Boys don’t cry


Ana Vidal,

 

Pois é. Este rapazinho, que Ana Gomes apelidou de “fraquinho no discernimento” e cujo discurso memorável na Comissão de Ética foi tão decisivo para o total esclarecimento do caso PT/TVI, é-nos agora apresentado como “o cérebro” de uma complicada maquinação política envolvendo corrupção e negociações de alto nível com a finalidade de favorecer o PS de José Sócrates, à custa de dinheiros públicos, nas últimas eleições legislativas.   “A iniciativa, a demonstração da capacidade de disposição sobre as matérias em causa no que à Taguspark respeitava e a negociação política pertenceram sempre a Rui Pedro Soares, administrador da PT” , diz-nos o Ministério Público, convicto, ao acusá-lo de corrupção passiva (sem que tenha havido um corruptor activo, o que não deixa de ser um mistério). Quem se espantou com a subida meteórica, os ordenados milionários e a saída com uma idemnização choruda de um jovem sem curriculum nem nome sonante, tem agora a resposta. Mas ele  sabe que não se pode queixar: foi para arder com o circo – se as coisas dessem para o torto – que foi principescamente pago, como acontece com todos os boys que se prestam a malabarismos em arames sem rede. Sempre assim foi e sempre assim será, porque este jogo não é para ingénuos. Os milhões entretanto arrecadados ajudarão a esquecer as mágoas e as tristes figuras. Alguma cabeça tinha de rolar, era a dele que estava a jeito.  E chamaram-lhe um Figo.

27 comentários em “Boys don’t cry”

  1. Este caso, à semelhança de todos os outros iguais ou parecidos com ele, vai acabar da mesmíssima forma que já todos sabemos: -vai dar em nada. Se chegar a julgamento, (no que eu ponho as mais sérias dúvidas) vamos assistir à costumeira procissão de recursos para trás e para diante, para entreter os tribunais e encher os bolsos a mais uns tantos causídicos com nomes sonantes na nossa praça, vender jornais às toneladas (e até com edições especiais, quem sabe?) e atascar até à náusea, de hora a hora, todos os telejornais de todas as televisões, públicas, privadas e quantas mais existam. Estas telenovelas de alto orçamento, mas qualidade ‘mexicana’, já não entretêm ninguém e o final é sempre o mesmo, independentemente dos actores serem aceitáveis ou uns autênticos pedaços de asno. Estes últimos, contudo, parecem atrair mais as audiências, elevando assim o share das estações que se mostrem mais interessadas em dar-lhes mais tempo de antena. A ver vamos como se vai safar este rapaz nesta sua nova carreira. Eu, mesmo ‘antes do jogo’, já fiz o meu prognóstico, mas para já ainda não o revelo… ;-))

  2. Não tenho pena nenhuma do rapazinho, Ana, mas lastimo que, nesta série de pequenos escândalos que o envolvem, seja o único a responder, tanto pelo que fez, como pelo que os outros fizeram. É certo que o caso não é de «bode expiatório», porque há-de ser muito bem pago pelo frete – o que já embolsou não tem significado no quadro do que ainda vai embolsar. E o processo de compensação já se adivinha: mandam-no dois anos para o estrangeiro, apagam-no da nossa curtíssima memória e encarreiram-no, finalmente, no poder autárquico que, para cabeças deste calibre, é uma mina.

    1. Bem visto, Luísa. E também não tenho pena dele. Por mais limitações intelectuais que demonstre, tem “cara” de saber muito bem ao que ia. Há sempre alguém que se presta a estes papeis.

  3. Eu não percebo a acusação que lhe fazem: corrupção passiva para ato ilícito. Ora muito bem, qual foi o ato ilícito que ele cometeu? E quem é que o corrompeu para ele cometer esse ato? O que é que ele recebeu (dinheiro, prendas, seja o que fôr) em troca desse ato? Qual foi o preço dele? Quem foi o corruptor ativo, que lhe pagou esse dinheiro ou prendas?

    Isto deixa-me perplexo. Como raio é que uma acusação destas, uma corrupção passiva para ato ilícito em que não se vê corruptor ativo, não se vê dinheiro pago, nem se vê ato ilícito, se pode sustentar em tribunal?

    Ou me engano muito ou o juiz de instrução vai deixar cair isto tudo, e provavelmente com muita razão.

      1. Também concordo, quer com o Luís Lavoura, quer consigo.
        Aliás, Ana, cá na nossa terra isto é precisamente aquilo que mais se espera de um juiz de instrução, não é? Que deixe cair tudo, ou então que mande destruir tudo, no caso do tombo não ter sido suficiente para deixar tudo em cacos. Mas que diabo, que fixação, porque é que insistem, insistem, em não deixar toda esta gente séria e de bem em paz e sossego!?

  4. Quanto ao mistério da existência de corruptor activo, tem a seguinte solução:
    “Ou seja, os gestores Rui Pedro Soares, João Carlos Silva e Américo Thomati são suspeitos de corrupção passiva. Nos termos da lei penal, há corrupção passiva quando o funcionário solicita ou aceita, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial sem que lhe seja devida. José Sócrates seria, nesta visão do DIAP, o tal terceiro, beneficiário desses eventuais crimes de corrupção passiva. E o outro contraente, a Lunarstar, sociedade, com sede em Londres, titular dos direitos de Luís Figo que assinou e os vendeu, em seu nome, à sociedade do Tagupark, seria o corruptor activo. ”
    jornal i 20 Fevereiro

    Quanto à forma dulcificadora com que os Portugueses lidam com a corrupção, ou neste caso a lei portuguesa, o bloco de esquerda tem e teve várias tentativas [falhadas] de alteração. Exemplo disso no “Projecto de Lei n.º 761/X”.
    Anyway, arriscar compensa neste país.

  5. Pobre rapaz, Ana, que ainda vai acabar às sopas do tio!
    Será que arrecadou mesmo os milhões de que se fala? Não fará parte do “contrato dos boys”, distribuir parte substancial deles pelos barões e pelo partido?

  6. Malis mala succedunt…

    De contratos nebulosos
    por apoios concedidos
    ficam rastos jubilosos
    de uns milhões desmedidos.

    Tantas nódoas por limpar
    em negócios de milhões,
    há quem queira alapar
    estes pobres mexilhões.

    1. Vai uma aposta que nunca mais ouvimos falar dele, Ana Cristina? É só deixar passar algum tempo até que as águas acalmem, e tudo ficará como antes. Em paz… podre.

  7. Não sei como se larga esta gente por aí a fazer desacatos, como se não houvesse amanhã. Não tenho pena dele, nem o acho bode expiatório nenhum. Mais parece, à minha santa ignorância, que é dos casos em que são mais papistas do que … Não sei se me faço entender.

    :))

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