A Ana Vidal anotou aqui muito bem as palavras do presidente do BES sobre as maravilhas da banca portuguesa. Aproveito agora para registar que Ricardo Salgado também acha que a tributação sobre os bónus e demais mordomias traduzíveis em dinheiro-do-bom podem levar «gente muito valiosa» a sair de Portugal.
Assaltam-me algumas dúvidas. A coisa não poderá resolver-se aumentando os bónus e alargando as mordomias? Enquanto essa tributação não se concretiza, os portugueses mais valiosos têm andado a sair de cá sempre que conseguem por que raio de razão? É por achar mal sair de Portugal que o BES recusa investir lá fora, trabalhar com off-shores e tudo isso?

Já não há paciência para esta chantagem do género: “Agarrem-me senão piro-me daqui.” Pirem-se, vá lá.
A menos que os agarrem pelo pescoço. Com força.
Há décadas que eu temo.
Que os pilotos da TAP, por ex, fujam para o estrangeiro.
À semelhança de Barroso, que deve ter concluído ser muito mal pago cá.
JB
Há os que temem e há os que tremem. Hehe…
Oh, sim, gente muito valerosa e valiosa que os nossos poetas nunca deixaram de enaltecer ao longo dos tempos.
Camões, por exemplo:
…«Que vosso preço e obras são de jeito
Para vos ter o mundo em muita estima;
E quem vos fez molesto tratamento,
Não pode ter subido pensamento.»
Lusíadas, II – 86
ou ainda, António Aleixo:
«Há pessoas muito altas
de nome ilustrado e sério,
porque o oiro tapas as faltas
da moral e do critério»
In ‘Este Livro que vos deixo’
Enfim, se esta gente “tão valiosa” sair daqui, nem sabemos o que há-de ser de nós… Fazem cá tanta falta… como a viola no enterro. Alías, é o que eles mais têm feito: – tocar viola e tratar de nos enterrar de toda a maneira.
Versos que podem ser musicados e cantados muito a propósito. Acompanhados precisamente por uma viola de enterro.