Eu não sou de intrigas, nem de efabulações, mas pode dar-se o caso de o cidadão ser muito rigoroso consigo mesmo em termos de expressão verbal e pretender ser absolutamente preciso.
Apesar de já muito vulgarizado, continua a soar-me ridículo essa da “a minha esposa”. Alguém me sabe dizer a origem da palavra esposa? Antigamente dizia-se “a minha mulher” e “a esposa de V. Ex.ª”. Será pela mesma razão que um “servente” passou a ser “auxiliar de acção médica”? Uma “mulher a dias” a “auxiliar de limpeza”, etc.? É a democratização? A Frelimo também tinha destes tiques. Letra duma cantiga revolucionária: “fascista de 15 anos era tratado de senhor; mulher com 5 filhos era chamada rapariga…”
Alvaro, o tique não era exactamente da Frelimo… ;)(descontando a parvoice, esta imputável à frelimo, de chamar “fascista” a um puto de 15 anos,, claro)
E o “a minha esposa” sempre foi a forma mais usada. Só há relativamente pouco tempo passou a ser “bem” dizer minha mulher. Não tem nada a ver com a “democratização”. IDemocratização tem mais a ver com a designação das profissões. Acho que nem o mais aristocrata se atreve agora a dizer que tem uma óptima “sopeira”, ou sequer “criada”, em vez de empregada doméstica. Mas lá que era mais chique dizer “a minha criada”, lá isso…
Com efeito, o termo ‘esposa’ caiu em desuso bem depois de ‘esposo’, mas ainda assim já desde meados do século (aí por altura da Guerra), e passou a ser de muito mau gosto dizê-lo, mesmo em relação a outrem.
De há uns tempos para cá, a subida na escala social de gente menos dada a saber avaliar o que é de mau gosto e o que não deve dizer-se, não satisfeita com a repescagem do termo em relação a outrem, até decidiu que seria uma demonstração de educação usá-lo em proveito próprio, como que em jeito de autoajuda àquela subida de escalão.
Resultado: o pasto fácil que é o período de incultura suburbana (ou de subcultura) que vivemos deixou que se espalhasse e vulgarizasse. Claro que, como sempre e para quem sabe, ainda mais se tem acentuado o mau gosto.
hhmmm.. não me parece que seja assim. Os que vão subindo na escala já vão aprendendo pelas colunas de etiqueta das revistas do coração que, para se “integrarem”, devem dizer “a minha mulher” e não “a minha esposa”. A fórmula “a minha esposa” é possidónia. Cá em baixo, ainda se sente, mal ou bem, que pelo menos perante um estranho, sobretudo “superior”, ou numa repartição pública, etc. deve dizer-se esposa. Nunca foi de mau gosto dizer “esposa” e sempre se usou, que me lembre, e olhe que eu nasci bastante depois do fim da II guerra.
Pois é António. Não quero desiludi-lo, mas o meu Pai nasceu pelos anos 20 e foi com ele que aprendi a dizer exclusivamente (repito: exclusivamente) «Mulher» e nunca “esposa”.
Sabe há quanto tempo os convites das entidades oficiais de topo (Belém, São Bento, etc.) imprimem convites dirigidos a «Vossa Excelência e Mulher»? Não foram inovadores (bem pelo contrário), mas, se conseguir informar-se, ainda assim terá uma surpresa.
Muito bem, João Carvalho. Eu não nego que seja mais socialmente correcto e protocolar dizer mulher em vez de esposa. O que eu digo é que a maior parte da população nunca teve esses prúridos. A maior parte sempre se esteve nas tintas e isso não acabou com o imediato pós guerra, ao contrário do que parece pensar. Não preciso de me informar melhor acerca do que dizem os convites da presidência, ou as regras da etiqueta, para saber isso. Eu vivo por cá, há quase cinquenta anos.
«(…) O que eu digo é que a maior parte da população nunca teve esses» pruridos – como muito bem acaba de referir. O que coincide exactamente com o que eu tinha começado por dizer mais acima e parecia que não lhe tinha caído bem. Estamos mais ou menos de acordo, afinal.
Há outras possidonisses: Como se chama? Dr. José … Eu sou a Sr.ª D. Alice que lhe telefonou…
Ó sr. Álvaro, dá licença? Hehe…
Acho que os gajos que têm “esposa” têm falta de outra coisa…
Eu uso o conceito para fins úteis. Relativamente a certos foleiros que conheço, costumo dizer “não é má pessoa, mas é daqueles que quando fala da mulher refere-se à esposa”…
Emainada!
Nadica.
É toda uma diferença…
Toda. Uma ‘esposa’ sempre é outra coisa.
Dobrada e deliciosa, para mim, seria …”Vinha com a minha senhora”;))
Também gostaria muito se a expressão fosse: “Vinha com a minha patroa”
:))))))))))))))
Maria e Maria do Sol, as duas expressões estão no topo do cúmulo. Ou será no cúmulo do topo?
Eu não sou de intrigas, nem de efabulações, mas pode dar-se o caso de o cidadão ser muito rigoroso consigo mesmo em termos de expressão verbal e pretender ser absolutamente preciso.
