Sempre vi António Costa como um político de discurso pensado, capaz de evitar afrontas desnecessárias e de suscitar envolvimentos abrangentes. Na semana que termina, porém, protagonizou dois casos que revelam uma faceta que lhe desconhecia.
1. O primeiro, referido aqui e aqui, mais do que espantoso, é inacreditável e há-de ter próximos capítulos, sejam eles quais forem. Trata-se da prova de aeronáutica Red Bull transferida num passe de mágica do Porto/Gaia para Lisboa/Oeiras, que António Costa disse ter-lhe caído no colo sem que tivesse ido surripiá-la. Rui Rio ignorou o argumento e ficou furioso e muito boa gente ficou desconfiada na expectativa dos custos. Contudo, o presidente da câmara de Lisboa garantiu publicamente que a capital não pagaria mais do que o Porto pagara antes (metade de 800 mil euros, já que a outra metade fôra paga por Gaia). Para tentar que fosse como tinha dito, envolveu a Associação de Turismo de Lisboa e seduziu (espante-se) Isaltino Morais, o qual aceitou e comprometeu-se a construir uma pista para os aviões e respectivos hangares.
O problema surgido esta semana, segundo foi noticiado, é que a Red Bull cobra 3,5 milhões de euros e designa a justiça austríaca para dirimir qualquer litígio, ao que o presidente da câmara de Lisboa reagiu com desagrado por o contrato estar escrito em inglês e não ter sido bem analisado, ao ponto de pôr em causa a realização do evento. Na sequência das mesmíssimas notícias, Santana Lopes saltou a terreiro para apontar o dedo aos responsáveis autárquicos e exigir consequências políticas.
Agora, António Costa desmente Santana Lopes e diz que está tudo conforme previsto. Em que é que ficamos?
2. O segundo caso é sobre o alargamento dos Casamentos de Santo António a gays. Isto é: ao costume de pendor religioso que se realiza sob os auspícios do "santo casamenteiro" de Lisboa já não bastava inventar, sem qualquer necessidade, uma quota de casamentos civis e de casamentos de outros credos, como agora passaria a integrar casamentos de pessoas do mesmo sexo. Parece que António Costa entendeu que, para a câmara de Lisboa mostrar que respeita diferentes sensibilidades e não discrimina seja quem for, é melhor estragar, gratuita e escusadamente, as especificidades da cultura popular associadas a uma longa tradição.
Algumas vozes da Igreja fizeram notar (e bem) que a novidade não faria qualquer sentido e que incomodaria, sem a mais pequena necessidade de tal provocação, aqueles que se manifestam devotos do santo lisboeta.
Agora, António Costa declara que não houve qualquer intenção de alterar o figurino tradicional (nem de alterar o envolvimento habitual da Igreja no evento) e faz saber que se tratou de uma informação errada prestada pelos serviços municipais. Não é um erro espantoso?
Digam-me lá: era esta a ideia que faziam ou também ficam surpreendidos com tanto diz-que-disse, tira-e-põe, não-fui-eu-foi-aquele-menino? Eu desconhecia este António Costa, confesso, e fico sem saber qual dos dois é o autêntico.

O verdadeiro? É aquele que manda a “bujarda” a ver se pega.
Não pegando, é o paz de alma inocente que não sabe de nada.
Hum…
Embora esteja de acordo há um pormenor que gostava de frisar . O S. António de Lisboa popular e casamenteiro não é pertença da igreja católica mas de todos já que o da igreja é um Santo António de Pádua nada dado a folguedos e um estudioso serio aliás o primeiro doutor da igreja.
O que diz nada retira ao que escrevi, como parece que concorda, mas há um pormenor que gostava de frisar: o Santo António de Lisboa é o mesmo “abusivamente” chamado Santo António de Pádua (n. Lisboa, Set 1191 – f. Pádua, 13 Jun 1231). Ele é, portanto, santo e primeiro doutor da Igreja.
Porém, vá lá saber-se ao certo porquê (há-de haver lendas ligadas a isso), foi “adoptado” pelos jovens como “santo casamenteiro”.
eu sei que o santo é o mesmo mas às ‘crenças’ e lendas não se pede rigor … criam-se, imaginam-se. o santo antónio que mora cá em casa é uma criança brincalhona que parte os cântaros às moças, que pendura a capa num raio de sol, que salta fogueiras na nossa lisboa o outro mora na igreja e na história. quanto ao antónio costa estamos em sintonia.
O título do post também poderia ser:
QUEM FOI QUE ACENDEU A LUZ?
Já ninguém se lembra. O pior é que ninguém a apaga: fica para o último a sair.
Ah!Ah!Ah!
Stº Antonio casamenteiro. Ou “Casamengayro”
O autêntico é o Santo António.
Cumpts.
Aaaaaahhhh!!!…
Excelente resposta, caro Bic!
“fico sem saber qual dos dois é o autêntico”.
Ora, meu caro, o autêntico é aquele que se vê e ouve, às quintas-feiras, na Quadratura. Alguém a quem eu jamais compraria um carro, em primeira, segunda ou mesmo terceira mão…
Pois eu vejo a coisa ao contrário, meu caro: agora já não lhe compraria um carro, fosse em terceira, em segunda ou mesmo em primeira mão.
Quanto à ‘Circulatura’, é bem possível que tenha sido a perdição dele, porque foi aí que ele garantiu que a câmara não pagaria à organização Red Bull mais do que os tais 400 mil euros.
Tem toda a razão, meu caro.
Depois do que lhe tenho visto e ouvido na tal Circulatura, estou que nem mesmo em primeira mão… É que haveria sempre o risco de ele ter sabotado a correia da ventoínha.
Em tempo: por lapso, escrevi Circulatura em vez de Quadruptura.
Fica a correcção, com o meu pedido de desculpas.
Está desculpadíssimo. Na verdade, é Circularidade do Quadrado, uma ruptura geométrica quase imperfeita.
quem é aquele senhor que está ao lado do Dr. António Costa ? Isaltino Morais ?
António Costa completamente isaltinado.
Verdadeiro…antónimo de falso…Venha o diabo e escolha!
Antónimo de falso? Não conheço. Conheço o Antónimo Costa…
Afinal, sempre conhece o antónimo!!
Fiquei a conhecê-lo, como deve ter lido.