Rasgos (14)


Ana Vidal,

Eu sei, eu sei. Vinte minutos de video, em tempo blogosférico, são uma verdadeira eternidade. Mesmo assim, arrisco pedir-vos que reservem vinte minutos do vosso dia (pode até ser no fim-de-semana que aí vem) para o verem e ouvirem na íntegra, porque cada um desses vinte minutos merece a vossa atenção. Deixo-vos o desafio. E depois digam-me lá se eu não tinha razão.

 

(O video tem legendas em português. O pior é que traduzem até os risos do público. Enfim, não há bela sem senão…)

 

 

 

Adenda 1 (26/03/2010): Será que ninguém reconheceu, neste maravilhoso prelúdio de Chopin, o lado B do “Je t’aime, moi non plus”, cantado (ou, mais exactamente, miado) pela bela Jane Birkin? Não disse nada para ver se alguém se lembrava, mas já vi que não…

Enfim, reconheço que o lado A era avassalador de mais, sobretudo nessa época, para que alguém retivesse na memória qualquer outra canção do disco. Mas essa canção era esta mesma peça de Chopin.

 

Adenda 2 (27/03/2010): Depois de muito procurar no Youtube… encontrei-a!!! Chamava-se Jane B, simplesmente. Ora oiçam:


28 comentários em “Rasgos (14)”

  1. As legendas brasileiras são feitas para certas figurinhas inchadas que andam por aí perceberem o que são palmas, um piano, notas musicais, risos, etc., mas as legendas de Benjamin Zander nas peças musicais são lições.

    Lembro-me também de Santana Lopes, que gostava muito dos violinos de Chopin – obviamente pela falta de uma legenda que dissesse “piano”.

    Maestro e pianista, Zander tem um trabalho marcante numa orquestra notável e que considero das mais abertas à versatilidade musical: a Orquestra Filarmónica de Boston. Salvo erro, foi com ela que James Taylor (sim, o do ‘You Got a Friend’) deu um concerto fabuloso nos anos 90.

    Às vezes, vinte minutos passam num estalar de dedos, mesmo na blogosfera. Este vídeo faz bem à alma, Ana.

    1. Zander é um músico extraordinário, tão apaixonado pela sua arte e tão generoso que não se cansa de partilhar esse prazer com o mundo. Com palavras simples e acessíveis a todos, como se vê neste video.
      Já que falas em versatilidade musical, lembro aqui Nigel Kennedy, outro músico (violinista) fabuloso que tanto toca primorosamente Vivaldi ou Paganini como participa em bandas sonoras e gravações de música dita “ligeira”. Trabalha muito com Paul McCartney, por exemplo. Um concerto dele, ao vivo, é uma experiência inesquecível.

      1. Parece qua há mesmo um ou dois “providenciais” concertos de Chopin para violino, João, mas tão pouco conhecidos do público não erudito que não pode ter sido de propósito a referência…

        1. Não foi mesmo de propósito, Ana, como no dia seguinte se percebeu (já não me lembro como). Armar-se é que foi de propósito, porque parece que as mal conhecidas peças de Chopin para violino não passam muito nos bares de madrugada…

      2. Benjamin Zander, Nigel Kennedy, Leonard Bernstein – músicos de grande talento e capazes de transmitir a música pela fala, ao jeito dos extraordinários concertos ‘promenade’ de boa memória.

        1. Certíssimo. É pena que não haja, actualmente, um programa desse género transmitido num país onde reina a música pimba e onde se acredita piamente que coisas do tipo “Amália Hoje” são… música.

      1. Se ficou. Um sorriso daqueles prolongados. Até acho que não fui rigorosa. Devia ter escrito: hoje aumentei o meu dia 20 minutos.

        :))))

          1. Claro que pode, Ana. Maningue longe: Maputo e arredores.

            Espero que chegue aí um calorzinho bommmmm

            :)))

  2. Fez-me vir à memória os fantásticos «concertos para jovens», da NYSO, dirigida pelo maestro Leonard Bernstein, que a nossa RTP passava quando eu era miúda. Um «cheirinho» aqui:
    http://www.youtube.com/watch?v=_B1gQRwVzKE
    Que saudades!…

    E lembrou-me também as saudades que volta e meia me «batem» dos tempos em que me cabia iniciar os novatos nos «mistérios» do meu ofício, e da extraordinária sensação que era olhar para uma plateia e ver acender o brilho nos olhares. Enfim… como dizia a outra, «isso agora não interessa nada» … 🙂

    Gostei muito de ver. Obrigada!

    1. Lembro-me muito bem desses programas do Bernstein, Nicolina. Eram momentos mágicos, que contribuiram muito para o gosto que tenho hoje em dia pela música clássica. Porque, como este vídeo também nos demonstra, é preciso entender primeiro para poder gostar depois.

      1. Não reparei, confesso. Acontece que a memória que guardo destes «concertos para jovens» é muito viva, porque eu era pequena, a quantidade de televisão que via era muito pouca, e nunca mais voltei a assistir a algo semelhante, nem sequer os «Promenade», que eram descontraídos mas não eram propriamente didácticos, ou pelo menos não com a profundidade dos «concertos para jovens». Há uns tempos apercebi-me que foram editados em CD. Encontrei-os na Fnac, por um preço proibitivo (julgo que cerca de 120 euros), depois procurei na Amazon, mas a diferença não era grande e desisti. Volta e meia consolo-me no You tube.
        A escolha do «Petrushka» também não foi inocente, porque me recordo de ter visto, primeiro, o programa do Bernstein, depois, mais tarde, na Gulbenkian, o bailado, pelo saudoso Ballet Gulbenkian, com o Armando Jorge no papel principal.

        A Ana tem toda a razão: para gostar é preciso começar por entender. Aliás, não é assim com tudo?

        1. Não podia ter reparado, Nicolina. O meu comentário é posterior ao seu, só que parei lá em cima para escrever antes de ler o resto por aqui abaixo. E concordo consigo no que diz.

  3. Depois de ler as referências do João à qualidade das legendas em ‘brasileiro’, nem sequer tive coragem para as ler e preferi ouvir apenas o original em inglês que, aliás, é relativamente acessível e claro. Este homem é extraordinário e a comparação com o inesquecível Leonard Bernstein, (para quem teve a sorte de o poder ver) é inevitável, como já acima várias pessoas comentaram. Vinte minutos bem passados a ouvir alguém que ama e sabe explicar como poucos a música clássica e que, além disso, sabe também fazer uma espécie de ‘standup comedy’ de alta escola e com um humor impecável. Obrigado, Ana, por estes 20 minutos bem passados.

    1. Eu já o tinha guardado há algum tempo, mas acho que anda a circular outra vez. Claro que também acho que, coisas deste nível, quanto mais circularem, melhor!

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