:)))))))))))
Ora aí está Maria do Sol eh eh eh
:)))))))))))
LOL. Nem mais, Maria do Sol…
Claro que vinha com a esposa.
A mulher tinha ficado em casa; safou-se do acidente.
Hehe…
Bem, o que eu amo de amor a palavra “esposa”, melhor melhor só talvez “nubente”. Valha-me Deus!
Nubente é o máximo. Uma espécie de pré-concubina ainda virgem.
Apesar de já muito vulgarizado, continua a soar-me ridículo essa da “a minha esposa”. Alguém me sabe dizer a origem da palavra esposa? Antigamente dizia-se “a minha mulher” e “a esposa de V. Ex.ª”. Será pela mesma razão que um “servente” passou a ser “auxiliar de acção médica”? Uma “mulher a dias” a “auxiliar de limpeza”, etc.? É a democratização? A Frelimo também tinha destes tiques. Letra duma cantiga revolucionária: “fascista de 15 anos era tratado de senhor; mulher com 5 filhos era chamada rapariga…”
Alvaro, o tique não era exactamente da Frelimo… ;)(descontando a parvoice, esta imputável à frelimo, de chamar “fascista” a um puto de 15 anos,, claro)
E o “a minha esposa” sempre foi a forma mais usada. Só há relativamente pouco tempo passou a ser “bem” dizer minha mulher. Não tem nada a ver com a “democratização”. IDemocratização tem mais a ver com a designação das profissões. Acho que nem o mais aristocrata se atreve agora a dizer que tem uma óptima “sopeira”, ou sequer “criada”, em vez de empregada doméstica. Mas lá que era mais chique dizer “a minha criada”, lá isso…
Com efeito, o termo ‘esposa’ caiu em desuso bem depois de ‘esposo’, mas ainda assim já desde meados do século (aí por altura da Guerra), e passou a ser de muito mau gosto dizê-lo, mesmo em relação a outrem.
De há uns tempos para cá, a subida na escala social de gente menos dada a saber avaliar o que é de mau gosto e o que não deve dizer-se, não satisfeita com a repescagem do termo em relação a outrem, até decidiu que seria uma demonstração de educação usá-lo em proveito próprio, como que em jeito de autoajuda àquela subida de escalão.
Resultado: o pasto fácil que é o período de incultura suburbana (ou de subcultura) que vivemos deixou que se espalhasse e vulgarizasse. Claro que, como sempre e para quem sabe, ainda mais se tem acentuado o mau gosto.
hhmmm.. não me parece que seja assim. Os que vão subindo na escala já vão aprendendo pelas colunas de etiqueta das revistas do coração que, para se “integrarem”, devem dizer “a minha mulher” e não “a minha esposa”. A fórmula “a minha esposa” é possidónia. Cá em baixo, ainda se sente, mal ou bem, que pelo menos perante um estranho, sobretudo “superior”, ou numa repartição pública, etc. deve dizer-se esposa. Nunca foi de mau gosto dizer “esposa” e sempre se usou, que me lembre, e olhe que eu nasci bastante depois do fim da II guerra.
Pois é António. Não quero desiludi-lo, mas o meu Pai nasceu pelos anos 20 e foi com ele que aprendi a dizer exclusivamente (repito: exclusivamente) «Mulher» e nunca “esposa”.
Sabe há quanto tempo os convites das entidades oficiais de topo (Belém, São Bento, etc.) imprimem convites dirigidos a «Vossa Excelência e Mulher»? Não foram inovadores (bem pelo contrário), mas, se conseguir informar-se, ainda assim terá uma surpresa.
Muito bem, João Carvalho. Eu não nego que seja mais socialmente correcto e protocolar dizer mulher em vez de esposa. O que eu digo é que a maior parte da população nunca teve esses prúridos. A maior parte sempre se esteve nas tintas e isso não acabou com o imediato pós guerra, ao contrário do que parece pensar. Não preciso de me informar melhor acerca do que dizem os convites da presidência, ou as regras da etiqueta, para saber isso. Eu vivo por cá, há quase cinquenta anos.
«(…) O que eu digo é que a maior parte da população nunca teve esses» pruridos – como muito bem acaba de referir. O que coincide exactamente com o que eu tinha começado por dizer mais acima e parecia que não lhe tinha caído bem. Estamos mais ou menos de acordo, afinal.
Há outras possidonisses:
Como se chama? Dr. José …
Eu sou a Sr.ª D. Alice que lhe telefonou…
Ó sr. Álvaro, dá licença?
Hehe…
Acho que os gajos que têm “esposa” têm falta de outra coisa…
De mulher?
Este é um fenómeno engraçadíssimo.
Os que falam da esposa são normalmente os mesmos que falam dos “meus putos”… 🙂
Seguramente.
Eu uso o conceito para fins úteis.
Relativamente a certos foleiros que conheço, costumo dizer “não é má pessoa, mas é daqueles que quando fala da mulher refere-se à esposa”…
Isso, isso. Hehe…
João, ainda assim, prefiro “minha senhora” a “minha esposa” quando dito genuínamente por homens do campo e por cá ainda se ouve…
Tenho de concordar. Antes isso.