‘Artitectura’: os mal-amados (especial)


jmmcc,

Casa-avião (Brasil?)

A casa-avião é suposto estar algures no Brasil. Pelo menos, a informação disponível dá-a como propriedade de um piloto brasileiro reformado, que a concebeu para uso próprio.

 

O interior, forrado a madeira, torna a habitação mais confortável e a ampla varanda sobre o que resta de uma asa permite desfrutar uma luxuriante paisagem litoral dos trópicos.

No entanto, a escadaria que conduz à entrada não há-de ser agradável para qualquer um e é provável que os ataques da diversificada bicharada tropical contribua para que as visitas achem a estadia inesquecível pelas piores razões. Igualmente provável é que seja muito sensível a ventos e tempestades – e não é por o trem de aterragem estar em baixo que irá pousar em terra com segurança…

 

O certo é que a casa-avião não passa de uma ideia infantil que apenas um piloto excêntrico levaria a cabo. Excêntrico e solitário, porque o aproveitamente da exígua largura da fuselagem obriga a passar de um quarto para o outro, com óbvios inconvenientes para a privacidade dos hóspedes.

Sejamos justos: a insólita moradia só não perturba o meio envolvente, visto que qualquer avião poderia ter acabado ali a vida dele. Se este não caiu ali, caiu ali um antigo piloto com uma fixação incomum.

Conclusão: pode ser uma graça, mas nunca será funcional e aceitável. Fica também por provar que, por não chocar com o ambiente florestal, não choque quem pensar que os restos mortais da pequena aeronave estão no local de uma possível tragédia. E chocar os mais impressionáveis é quanto basta para a graça ser de gosto duvidoso.

11 comentários em “‘Artitectura’: os mal-amados (especial)”

  1. As coisas que tu descobres! Eu até acho piada ao avião, embora não o quisesse para minha casa. Mas o local onde ele “aterrou” é outra história… não me importava nada!

  2. Aqui há uns anos, havia um avião perto da Portela que servia de casa de alterne. Acho que ardeu, talvez por excesso de uso. Era uma variante da mesma lógica que levou este “Robinson suíço” a voar baixinho na mata brasileira.

    1. O avião de que fala era um Convair 880, relíquia da década de 50. Fui encarregado do seu parqueamento no aeroporto,quando aterrou, saíram de lá três “yankees” dignos de um filme do John Ford. Dois dias depois, a Força Aérea não autorizou o seu parqueamento na zona militar, onde aparentemente devia carregar “sabonetes Lux” …

      A tripulação esfumou-se e a companhia, com sede numa caixa postal de Miami (!!!) abandonou o avião aqui na Portela.Lá esteve um bom par de anos até ser comprado,removido e transformado em bar de alterne.

      Já não existe e o que relatei antes deve ter uns bons 26 ou 27 anos.

      Bons tempos, a Portela era uma festa !!

  3. Quando eu era pequena, penso que quase todos os miúdos, desde os filmes do Tarzan , sonhava com uma casa na árvore … Esse senhor foi mais ambicioso – foi casa avião árvore e tudo situado num sítio magnífico eu ficava com o sítio e com o alpendre ;))

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *