Não há coincidências (5)


Ana Vidal,

 

 

Love of my Life (1999) – Carlos Santana & Dave Matthews

 

Carlos Santana é, tal como Paul Simon (ver post anterior desta série), um desses músicos que, aparentemente, não precisam de copiar ninguém para ter êxito. Chamando a si vários músicos que foram variando ao longo dos tempos, este excepcional guitarrista criou a banda genericamente conhecida por Santana, que levou o conceito Rock Latino a todo o mundo. Do palmarés do grupo fazem parte três Latin Grammy Awards e oito Grammy Awards, para além de mais dois dos últimos, conquistados a solo por Carlos Santana. Exactamente trinta anos depois e vinte e dois álbuns já gravados, muitos deles hits de vendas na Europa e nos Estados Unidos da América, Supernatural revelou-se um verdadeiro fenómeno: quinze vezes disco de platina (nos EUA) e nove Grammy Awards, entre os quais o de Álbum do Ano. Os números de vendas foram astronómicos – ultrapassando os 25 milhões de cópias em todo o mundo – e o álbum manteve-se nos tops por muito tempo. Smooth, Corazón Espinado e Maria, Maria foram, possivelmente, as três principais responsáveis por este esmagador sucesso. Mas não é nenhuma dessas canções que chamo à pedra nesta série. A “coincidência” de hoje é Love of my life, igualmente incluída no álbum-maravilha Supernatural. Porquê? Porque este amor já tinha sido de outra vida… a de Brahms. E nos créditos de Love of my Life apenas consta o nome de Carlos Santana como autor, não há nem sombra de alusão ao compositor alemão.

 

 

Symphony nr.3 Poco Allegretto – Johannes Brahms

 

(Nota: Escolhi propositadamente um video biográfico de Brahms – que tem por fundo a melodia original – porque ele conta a história desse amor que deu origem a uma inspirada sinfonia, mais tarde plagiada por Carlos Santana. Chamo a atenção para algumas das palavras de Brahms citadas neste filme, pela ironia da comparação entre o seu perfeccionismo, honestidade e grau de auto-exigência e o facilitismo com que, pouco mais de um século depois, outros se apropriaram de uma obra sua).

Não há coincidências (4)


Ana Vidal,

 

American Tune (1975) – Paul Simon

 

Há quem defenda que este caso, ao contrário dos que já apresentei anteriormente, é pura coincidência. E eu confesso que tenho vontade de acreditar que sim, que Paul Simon seria incapaz de usar uma melodia de Bach sem atribuir os créditos devidos ao autor original. E também de acreditar que Paul Simon, senhor de uma criatividade e de uma qualidade musical muito acima da média, não precisaria de copiar ninguém. Mas… vejo-me obrigada a admitir que tendemos, todos nós, a usar dois pesos e duas medidas nas nossas avaliações, consoante se trate de quem admiramos ou de quem não consideramos ou não gostamos de todo. E tenho de admitir também que a descoberta desta “coincidência” que hoje trago aqui, a fiz sozinha, primeiro intrigada e depois desiludida, durante um concerto maravilhoso. Já contei o caso aqui, para quem estiver interessado em saber a história toda. O certo é que, pelo menos no disco de Paul Simon que tenho onde consta American Tune, não há qualquer alusão a Bach. Para mim, e por mais que me custe, é um claro caso de plágio.

 

 

Matthaus Passion.1.11.Choral.Ich will hier bei dir stehen – J.S. Bach

 

O que eu não sabia – só descobri nas pesquisas para esta série – e me deixou muito mais aliviada, devo confessar, é que este  magnífico coro de Bach já é também, ele próprio, uma espécie de cover de “Mein Gmüth ist mir verwirret” (sem video disponível), uma melodia criada por um compositor anterior: Hans Hassler. Curiosamente, um outro grupo da Pop Music – Peter, Paul and Mary – fez dela “Because All Men Are Brothers” (video aqui), um dos seus muitos êxitos. Toda esta sequência de aproveitamentos prova, uma vez mais, que a tentação da cópia não poupa ninguém, nem os músicos mais talentosos.

Não há coincidências (3)


Ana Vidal,

 

 

Midnight Blue (1983) – Louise Tucker & Charlie Skarbek


Este não é um vulgar caso de plágio. Louise Tucker, uma mezzo-soprano inglesa, começou a carreira aplicando a sua formação lírica à transformação de melodias clássicas (sobretudo da autoria de Beethoven) em canções da pop music, e essa ideia deu-lhe uma projecção mundial. Midnight Blue foi o seu primeiro grande êxito comercial. Tem o mérito de nunca ter escondido a fonte das suas adaptações. Pessoalmente, não gosto da voz nem desta versão “pimba” da bela Patética de Beethoven. Mas é só o meu gosto, e gostos não se discutem. Mesmo assim, atrevo-me a dizer que o bom do Ludwig Van também não gostaria, se pudesse ouvi-la.  Felizmente, ainda deve estar surdo.

 

This Night (1983) – Billy Joel


Como tantos outros músicos (estes são só dois exemplos), também Billy Joel não resistiu à 8ª de Beethoven (por acaso, no mesmo  segundo andamento). Mas Joel, com a ironia que lhe é característica, não só incluiu a canção This night num álbum a que chamou An innocent man – que foi nomeado para os Grammys na categoria “Álbum do ano” – como incluíu, entre os créditos citados na lista de músicos e letristas que colaboraram no disco, um nome ligeiramente mais famoso do que os outros: Ludwig Van Beethoven, como autor dos coros desta música. Deste modo não deixou de citar a fonte, e ainda o fez com graça.


Pathetique Sonata – 2nd movement – Ludwig Van Beethoven


Eis a melodia original, aqui executada pelo grande Horowitz.

Nota: Agradeço à Teresa a dica de uma das “coincidências” de hoje (Louise Tucker).

Pensamentos a metro


Ana Vidal,

“Isso não ocupa nem um milímetro do meu pensamento”

 

(José Sócrates à SIC N, sobre a destruição das escutas)

 

Nota: Ficamos a saber que aos pensamentos do nosso primeiro ministro não se aplicam medidas de profundidade, de tempo ou de densidade, como aos dos restantes mortais. Um animal feroz pensa “a metro”.

Parabéns


Ana Vidal,

 

 

 

Ao magnífico João Garcia pela chegada ao cume do Annapurna, a última das 14 montanhas com mais de 8.000 metros (os chamados “tectos do mundo”) que lhe faltava conquistar. E em condições especialmente adversas, para quem já pagou um preço pessoal altíssimo pela determinação indomável. A proeza não é para todos. Aliás, é para muito poucos. Mas tenho pena de que o ADN dos portugueses não seja um bocadinho mais parecido com o deste homem que é, ainda por cima, de uma simplicidade e simpatia desarmantes.

Não há coincidências (2)


Ana Vidal,

 

Daydream (1969) – Wallace Collection

 

Gravado no já mítico Abbey Road Studio, “Laughing Cavalier”, o álbum de estreia desta banda, lançou-a directamente para os hits de 21 países. Graças a quê? À canção Daydream, pois claro. O single deu a volta ao mundo e rendeu aos belgas prestígio, fama e muito dinheiro. Apesar da semelhança gritante com o tema melódico central do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, nunca os Wallace Collection admitiram, sequer, a influência do compositor russo na inspiração que deu origem a este êxito retumbante. Talvez como “castigo divino”  (das divindades da música, pelo menos) por tão ingrata conduta, nunca mais outro tema dos Wallace Collection alcançou o sucesso de Daydream e a banda acabou por extinguir-se, dois anos depois.

 


Swan Lake / Scene – Part 1/8  (1876) – Tchaikovsky

A melodia original em todo o seu esplendor, tocada pela Orquestra de Filadélfia e conduzida pelo maestro Riccardo Muti.


Boys don’t cry


Ana Vidal,

 

Pois é. Este rapazinho, que Ana Gomes apelidou de “fraquinho no discernimento” e cujo discurso memorável na Comissão de Ética foi tão decisivo para o total esclarecimento do caso PT/TVI, é-nos agora apresentado como “o cérebro” de uma complicada maquinação política envolvendo corrupção e negociações de alto nível com a finalidade de favorecer o PS de José Sócrates, à custa de dinheiros públicos, nas últimas eleições legislativas.   “A iniciativa, a demonstração da capacidade de disposição sobre as matérias em causa no que à Taguspark respeitava e a negociação política pertenceram sempre a Rui Pedro Soares, administrador da PT” , diz-nos o Ministério Público, convicto, ao acusá-lo de corrupção passiva (sem que tenha havido um corruptor activo, o que não deixa de ser um mistério). Quem se espantou com a subida meteórica, os ordenados milionários e a saída com uma idemnização choruda de um jovem sem curriculum nem nome sonante, tem agora a resposta. Mas ele  sabe que não se pode queixar: foi para arder com o circo – se as coisas dessem para o torto – que foi principescamente pago, como acontece com todos os boys que se prestam a malabarismos em arames sem rede. Sempre assim foi e sempre assim será, porque este jogo não é para ingénuos. Os milhões entretanto arrecadados ajudarão a esquecer as mágoas e as tristes figuras. Alguma cabeça tinha de rolar, era a dele que estava a jeito.  E chamaram-lhe um Figo.

Facadinhas e recompensas


Ana Vidal,

 

Hoje de manhã, no café. Diálogo de um casal, dividido entre a bica e as capas das revistas penduradas atrás do balcão:

 

– Já me viste aquilo do Pinto da Costa com as brasileiras?

– Já. O homem é de força! Depois de casar outra vez e tudo… coitada da Filomena.

– É para dares valor ao homem que tens. Nunca há-des passar por essa vergonha, vês?

– Pois não. Mas também nunca vou ter um Austin-Martin…

Não há coincidências (1)


Ana Vidal,

 

All By Myself (1975) – Eric Carmen


O êxito desta canção foi imediato, como seria de esperar. Seguiram-se-lhe inúmeras versões, entre as quais destaco as de Shirley Bassey, Sheryl Crow e Celine Dion, que até gravou uma versão em espanhol (Sola otra vez). A princípio sem revelar a fonte de tão inspirada melodia, Eric Carmen acabou por ter de admitir o óbvio: que ela “se baseava” num dos mais populares concertos de Rachmaninov.

 

Concerto para Piano no.2/2º andamento (1901) – Sergei Rachmaninov

 

A melodia original, aqui interpretada pela pianista Lilia Zaiarna.

Não há coincidências (episódio piloto)


Ana Vidal,

 

 

 

A partir de amanhã, e com uma cadência bi-semanal, haverá mais uma série no Delito (estamos a fazer uma séria concorrência à BBC… os ingleses que se acautelem!). Decidi chamar-lhe “Não há coincidências” e tratará de plágios e semelhanças, voluntárias ou não. Não, não passarão por aqui os casos polémicos de Miguel Sousa Tavares ou de Clara Pinto Correia, para citar só dois exemplos nacionais de alegados plágios literários. Vou cingir-me à música, embora, com este título, eu comece já por plagiar o de um livro de Margarida Rebelo Pinto (ela própria em tempos acusada de auto-plágio, o que é, convenhamos, um “crime” muito menos condenável).

 

Confuso? Eu explico. Ou melhor: vou ilustrar cada caso, com a ajuda do abençoado Youtube, pedindo aos vossos doutos ouvidos um veredicto. Começarei pelos chamados compositores clássicos (estou consciente da enorme latitude do termo), os mais plagiados e os mais plagiáveis, por razões óbvias: as suas obras pertencem há muito ao domínio público (não há risco, portanto, de processos judiciais envolvendo direitos de autor) e são conhecidas por um público mais limitado (logo, são menos identificáveis) embora constituam, mesmo assim, uma espécie de matriz musical gravada no subconsciente colectivo ocidental. Acredito que a existência dessa memória inconsciente possa justificar a não intencionalidade em alguns dos casos em que as semelhanças são mais subtis, ainda que já me custe a crer que um músico não acabe por identificá-las, mais cedo ou mais tarde. Noutros casos, contudo, a sequência de notas é tão óbvia que se torna impossível acreditar na inocência de quem a “decalcou”.

 

Os plágios entre músicas contemporâneas são menos comuns, embora também os haja. Alguns deles são bem conhecidos, acabando em “peixeiradas” mediáticas ou em batalhas judiciais que deixam em maus lençóis os plagiadores. Mas no melhor pano cai a nódoa. São muitos os músicos consagrados que caem na tentação de usar composições de outros, não só porque são boas como porque representam receitas de sucesso garantidas, por já estarem “no ouvido” das pessoas. Alguns citam a fonte, explicando que “se inspiraram” ou “interpretaram à sua maneira” a obra original. Outros (e são muitos) nem isso fazem, talvez na ingénua esperança de que ninguém dê por isso. Por aqui passarão uns e outros, deixando à vossa consideração distingui-los.

 

Agradeço todos os contributos que quiserem dar a esta série (se possível indicando o link para o “delito” sugerido). Todas as ajudas serão identificadas, naturalmente.

Cada vez gosto mais de Obama


Ana Vidal,

 

Acabo de receber o seguinte mail:

 

Saudações: 

 

 

Em nome da Fundação de Obama, queremos notificá-lo como beneficiário de R $ 500.000,00 dólares em compensação de scam victims. Do contato HSBC International Bank, do Reino Unido Branch para a verificação e liberação de seus US $ 500.000,00 USD que temos depositado no Banco HSBC, no Reino Unido.


