Não há coincidências (2)


Ana Vidal,

 

Daydream (1969) – Wallace Collection

 

Gravado no já mítico Abbey Road Studio, “Laughing Cavalier”, o álbum de estreia desta banda, lançou-a directamente para os hits de 21 países. Graças a quê? À canção Daydream, pois claro. O single deu a volta ao mundo e rendeu aos belgas prestígio, fama e muito dinheiro. Apesar da semelhança gritante com o tema melódico central do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, nunca os Wallace Collection admitiram, sequer, a influência do compositor russo na inspiração que deu origem a este êxito retumbante. Talvez como “castigo divino”  (das divindades da música, pelo menos) por tão ingrata conduta, nunca mais outro tema dos Wallace Collection alcançou o sucesso de Daydream e a banda acabou por extinguir-se, dois anos depois.

 


Swan Lake / Scene – Part 1/8  (1876) – Tchaikovsky

A melodia original em todo o seu esplendor, tocada pela Orquestra de Filadélfia e conduzida pelo maestro Riccardo Muti.


29 comentários em “Não há coincidências (2)”

  1. Esta (a dos Wallace, é claro!…), ainda é do meu tempo e é curioso que nunca me tinha apercebido da enorme semelhança entre trechos das duas composições. E, pelos vistos, não terei sido o único, pois parece que os Wallace Collection também não…
    Na verdade, foram deselegantes e bem podiam ter chamado o velho senhor para um acordo de cavalheiros. Sei lá, qualquer coisa como «Wallace Tchaikovsky Swan Collection» não tivesse sido má ideia e talvez a fúria dos deuses não tivesse acabado tão repentinamente com aquele ‘Daydream’…

  2. A não confissão é que surpreende, de facto. É literalmente gozar com o ouvido alheio. Há tb outro aspecto interessante: dois dos músicos eram membros da orquestra filarmónica nacional belga, facto que, se torna mais natural a atracção pelos clássicos, acaba por agravar a irresponsabilidade no delito de negação das “fontes”..

    1. Eu também não tenho nenhum preconceito em relação a boas cópias (e até a más), desde que digam que o são. Ou pelo menos que lhes chamem interpretação, recriação, cover, whatever… tudo menos fingir que é um original.

          1. Faço minhas as palavras de um soldado alemão em Estalinegrado,gritadas para as linhas russas,onde uma orquestra animava os seus soldados :”…toquem Bach,por favor…” ( e já agora Rachmaninov digo eu ). ah e a orquestra acedeu ao pedido…

  3. Ana, ocupar os hits de 21 países é obra que o mestre certamente teria agradecido. Nem sempre se ouve Tchaikovsky… Nem sem se vê dançar obras de Tchaikovsky … Nem sempre se ouve falar de Tchaikovsky….
    … e hoje isso aconteceu aqui. Graças a sí. Obrigado!

  4. Ah, consegui finalmente lembrar-me do nome de uma banda da época que cultivava assumidamente temas de música clássica. Não que fossem fantásticos (não eram mesmo). Os Ekseption.

    1. Verdade Anônimo. Mas será que na época foi classificado como plágio mesmo? De repente foi liberado pela família do compositor, vai saber.

  5. Ouvi muito Day Dream com Wallace Collection em 1969, tinha 13 anos de idade, e, no single de acetato que tinha, havia o nome do grupo: abaixo o nome da canção e abaixo deste havia um texto curto dando a referência à Introdução do Lago do Cisne de Tchaikovsky. È possível que a banda tenha omitido o fato tempo depois, mas a inscrição no próprio disco é verdadeira.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *