Rasgos (14)


Ana Vidal,

Eu sei, eu sei. Vinte minutos de video, em tempo blogosférico, são uma verdadeira eternidade. Mesmo assim, arrisco pedir-vos que reservem vinte minutos do vosso dia (pode até ser no fim-de-semana que aí vem) para o verem e ouvirem na íntegra, porque cada um desses vinte minutos merece a vossa atenção. Deixo-vos o desafio. E depois digam-me lá se eu não tinha razão.

 

(O video tem legendas em português. O pior é que traduzem até os risos do público. Enfim, não há bela sem senão…)

 

 

 

Adenda 1 (26/03/2010): Será que ninguém reconheceu, neste maravilhoso prelúdio de Chopin, o lado B do “Je t’aime, moi non plus”, cantado (ou, mais exactamente, miado) pela bela Jane Birkin? Não disse nada para ver se alguém se lembrava, mas já vi que não…

Enfim, reconheço que o lado A era avassalador de mais, sobretudo nessa época, para que alguém retivesse na memória qualquer outra canção do disco. Mas essa canção era esta mesma peça de Chopin.

 

Adenda 2 (27/03/2010): Depois de muito procurar no Youtube… encontrei-a!!! Chamava-se Jane B, simplesmente. Ora oiçam:


Ó subalimentados do sonho,


Ana Vidal,

 

sabei que foi bonita a noite de ontem, no Palácio de Belém. Houve muita Poesia, dita, cantada e até dançada por quem melhor sabe fazê-lo neste país de poetas. Por umas horas (o que já é um verdadeiro luxo) esquecemos a crise, as catástrofes, as alterações climáticas, as tricas políticas, enfim… a pardacenta espuma dos dias que correm. Por umas horas, saboreámos a língua portuguesa com deleite de gourmets: palavra por palavra, sílaba por sílaba, letra por letra. Esta língua nossa que sabe e cheira a mar, de repente casada com música ou gestos, de repente assim mesmo, a solo, em todo o seu esplendor. Dou-vos só um cheirinho da magia que ali se respirou: Eunice Muñoz, magnífica na sua total sobriedade, disse tão maravilhosamente a Tabacaria que todos nós, suspensos, estaríamos prontos a jurar que ela estava lá, naquela mesma rua, debruçada com o Pessoa naquela mesma janela, filosofando com ele sobre tudo e nada.

E porque não há metafísica sem chocolates, e porque a poesia é mesmo para comer, e porque os tempos são de contenção, a noite acabou como começou, da forma mais poética: que melhor local do que uma varanda sobre o Tejo para um chazinho e uns pastelinhos de Belém acabados de fazer, com muita canela?

Rasgos (12)


Ana Vidal,

 

 

«Algumas pessoas perguntam o segredo do nosso longo casamento. Nós damo-nos tempo de ir a um restaurante duas vezes por semana. Comida à luz da vela, jantar, música de fundo e dança. Ela vai às quartas e eu às sextas.»

 

(Henny Youngman)

Dia de… quem?


Ana Vidal,

 

Embirro com os "dias de".  Mas com o de hoje, confesso, embirro mais ainda.

 

Entendo o argumento de que a existência de uma data específica pode servir para chamar a atenção para os problemas do universo feminino, que continuam a ser muitos e graves, infelizmente. Lamento é que as mulheres aceitem agarrar-se a esta patética migalha para fazer valer os seus direitos e ouvir a sua voz, não percebendo que o seu "dia de" as remete para o velho guetto de sempre: o de uma estranha população incómoda, barulhenta e histérica, que no passado perdeu muitas vezes a razão pelos excessos cometidos e que se agiganta agora em todas as frentes, ameaçadora. É ridículo que haja um "dia da mulher" por ano, pela simples razão de que essa bela e inocente (?) intenção converte todos os outros 364 em "dias do homem". Ou não será assim?