O registro conta no será apresentado a você pelo banco em. Para acessar os recursos antes de liberar em seu nomeado conta bancária. Você irá transferir os fundos para a sua nomeados conta on-line como o Banco HSBC, no Reino Unido irá fornecer o necessário informações para você. Temos tido o cuidado de o custo de transferência (COT) ea VAT. Please se você estiver disposto a aceitar a fundos, fazer contato com o diretor-gerente do Banco HSBC, no Reino Unido com os seguintes detalhes:


Você deve preencher o formulário apropriado e apresentar ao banco.


[1] Nome completo :________________

[2] Contato address______________________________

[Telefone 3] Direct n º: ___________________

| Profissão 4 |: ____________________________


Managing Director do Banco HSBC, no Reino Unido

Nome: Mrs. Joan Cole Esq.


Atenciosamente,

Dr.Gary Adams

Coordenador.

FUNDAÇÃO DE OBAMA


Não sei onde foi o Dr. Gary Adams aprender este belo português, mas depois de tanta simpatia e generosidade, até isso lhe perdoo. E agora com vossa licença, que vou ali à agência de viagens marcar as férias.

 

(o mais engraçado é isto ser endereçado a supostas “scam victims”)

 

Quem disse que a tradição já não é o que era?


Ana Vidal,

 

Nas notícias da noite assisto, embasbacada, a uma reportagem sobre uma “tradição” pascal de uma freguesia de Viana do Castelo: numa espécie de enorme refeitório, uma infinidade de homens bate-se à mesa, até não aguentar mais, com quilos e quilos de bifes acompanhados de batatas fritas, molho e nacos de pão. Celebram assim o regresso à normalidade gastronómica, depois de um dia – um dia inteirinho, imagine-se o impensável sacrifício! – sem tocar em carne. A coisa já virou até concurso, ao estilo Guiness. O “recordista” anuncia, orgulhoso, que já despachou dez bifes e meio. “E isso não lhe faz mal?” pergunta a jovem repórter, impressionada com a alarvice. “Não, menina.. eu  cá tenho a máquina bem afinada!”, responde o herói, afagando a generosa barriga e com um sorriso gorduroso de orelha a orelha. Um dos vizinhos de mesa, abordado logo a seguir e apanhado ainda com um molho de batatas fritas entalado a meio caminho entre a luz do dia e as trevas do palato, revela-se mais sóbrio à pergunta de quantos bifes já comeu. “Só três, nunca passo disto.” Há alguma tristeza envergonhada na confissão. A algazarra é ensurdecedora, medindo forças com um  imperturbável grupo de tocadores de cavaquinho, acordeão e pandeireta. O vinho tinto corre a rodos.

 

Mulheres, nem uma. “A tradição é esta… isto é só para homens!”. Há um deles que tem pena de que assim seja,  porque, diz ele, é “fã de mulheres”. Mas elas só não estão à vista. Estão no lugar que lhes compete, pois claro: a cozinha. Fritam a bifalhada em grandes frigideiras cheias de gordura, de pé, igualmente orgulhosas da tradição e ciosas de que nada falte aos seus delicadíssimos companheiros de vida. Ao microfone da incrédula repórter desfiam, com ternura e desvelo, a receita do pitéu.

 

Pois. Venham falar-me do país do Magalhães e das novas tecnologias.

 

(Imagem: Uma tábua de bifes é a representação de Portugal na polémica escultura “Entropa” – coordenada por David Cerny – que decora a fachada de um edifício comunitário em Bruxelas e pretende caricaturar, através de estereótipos, cada um dos países da comunidade europeia. Alguém se admira?)

 

 

Rasgos (15)


Ana Vidal,

Kyrie

 

Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus, que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

 

(José Carlos Ary dos Santos )

 

Imagem: A transfiguração de Cristo, de Rafael

Pesos e medidas


Ana Vidal,

“Em resultado de informação proveniente das autoridades alemães sobre a ação judicial em curso naquele país, o Governo suspendeu de todas as funções relacionadas com o exercício do cargo o cônsul honorário de Portugal em Munique, Alemanha, o senhor Jurgen Adolff, a partir de hoje”, lê-se num comunicado do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

A suspensão das funções de Jurgen Adolff do cargo de cônsul honorário de Portugal em Munique manter-se-á “até cabal esclarecimento das investigações que o envolvem pessoalmente”.

 

Concordo inteiramente com a suspensão de funções do cônsul português, “até cabal esclarecimento das investigações que o envolvem pessoalmente”. O que me espanta é que tão pronta medida não tenha sido também aplicada a outros casos, a começar pelo do próprio primeiro ministro do governo que a tomou. Os exemplos devem vir de cima, sempre ouvi dizer.