«Entre 2007 e 2009 os números de processos quase aumentou, de 413 para 745.»
(Maria Lopes, «Violação de dados pessoais deu 745 processos durante 2009», in Público Última Hora)
«Entre 2007 e 2009 os números de processos quase aumentou, de 413 para 745.»
(Maria Lopes, «Violação de dados pessoais deu 745 processos durante 2009», in Público Última Hora)
Este post do Paulo Gorjão pouco abaixo está sem entrada de comentários. Estranho. O boicote é do PS ou é do próprio PSD? Ou dos monárquicos?
Junto à margem do Rio Mersey, Liverpool tem hoje as suas "docas", uma vasta área dedicada à cultura, lazer, restaurantes e bares, comércio, etc.: é a Albert Dock, reconversão de um antigo conjunto de edifícios associados às lides portuárias, actividade na qual a velha urbe foi um marco histórico que a Grã-Bretanha tem bem presente.
Por essas bandas, ao fundo de um relvado amplo que dá pelo nome de Chevasse Park, lá está o monumento mais inesperado de Liverpool: o Yellow Submarine.
Executado em metal, o obelisco pesa 20 toneladas e foi uma das estrelas do International Garden Festival, a partir de 1984, no Otterspool Park, o qual se estendeu até 1997. Ficou depois abandonado e começou a mostrar sinais de corrosão galopante.
Um dia, as autoridades da cidade decidiram aproveitá-lo, dar-lhe a mão, restaurá-lo e levá-lo para um lugar novo. É onde está, desde 24 de Agosto de 2000 – em cima da relva, à boa maneira hippie. De um lado, uma avantajada placa colorida condizente lembra a canção dos Beatles e conta esta curta história do monumento inspirado na célebre longa-metragem musical em desenhos animados.
"In the town
where I was born…"
… so began the imortal opening lines in the Beatles 1966 song
"Yellow Submarine".
The hit record and film inspired fans of all ages – including
apprentices at the world famous Cammell Laird
Shipbuilding yard, on the River Mersey.
From a design by Graham Burgess, the apprentices
built this 20-ton submarine, which is 51 feet long and
made from plate metal, for the Liverpool International
Garden Festival in 1984.
It was transported across the Mersey to the Festival
Garden site at Otterspool where it was one of the main
attractions for millions of visitors.
But, in 1997, the Festival site finally closed and the
Yellow Submarine was left high and dry.
The tide turned when Liverpool City Council stepped in
to rescue the Fab Four’s rusting sub and give it a new berth
in the city centre. The Yellow Submarine was first taken to a
council depot where it was repaired and renovated by New
Deal trainees from Liverpool Architecture and Design Trust.
Fully ship-shape, it was re-launched at this site on
August 24th, 2000 for a new generation of Beatles fans.
Estamos assim: nós, portugueses, somos considerados os europeus mais pessimistas. A nossa expectativa em relação ao futuro está praticamente no zero, talvez mesmo abaixo dos búlgaros, húngaros e romenos. Vá lá, que ainda somos considerados europeus, apesar de Portugal estar a tornar-se um território europeu marginérico (misto de marginal e periférico).
É certo que Vítor Constâncio diz que a proposta orçamental do governo «tem várias medidas inteligentes», mas nós sabemos que a maior parte das vezes o governo não mostra inteligência nem para tirar as medidas. E reparem que ele também sabe. Basta vê-lo (como o fotógrafo Daniel Rocha/Público o viu).
Hildebrand & Wolfmüller* (Alemanha, 1895/97)
* — Com patente datada de 1894, foi o primeiro motociclo produzido em série, embora apenas se tenham fabricado poucas centenas, face ao seu elevado custo e a alguns problemas técnicos, como a ausência de embraiagem. Com motor de 1489cc a quatro tempos arrefecido a água, atingia 45km/h.
«O governo apresentará "em breve" a Bruxelas um Plano de Estabilidade e Crescimento que "dará a indicação clara" de que vai seguir políticas que garantem a redução do défice.» Por outras palavras: uma indicação clara para escamotear uma situação negra?
Ora, Bruxelas já deve saber algumas histórias sobre o cumprimento de promessas do governo que temos. Por isso, talvez fosse melhor menos indicações e mais indicadores. Em suma: menos palavras e mais trabalho.
A Ana Vidal anotou aqui muito bem as palavras do presidente do BES sobre as maravilhas da banca portuguesa. Aproveito agora para registar que Ricardo Salgado também acha que a tributação sobre os bónus e demais mordomias traduzíveis em dinheiro-do-bom podem levar «gente muito valiosa» a sair de Portugal.
Assaltam-me algumas dúvidas. A coisa não poderá resolver-se aumentando os bónus e alargando as mordomias? Enquanto essa tributação não se concretiza, os portugueses mais valiosos têm andado a sair de cá sempre que conseguem por que raio de razão? É por achar mal sair de Portugal que o BES recusa investir lá fora, trabalhar com off-shores e tudo isso?
Começo a achar que a Judite de Sousa transformou a Grande Entrevista num teste de resistência. Teixeira dos Santos diz que nunca agiu em função de calendários eleitorais, que os piores cenários são exagerados, que ninguém podia prever o desenrolar da crise, blá-blá-blá-blá… Estou a sentir uma soneira que nem imaginam.
Foi por este post aqui mais abaixo, do Sérgio de Almeida Correia, que fiquei a saber que o escultor João Cutileiro defende a mudança do busto da República. O País parece não estar muito interessado nisso e a verdade é que os portugueses têm muito mais com que se preocupar do que descobrir uma nova polémica totalmente inútil para o bem-estar nacional, cada vez mais afastado.
