A divisão capitalista


Luís Naves,

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Uma em cada três nações do mundo está sujeita a sanções económicas dos países ocidentais que mandam no sistema capitalista. Apesar dos efeitos limitados, a proporção triplicou em 30 anos. As sanções eram dirigidas contra países pequenos e nunca derrubaram regimes, mas a guerra da Ucrânia desencadeou uma tempestade contra a Rússia, o maior alvo de sempre desta estratégia. Desta vez, muitos países alarmaram-se com a vulnerabilidade das suas riquezas estacionadas em bancos da América ou da Europa. A administração Biden parece obcecada em estabelecer uma ligação entre sanções e democracia, penalizando quem recuse liberalizar as suas sociedades, incluindo aliados. A facção que controla a política externa americana procura até impor ideias sobre género que horrorizam os governos mais tradicionalistas. O mundo está a ser dividido entre democracias e autocracias, entre G7 e a rebelião de protesto dos BRIC’s, entre Davos e o resto. O ouro valorizou quase 20% nos últimos seis meses e as ditaduras estão a diversificar as suas finanças, mas o eventual declínio do dólar levará anos. Por outro lado, as sanções atingem as populações pobres e criam ressentimentos que as lideranças autocráticas têm relativa facilidade em manipular a seu favor.

imagem, Night Café, IA

11 comentários em “A divisão capitalista”

  1. Finalmente no bom caminho. Não dá para conviver com determinadas coisas. Ou jogam o jogo do ocidente ou então façam o que quiserem para lá dos portões — mas depois não venham cá bater à porta. Não há compromissos. Não há Marcelos em países a sério.

  2. Se é “..protestos dos….” dos países Brasil, Rússia, Índia, China… então no plural é BRICs, se é com a ideia dos protestos pertencerem ao BRIC…então é como em inglês e será “…protestos BRIC’s..” sem o ‘dos’. BRIC’s quer dizer pertencer/ser ao BRIC e não o plural do acrónimo BRIC.
    Julgo que a ideia é “…rebelião e protesto dos países Brasil, Rússia, Índia e China…” e não a ideia de rebelião e protesto realizado pela Organização desses países.

  3. penalizando quem recuse liberalizar as suas sociedades

    O problema é que, com estas sanções, o mundo está de facto a ficar cada vez MENOS liberal. Cada vez há menos liberdade económica. Os países que anteriormente eram mais liberais, como os EUA e a Europa, são agora expoentes do iliberalismo, suprimindo cada vez mais a liberdade económica.

  4. o eventual declínio do dólar levará anos

    Anos sim, mas não décadas. A China anunciou recentemente que em 2022 mais de metade do seu comércio externo foi realizado em yuans, e já não em dólares. E a Rússia já hoje vende todo o seu petróleo e gás natural em rublos.

  5. Confesso que teria dificuldade em listar os países ocidentais que mandam no sistema capitalista. É que eu sei de boa fonte que existe o império norte-americano, o que deixa pouco espaço para outros países mandarem.
    Teria razão a ponderada fonte que também me aconselhou a ler outras coisas.

  6. o capitalismo de estado limita-se a fazer estragos. o outro nem tanto.

    MEDIOS DE COMUNICACIÓN – ¿AL SERVICIO DE QUIÉN?
    Jesús González Pazos

    Joseph SCHUMPETER (1942); Capitalisme, socialisme et démocratie
    La doctrine marxiste; le capitalisme peut-il survivre ?
    Le socialisme peut-il fonctionner ?
    Socialisme et démocratie

  7. Nunca ficam claros os males do capitalismo em regimes democráticos.
    Ora é o liberalismo que permite não capturar lucros ditos excessivos.
    Ora é o não liberalismo que aplica sanções económicas que penalizam a liberdade em mobilizar trabalho infantil ou escravo.
    Ora … sempre podem usar o chavão da ‘não igualdade’ que é de uso tão seguro quanto é seguro que a igualdade é tanto inalcançável como indesejável.

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