Admito. A maioria das fotos que constam dos nossos álbuns de família são lugares comuns. Demasiados repuxos e canteiros de flores em fundo, expressões e poses batidas, uma falta de imaginação confrangedora. Somos demasiado quadrados, é o que é. Falta-nos criatividade e ousadia.
Felizmente há sempre alguém que nos confronta com o nosso próprio conservadorismo bacoco, há sempre alguém que, como clama o poeta, diz "não" ( ou "sim", ou "humm", ou "oh my god!") e nos faz pensar na vida.
Falo por mim. Fartei-me de pensar quando vi estas fotos. Na vida e na câmara. Não a fotográfica mas a pedagógica, que fica em Cascais.
Adenda: Descobri entretanto que a ideia que a Clara classificou de "inédita e extraordinária" já tem anos. Acontece-lhe muito.

Cada Clara tem os orgasmos que merece. Aquele a expelir o fumo do cigarro que tem nos dedos deve ter sido extraordinário até ao momento em que começaram a sair os pulmões. Os repuxos e canteiros de flores ficaram na câmara. Não a municipal, mas a ardente.
Um orgasmo é sempre um plágio. Hehe…
Acrescentei agora uma adenda ao post que reforça essa tua última afirmação 🙂
Boa. Quem é que não sabe que é coisa velha como o tempo? Em imagens também.
Enfim! Desde o caso do New Yorker que eu não dou para o peditório desta cientista. Tenho para mim que as regras do bem viver deixam a senhora na sala e a outra na cama. Quando a outra sai do quarto é o que se vê.
Tivessem estas fotografias sido expostas há mais tempo e eu teria tido um problema resolvido. Perguntava-me, há dias, um aluno qual a diferença entre pornografia e erotismo e eu lá deambulei entre eruditas concepções: com estas imagens seria fácil a explicação. A pornografia pode bem ser um despudorado mau gosto que nem carece de ser explícito.
Outra coisa me intriga: o fotógrafo dos êxtases foi o marido. Ora se o Código Civil diz que o marido se presume o pai dos filhos nascidos na constância do casamento, logo é-me lícito supor que o responsável pelos êxtases ocorridos na constância do casamento é o marido. Assim sendo, as vistas ora expostas foram tomadas em directo e ao vivo. Sempre supus que o homem dos sete instrumentos era um mito rural. Pelo vistos o homem de dois instrumentos existe mesmo.
E os filhos de CPC? Que sentirão ao ver a mãe nestes extáticos preparos?
Isto é tão original como aquele artigo da “NewYorker” que esta senhora há vários anos copiou e fez publicar na revista “Visão” onde era colaboradora semanal, episódio após o qual foi pura e simplesmente posta na rua. Tal como V. diz, Teresa, à Clara acontece-lhe muito e, à falta de ideias próprias, vamos lá a copiar qualquer coisa a outros e fazê-las passar por originais.
Adeus, Princesa.
Teresa, o Pedro já disse tudo – ” Adeus Princesa” – acrescento – para mim é uma despedida triste…A minha filha cresceu a ler os seus livros -o meu pai, paciente do pai dela, Prof. Dr. Pinto Correia, falava-nos do orgulho que o seu médico tinha pela filha…Eu também admirava a Clara..Fico triste, mais uma vez…
Teresa,
Não sei se aí se ouviram as palmas, mas já me doem as mãos.
Ouvi hoje a senhora na Comercial dizendo que haviam coisas pelas quais não tínhamos que pagar e que nos faziam imensamente felizes. É verdade. Mesmo a preto e branco e fumegantes… Enfim.
Se ela disse que «haviam» será melhor nem voltar a escrever.
Neste caso quem não devia voltar a escrever deveria ser eu. As minhas desculpas por tamanha incorrecção.
Oops!
Sou eu que peço desculpa pela minha incorrecção. Foi sem intenção.
Nááá, para mim aquilo são cólicas ou cócegas nos pés !!
Não me tenho por puritana, mas fiquei meia aparvalhada, e muito intrigada também com aquela performance orgasmico fumadora…
Estou consigo, Ariel. Sou tudo menos puritana e isto só me choca esteticamente, pelo mau gosto (mais do modelo do que da ideia, enfim). Mas também… what else is new, tratando-se da Clara Pinto Correia?
Antes de seguir o link da tua adenda (e sem saber que já tinha sido feito, afinal) ia dizer aqui que o interessante seria fotografar a expressão de muitas pessoas em pleno orgasmo e fazer com isso uma exposição. Muito diferente é ter como único modelo a CPC, o que me parece de um exibicionismo pateta e perde todo o interesse documental.
Sem esquecer que anda por aí muito boa gente que já tem cara de orgasmo. E agora, desde que a Manuela Moura Guedes se meteu num certo processo em investigação e o ‘kung-fu’ regressou à pátria e comprometeu o primo, já devem estar a aparecer mais caras de orgasmo.
O kung-fu e o primo não têm bem cara de orgasmo, desculpa lá. Têm mais cara de coitus interruptus…
Bem visto. Hehe…
Mas, como eu disse, os outros é que ficam com cara de orgasmo. Ininterrupto.