Esta semana, escolho um blogue para nos deixar mal-dispostos. Há pouco mais de dois anos que vivo em Lisboa; ao longo deste tempo, tive tempo para ver uma cidade suja, pouco amada e escassamente habitada. São os passeios escorregadios, repletos de pedras levantadas, detritos animais, lixo e automóveis. São as ruas com buracos a ameaçar os incautos automobilistas, ladeadas por casas grafitadas e frequentemente entaipadas, a denunciar o abandono dos moradores para paragens mais arejadas. São os parques aos quais são arrancadas as árvores, sem uma explicação que nos sirva. São os negócios estranhos de milhões, a revelar uma falta de respeito por eleitores e habitantes.
Escolhi o Lisboa S.O.S., mas imagino que haja gente com as mesmas indignações por todas essas cidades fora. O problema não é só da capital, é do país. Desculpem o azedume, mas com esta chuva nem há luz que safe as nossas cidades.

Realmente não é só Lisboa. Na Província onde há ruas sem passeios, até banhos tomamos.
Excelente escolha. Sou fã desse blogue.
Um excelente blog que acompanho regularmente.
Que a “voz” do S.O.S Lisboa se oiça e que se tomem medidas urgentes!!
Completamente de acordo, Ana Margarida.
Há actualmente uma negligência decadente em Lisboa.
A par de iniciativas de cosmética cultural e artística, há a mais completa ausência de cuidados mínimos de um espaço público:
– limpeza das ruas;
– a famigerada calçada portuguesa em ruas escorregadias;
– e falta de respeito pelos seus parques (veja-se o Príncipe Real que está irreconhecível…)
E não digo mais que já me sinto murchar… sim, como diz, “não há luz que safe uma cidade” neste estado e a luz de Lisboa é única, aquele céu…
Ana
Fico surpreendido pela notícia. Imaginaria que a autarquia de Lisboa tivesse muito dinheiro disponível, uma vez que assinou um contrato com a Red Bull (em inglês, língua que se presume que os seus responsáveis saibam falar), em que (1) assume pagar 75% de 3.5M Euros, com os demais 25% a ser pagos por Oeiras, (2) assume a organização total da prova incluindo a segurança, (3) assume o tribunal de Viena para arbitrar as divergências e (4) muito provavelmente terá de cortar um corredor aéreo para a Portela devido às provas.
No Porto somos menos ricos, porque de facto temos muita degradação urbana para resolver. Por isso, as autarquias do Porto e Gaia só pagaram 400 mil Euros cada, e a Red Bull organizou toda a corrida e pagou tudo o demais, incluindo a segurança.
Sugeria que ficassem com a Red Bull e desviassem os aviões comerciais para o Porto.
Abraço
O conceito de província, a que alguém alude aí acima, é ridículo e… provinciano. É como o do país real, para designar aqueles que vivem para cá da CREL. Lisboa, a sugadora dos recursos nacionais, será imaginária?
Ana Margarida,
Como é evidente, defenso que as cidades sejam cuidadas para que as pessoas se sintam bem nelas. É triste ver o estado de abandono de tantas zonas de Portugal, algumas urbanas – partes de Lisboa incluídas -, outras rurais – como o PNP Gerês -. Porém, na minha opinião, isso deve-se essencialmente às políticas erradas que sucessivos governos macionais e locais têm seguido. No caso de Lisboa parece-me ainda mais grave, dado o investimento público imenso que foi realizado na região de Lisboa e Vale do Tejo desde que entramos para a UE, tantas vezes em detrimento de outras regiões do País e penalizando um desenvolvimento equilibrado do País.
Porém, Portugal tem tido o que tem elegido. E isso talvez nos faça pensar que a responsabilidade, em primeiro lugar, é nossa como cidadãos. Considero que deveríamos ser mais exigentes – começando por nós próprios – e interventivos.
Desejo um excelente Ano Novo.
Obrigada. Votos também de um excelente ano.
Um blogue para nos deixar mal-dispostos, Margarida? Depois das notícias da semana só mesmo isso para nos safar (apagar) de vez.
podemos encarar por outra perspectiva: um blogue para nos desafiar. ter melhores cidades também é nossa responsabilidade.