Todos os dias são, afinal, das mulheres e dos homens que constroem pontes e derrubam barreiras milenares. Sem espavento mediático, talvez, mas com muito mais eficácia do que as florzinhas e os peluches oferecidos às namoradas ou os jantares românticos em restaurantes da moda com que os maridos assinalam o dia, que será esquecido mal soa a última badalada da meia-noite e a cinderela perde o sapato de cristal. Todos os dias são dos homens e das mulheres que dão uso às emoções, mas também à inteligência, que é para isso que serve o cérebro que todos temos, machos e fêmeas da espécie humana. Por isso este dia especial não faz o menor sentido para mim. Mais: é um insulto.

 

 

Nota: texto já editado no Porta do Vento.

Frases do ano (8)


Ana Vidal,

"Quais ambientalistas? O ambientalista aqui sou eu!"



Alberto João Jardim, respondendo a uma pergunta de um jornalista da SIC sobre a reconstrução da Madeira e a possível utilização do entulho resultante das derrocadas para ganhar nova área terra ao mar"

Frases do ano (7)


Ana Vidal,

"Vejo pouca televisão aqui na cela, só alguns programas sobre natureza. Os programas de televisão têm muita violência, e eu não gosto de violência."

 

Luís Miguel Militão, o "carrasco de Fortaleza", que mandou assassinar e enterrar (alguns ainda com vida) seis empresários portugueses de férias no Brasil.

Frases do ano (5)


Ana Vidal,

"Estes telefones devem ser os únicos do país que não estão sob escuta"

 

(José Diogo Quintela – dos "gato fedorento" – um dos vips de serviço ao call center da gala "Uma Flor para a Madeira", no Coliseu de Lisboa)

Fora o árbitro!


Ana Vidal,

 

Apresentou-se hoje mais um candidato à liderança do PSD, Castanheira de Barros de seu nome. Nada contra. Venham mais cinco, como dizia o outro, e todos serão poucos para endireitar o que parece já não ter remédio. E não só no partido como no próprio país. O que me leva a comentar esta candidatura é o discurso de apresentação do novel candidato, todo ele assente em metáforas futebolísticas. Este truque já vem sendo hábito entre os políticos, eu sei, mas irrita-me solenemente que alguém parta do princípio de que só a linguagem do futebol é inteligível para os portugueses. Por mim – e palpita-me que não serei a única a pensar assim – dispenso treinadores, fiscais de linha e especialistas do meio campo. Passo bem sem avançados, estrategas de balneário e misters sortidos, alinhavando fintas e penaltis que nos façam trocar o pão que falta pelo circo que sobra. Com tudo aquilo a que tenho assistido, já me custa acreditar em quem se apresenta com ideias e palavras claras, quanto mais em quem embrulha as suas na banha da cobra de relvados e coiratos…

 

Rasgos (11)


Ana Vidal,

Esta dança impressionante chama-se “As Mil Mãos-Guan yin”. Considerando a grande coordenação que é necessária, a sua realização é ainda mais surpreendente se soubermos que todas as 21 bailarinas são surdas-mudas. Baseiam-se somente nos sinais dos assistentes que se encontram nos quatro cantos do cenário.

 

O seu primeiro grande “début” internacional foi em Atenas, na cerimónia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de 2004, mas tem estado desde há muito tempo no repertório da “Chinese Disabled People”s Performing Art” e já viajou a mais de 40 países.

A primeira bailarina, Tai Lihua, tem 29 anos de idade e possui um BA pelo Instituto de Belas Artes de Hubei. O vídeo foi gravado em Pequim durante o Festival da Primavera deste ano.

 

Blogobomba


Ana Vidal,

 

Alguém para comentar esta bomba, saída nas notícias de hoje?

 

 

Adenda: Pedi aos leitores do Delito de Opinião comentários a este tema, com a genuína intenção de perceber melhor o alcance de uma notícia que me pareceu totalmente desprovida de interesse público (sobretudo tendo em conta o destaque que mereceu ao jornal i) e tive-os em dose generosa. Agradeço a todos, mesmo aos que manifestaram a sua indignação com uma linguagem e um tom que não são regra aqui no DO. Entretanto, uma boa parte da blogosfera também se manifestou. Partidarites à parte – a que sempre dou o devido desconto – considero-me razoavelmente esclarecida. Registo a reacção unânime e transversal em defesa do direito à  livre opinião e à privacidade de um blogger. Neste estado "policial" em que temos vivido ultimamente, é uma atitude que me parece bastante saudável.