de euros e designa a justiça austríaca para dirimir qualquer litígio, ao que o presidente da câmara de Lisboa reagiu com desagrado por o contrato estar escrito em inglês e não ter sido bem analisado, ao ponto de pôr em causa a realização do evento. Na sequência das mesmíssimas notícias, Santana Lopes saltou a terreiro para apontar o dedo aos responsáveis autárquicos e exigir consequências políticas.

Agora, António Costa desmente Santana Lopes e diz que está tudo conforme previsto. Em que é que ficamos?

 

2. O segundo caso é sobre o alargamento dos Casamentos de Santo António a gays. Isto é: ao costume de pendor religioso que se realiza sob os auspícios do "santo casamenteiro" de Lisboa já não bastava inventar, sem qualquer necessidade, uma quota de casamentos civis e de casamentos de outros credos, como agora passaria a integrar casamentos de pessoas do mesmo sexo. Parece que António Costa entendeu que, para a câmara de Lisboa mostrar que respeita diferentes sensibilidades e não discrimina seja quem for, é melhor estragar, gratuita e escusadamente, as especificidades da cultura popular associadas a uma longa tradição.

Algumas vozes da Igreja fizeram notar (e bem) que a novidade não faria qualquer sentido e que incomodaria, sem a mais pequena necessidade de tal provocação, aqueles que se manifestam devotos do santo lisboeta.

Agora, António Costa declara que não houve qualquer intenção de alterar o figurino tradicional (nem de alterar o envolvimento habitual da Igreja no evento) e faz saber que se tratou de uma informação errada prestada pelos serviços municipais. Não é um erro espantoso?

 

Digam-me lá: era esta a ideia que faziam ou também ficam surpreendidos com tanto diz-que-disse, tira-e-põe, não-fui-eu-foi-aquele-menino? Eu desconhecia este António Costa, confesso, e fico sem saber qual dos dois é o autêntico.

O ‘feeling’ do ministro


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O ministro Pedro Silva Pereira não teve a mais pequena dúvida: veio a público desdizer João Salgueiro, que teve o atrevimento (imagine-se) de comparar Portugal com a Grécia numa sucinta explicação sobre a realidade perigosa que a nossa economia atingiu e o agravamento que se prevê.

Segundo Silva Pereira, a situação de Portugal nada tem de comparável com a da Grécia. Porquê? Não disse. Deve ser um feeling do ministro. Mas concordo que não há comparação possível. Desde logo na língua, por exemplo. Se João Salgueiro dissesse que a circulação automóvel também se faz pela direita, ainda vá lá. Mas assim não.

Veja-se como até os analistas internacionais já nem comparam Portugal com a Grécia. Bem pelo contrário: agora comparam a Grécia com Portugal.

Por mim, aposto no feeling do ministro. Só ainda me falta entender por que é que nós, portugueses, andamos "gregos" com esta vida.

Tudo mal


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Esta é uma história muito mal contada e que vai de mal a pior. António Costa já põe em causa o evento. O mesmo António Costa que garantiu que não pagaria mais do que Rui Rio pagava antes (400 mil euros). A mesma história que agora já vai em 3,5 milhões de euros…

Desgraça e ajuda


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O Haiti, na sua desgraça, começa a receber as imprescindíveis ajudas internacionais em meios humanos, logísticos, medicamentosos, alimentares e financeiros. As notícias dão conta deles, que já são vários e estão a aumentar a cada momento.

Não se sabe bem porquê, mas parece que ainda não é em Port-au-Prince que entra em funções aquele excelente hospital de campanha que Portugal adquiriu há uns anos. No entanto, o nosso governo já anunciou que está disponível para prestar apoio, sem entrar em detalhes.

É admissível que o esforço do nosso país não possa ir além das limitações actuais para essa intervenção internacional. A Cruz Vermelha Portuguesa, por exemplo, iniciou uma campanha nacional e libertou 25 mil euros, importância modesta que corresponde, seguramente, ao que é possível.

Em matéria de verbas, fixei esse número porque é o primeiro dado que vejo por cá e porque é exemplo da escala em que Portugal actua. E também porque não consigo deixar de pensar, face a essa escala, que é muito menos do que Vara recebe por mês.