
Apresentou-se hoje mais um candidato à liderança do PSD, Castanheira de Barros de seu nome. Nada contra. Venham mais cinco, como dizia o outro, e todos serão poucos para endireitar o que parece já não ter remédio. E não só no partido como no próprio país. O que me leva a comentar esta candidatura é o discurso de apresentação do novel candidato, todo ele assente em metáforas futebolísticas. Este truque já vem sendo hábito entre os políticos, eu sei, mas irrita-me solenemente que alguém parta do princípio de que só a linguagem do futebol é inteligível para os portugueses. Por mim – e palpita-me que não serei a única a pensar assim – dispenso treinadores, fiscais de linha e especialistas do meio campo. Passo bem sem avançados, estrategas de balneário e misters sortidos, alinhavando fintas e penaltis que nos façam trocar o pão que falta pelo circo que sobra. Com tudo aquilo a que tenho assistido, já me custa acreditar em quem se apresenta com ideias e palavras claras, quanto mais em quem embrulha as suas na banha da cobra de relvados e coiratos…

O candidato já foi estrela na Liga dos Últimos – infelizmente, a RTP solicitou ao Youtube que apagasse o video e eu não guardei cópia 🙁
Mas este post (http://bit.ly/anX9vj (http://bit.ly/anX9vj)) aponta o motivo pelo qual eleapareceu nesse magnífico programa do futebol profundo.
A Liga dos Últimos – seja lá isso o que for – é o lugar próprio para quem nos chama idiotas. Pena foi que ele tenha saído de lá…
Desculpa a extensão, mas não sei comentar este teu ‘post’ de outro modo. «Irrita-me solenemente que alguém parta do princípio de que só a linguagem do futebol é inteligível para os portugueses. Por mim – e palpita-me que não serei a única a pensar assim – dispenso treinadores, fiscais de linha e especialistas do meio campo. Passo bem sem avançados, estrategas de balneário e misters sortidos, alinhavando fintas e penaltis que nos façam trocar o pão que falta pelo circo que sobra.»
Isto (e o que se segue) corresponde exactamente (repito: exactamente) ao que penso há muito e tiro-te o chapéu por saberes dizê-lo como dizes. Candidato seja ao que for, opinador seja do que for, mas que me venha com linguagem de relvado ou de balneário para ver se eu entendo pode ter a certeza absoluta de uma coisa: comigo é que não conta. E só não me tem à perna se eu não puder.
Sugiro que lhe dês uma canelada, já que essa linguagem ele vai entender de certeza…
🙂
Ana, mas que surreal deve ter sido essa apresentação, que não vi, e para ser franca não estou a ver bem quem é o senhor. Linguagem de futubullez, misturada com pulitiquez? mas que grande desatino, livra!
Surreal é a palavra certa, Ariel. Tudo girou em volta do futebol, mas não me cheira que vá ter o estádio cheio… cá para mim, começou logo com um auto-golo.
🙂
Com o pé que tinha mais à mão.
Tudo muito fraquinho, na verdade, Ana. A um primeiro olhar, tudo parece muito bonito, mas reparando-se melhor, a bola é de plástico, a relva é artificial, e até a baliza é daquele alumínio de 3ª categoria.
Liga dos Últimos, sem qualquer sombra de dúvida.
Eu diria mesmo matraquilhos, Luís…
Já lhe tinha dito que adoro a forma como escreve e expõe as suas ideias?
Aqui está mais belo exemplo.
Entra de pantufas, com jeitinho, doce, para desancar logo de seguida, com luvinhas de pelica.
É lindo.
Estamos realmente todos fartos de cromos da bola.
Mais um não, por favor.
Obrigada, Toze! Apanhou-me: nada me dá mais gozo do que “desancar” com luvas de pelica… mea culpa.
E convém não esquecer, Ana, que o dele é um discurso «dirigido», porque é óbvio que a linguagem é estranha para muitos ouvidos femininos. Por todas as razões que invoca e mais esta, reclamo já cartão vermelho para o jogador! 😉
Concedido, Luísa! E fica castigado por mais vinte jogos.
Grande golo, Ana.
:)))
🙂