Na notícia que serviu de base ao post, Cutileiro diz que lhe faz «muita impressão que o nosso busto da República seja uma cópia do francês». Ora, é verdade que o busto oficial, de Simões de Almeida (sobrinho) e criado ainda antes da implantação da República (quem serviu de modelo morreu há não muitos anos), é inspirado no modelo francês da época, o que se justifica pela influência que os franceses tiveram na nossa mudança há cem anos, como um século antes também tiveram na implantação do nosso regime constitucional, quando o liberalismo pôs fim ao absolutismo.
Porém, vale a pena lembrar que os primeiros republicanos no poder deram ao busto nacional outro ar, com um objectivo bem específico. Percebendo que o poder judicial lhes era pouco favorável, mandaram executar algumas cópias que rapidamente fizeram chegar aos tribunais superiores ainda em 1911 (e que foram depois alargadas a outros), com uma característica muito especial: o rosto e postura da República intencionalmente parecidos com a deusa da Justiça, como que a fazer crer que a Justiça e a República se confundiam e estavam unidas por natureza. Esperavam eles, com isso, que o novo poder político passaria a contar com o apoio dos juízes, que se mantinham intransigentes quanto ao cumprimento das leis.
A ingenuidade da ideia teve pouco – se algum – sucesso. Também a maioria desses bustos em gesso aparentados com a alegoria da deusa Témis não resistiram ao tempo, mas alguns tribunais ainda conservam o seu exemplar, como acontece com o Supremo Tribunal de Justiça, e o facto histórico pode servir para que a representação da nossa República seja vista como um modelo próprio (protagonista deste episódio insólito) e não como obra importada.
Histórica é também a ingénua e gorada acção de charme daqueles republicanos junto dos magistrados judiciais, há um século. A iniciativa constitui um verdadeiro caso de marketing político, muito antes de o mundo saber o que o marketing viria a ser.
Gosto sempre de ouvir as explicações oficiais sobre os supostos méritos do projecto do Orçamento de Estado, minuciosamente descritas pelos seus insuspeitos autores. Destaco dois aspectos desde já, os quais não fogem à regra número um: utilizar muito tempo de antena com amplo recurso à linguagem acrobática que for possível.
► O primeiro é a pretendida descida de «um ponto percentual» do défice, de 9,3 por cento para 8,3 por cento. Na minha condição de leigo, jamais conseguirei abarcar a diferença subtil entre "um ponto percentual" e "um por cento", minudência que encontro nos financeiros.
► O segundo aspecto é sobre a diminuição gradual do número de funcionários públicos, através da admissão de um único funcionário por cada dois que saem (método já conhecido como "dois-por-um"). Dizem os gurus institucionais que vai ser «reforçada a medida do ‘dois-por-um’». Reforçada? Não entendi. Não vejo como se reforça uma medida que já vigora faz tempo e não é alterada. Por cada dois gordos que saem só entra um magrinho, é isso?
«(…) a adesão à greve deverá rondar os cem por cento.»
(Repórter Maria Miguel Cabo na Edição da Manhã, SIC-Notícias)
O ministro das Finanças levou a proposta do Orçamento de Estado ao Parlamento. Portugal precisa de baixar o défice para três por cento até 2013. Teixeira dos Santos garante que vai já este ano baixar (repito: baixar) um por cento em relação ao ano passado, para que o défice de 2010 desça (repito: desça) aos 8,3 por cento.
Já liguei ao James Cameron a pedir uns óculos do Avatar, para saber se estou a ver bem a coisa. Só tenho medo que a 3D seja pior do que me parece.
No Público Última Hora leio que a «mortalidade precoce diminui em todas as idades até aos 65 anos». Será que, dos 66 anos em diante, a mortalidade precoce parou ou está a aumentar?
Para o governador da Califórnia, o problema da sobrelotação das cadeias tem solução. A ideia de Arnold Schwarzenegger é enviar os milhares de imigrantes indocumentados para o México, pô-los lá a construir prisões e pagá-las às autoridades mexicanas, que também têm sérios problemas com a escassez de penitenciárias para tanto crime.
Se calhar, podíamos negociar uma coisa assim com os espanhóis. Não é certo que a ideia tenha pernas para andar, mas é bem capaz de dar um guião para um filme de acção.
«(…) Que prazer é comer!»

O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa encara a gripe A como um dos maiores escândalos médicos do século e aponta o dedo à OMS. Nada que não tivéssemos adivinhado há muito (aqui, aqui e não só). É natural que certos comentadores, na altura, se tenham mostrado muito indignados: até a inteligência de Bruxelas demorou a perceber.
→ Ainda há pouco tempo se viam aqui pelas redondezas os restos de um cartaz da campanha autárquica com a inspiradíssima frase-chave do candidato: Conta Comigo.
→ Chega-me uma mensagem da TMN para contratar um produto qualquer que me desafia assim: Adere já.
→ Vou à caixa de correio e encontro um envelope onde se destaca uma palavra em letra bem forte: Ganhaste!
— Folheio o jornal e esbarro com um quadrado em que leio o seguinte: Queres mudar de vida?
→ Olho para a televisão e vejo um anúncio que começa deste modo: Tens problemas?
→ Volto ao jornal e vejo isto num canto emoldurado: O teu futuro pode estar aqui.
→ Miro de novo a televisão e dou com a publicidade da Vodafone a perguntar: O que é que precisas?
Não, não é a minha popularidade e não, quem adquire produtos e serviços não é só a canalha. Então, quando é que lhes dei confiança? Afinal, quando é que todos nós começámos a ser assim?
Se acham que não vale a pena voltar aos bons costumes, ainda acabo por alinhar da próxima vez que a menina do call center da Meo voltar a ligar-me: Ó filha, não me trates mais por Senhor João. Trata-me por tu, carago.