Paulo Tunhas*


José Meireles Graça,

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Paulo Tunhas era um dos nossos, e por isso o convidámos (a Oficina da Liberdade) para fazer uma conferência no Porto. Muita gente, muito interesse e muito encanto – não era possível deixar de lhe apreciar a simplicidade, a vasta cultura que sem querer deixava transparecer e a agudeza de espírito que o levava a ver as coisas por baixo das coisas.

Prefaciou o livro de Carlos M. Fernandes “Vai ficar tudo mal” e tem um ensaio no a publicar “Polarização – Ensaios de história, filosofia e teoria política”, além da vasta obra que a notícia da sua morte refere.

Dos nossos, os que liam religiosamente a sua coluna no Observador. Também dos outros, os que, partindo de pressupostos diferentes para moldar as suas convicções, lhe reconheciam a superioridade intelectual e a incapacidade para ser banal, superficial ou odiento.

Na minha cidade almoçámos uma vez. Um grupo improvável – ele, Sérgio Sousa Pinto, Francisco Assis, Sebastião Bugalho, João Bianchi e eu, por ser da terra. Conversa ao correr da pena, Paulo tinha a lhaneza de trato e a despretensão de quem era, à falta de melhor palavra, civilizado.

Nos cemitérios há, ao contrário do que se diz, pessoas insubstituíveis. Sem ele, não vamos pensar melhor.

 

* Publicado no Observador

14 comentários em “Paulo Tunhas*”

    1. “Nada sucede à choldra”, dizes tu, xarneca.
      E olha que é verdade! Tu, por exemplo, continuas vivo(a), nada te acontece, Se tivesses valor, como o nosso Tunhas, já tinhas, também, marchado. Mas não – nada te acontece. Pertencerás tu à choldra?

  1. Já o conhecia desde a publicação de textos,no Público se não erro, em conjunto com outro filósofo célebre Fernando Gil.

  2. Descobri-o através dos seus textos de opinião no Observador, dos quais subscrevi o alerta para não deixar nenhum para trás. Apreciava ser surpreendido com os ângulos de observação com que sempre nos conseguia surpreender. Em poucas frases mostrava-nos o óbvio, que era invisível até que ele o revelasse.
    Perdemos essa singular capacidade que ele tinha, assim como, os textos que ainda não escrevera. Ficamos com os outros que agora se tornam ainda mais valiosos.

  3. Eu lia religiosamente a sua coluna no Observador — não há muita gente a pensar assim, com uma erudição precisa e cristalina e portanto com uma argumentação praticamente insuperável. Descanse em Paz.

  4. Este Tunhas já lá está na terra da verdade. É bom para todos – já não conspurca o nosso mundo e pode manter animados diálogos com o chanceler Adolfo, o Nixon e o Bush, acerca da praga do comunismo! Que a terra lhe seja bem pesada!

    1. Hesitei em aprovar este comentário, que é estúpido, cruel, insensível e outros adjectivos pouco lisonjeiros. Acredito porém que Paulo Tunhas o aprovaria – ele era excepcionalmente tolerante, e a verdadeira tolerância abrange os intolerantes. Eu nem por isso, razão pela qual lhe recomendo regresse ao esgoto de onde saiu e não ponha mais os pés aqui.

    2. Que a morte de Paulo Tunhas fosse um alívio para alguns esquerdentos, era inevitável. mas que um nojento aqui viesse bolsar, era dispensável.

    3. Ter um comuna a rogar pragas e a regozijar com a morte do Prof. Paulo Tunha só reforça o seu legado, que infelizmente só conheço dos artigos de opinião. Diria é quase uma honra…

  5. Só o conheci através do Observador, e fiquei tristíssima com a notícia. Fazia-me mesmo pensar, nunca era óbvio, nunca era fácil e nunca se agarrava ao factoide da semana.

  6. Lia-o religiosamente no Observador e sempre depois de ler todos os outros comentadores desse dia, para ficar com uma recordação final positiva.
    Como deixei na caixa de comentários do Observador o que mais me impressionava em Paulo Tunhas era a clareza, a boa fé dos filósofos como dizia um lente de Coimbra.

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