O meu post anterior não foi muito bem compreendido e regresso ao tema. Um conflito não é necessariamente assunto para escolher barricadas ou para aplicar interpretações ideológicas. Em relação a Gaza, pergunto-me onde estão os pacifistas, os moderados, os cristãos? Nas últimas semanas assistimos a um massacre sistemático de civis, mas quem critica estas acções é logo acusado de ser amigo de terrorista ou antissemita.
Como escrevi antes, dois milhões de pessoas não podem sair de uma estreita língua de território, onde não há comida, água ou energia. As populações estão a ser bombardeadas nos mesmos locais para onde fugiram seguindo as instruções do próprio exército israelita. Morrem centenas de inocentes diariamente e a operação militar visando a destruição do Hamas está apenas a criar o próximo monstro que vai ameaçar o futuro de Israel.
Ao longo da história recente, as sucessivas derrotas do lado palestiniano apenas provocaram a radicalização da geração seguinte. Do outro lado, a primeira geração política do Estado israelita teve de lutar pela sobrevivência, a segunda conquistou um espaço de segurança e a terceira conseguiu a hegemonia regional. Também houve a derrota no Líbano que mostrou os limites dessa terceira política, que só agravou o problema dos palestinianos sem destino.
A reacção ao ataque terrorista de 7 de Outubro visa essencialmente a inviabilização da vida em Gaza. Se for impossível habitar aquele local, as pessoas terão de ir para outro sítio. Isto chama-se limpeza étnica. Conduzida pelos partidos mais extremistas de Israel, a nova estratégia vai criar ódios ainda mais fortes do que os anteriores. Não os podem matar a todos e vemos isto na expressão naufragada de sobreviventes que olham os escombros sob os quais estão as suas famílias.
Estamos a falar de famílias inteiras exterminadas para garantir que se apanhou um único membro do Hamas. Israel é um Estado e pertence à comunidade internacional, não pode ignorar regras humanitárias. Atacar hospitais, escolas ou templos? Destruir bairros inteiros com as pessoas lá dentro? Impedir a passagem de comida? Como será o futuro? O território vai ser arrasado? Limitar estas atrocidades não é uma questão ideológica, mas de simples humanidade.

















