Brilhante e estaladiço


jmmcc,

Tornou-se corrente e repetitivo ver na televisão o estafado recorte de uma velha ida do governo anterior ao Palácio de Belém para apresentar cumprimentos, quando a troca de votos natalícios ainda se confundia com uma troca de piropos.

De cada vez que revejo essas imagens e a respectiva frase recortada do discurso do primeiro-ministro, ocorrem-me sempre as conhecidas qualidades do verniz: brilhante e estaladiço. Disse José Sócrates naquele acto formal relembrado pública e exaustivamente na televisão: «Gostamos muito de trabalhar consigo».

"Gostamos muito de trabalhar com Vossa Excelência" – dir-se-ia no tempo em que o verniz e o exercício político eram menos compatíveis. Conclusão: quanto mais se estudam gestos e palavras para abrilhantar a figura, maiores são as estaladelas que deixam à mostra o que apenas foi envernizado.

18 comentários em “Brilhante e estaladiço”

  1. Quando o verniz estala, permite vislumbrar aquilo que ele verdadeiramente esconde. Umas vezes esconde escutas e assessores que rodopiam no organograma outras vezes revela, revela bolos-rei alarvemente mastigados ou citações literárias mal digeridas.

  2. Lá diz o provérbio: “Quod natura non dat, Salamantica non praestat”. Ainda por cima, a Salamanca do PM foi o que foi …
    Com estes edificantes exemplos, como posso eu levar a cabo a hercúlea tarefa de explicar aos meus alunos de 16 anos que não devem dizer “você” quando se dirigem à minha humilde pessoa?

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