Um assunto difícil


Luís Naves,

O meu post anterior não foi muito bem compreendido e regresso ao tema. Um conflito não é necessariamente assunto para escolher barricadas ou para aplicar interpretações ideológicas. Em relação a Gaza, pergunto-me onde estão os pacifistas, os moderados, os cristãos? Nas últimas semanas assistimos a um massacre sistemático de civis, mas quem critica estas acções é logo acusado de ser amigo de terrorista ou antissemita.

Como escrevi antes, dois milhões de pessoas não podem sair de uma estreita língua de território, onde não há comida, água ou energia. As populações estão a ser bombardeadas nos mesmos locais para onde fugiram seguindo as instruções do próprio exército israelita. Morrem centenas de inocentes diariamente e a operação militar visando a destruição do Hamas está apenas a criar o próximo monstro que vai ameaçar o futuro de Israel.

Ao longo da história recente, as sucessivas derrotas do lado palestiniano apenas provocaram a radicalização da geração seguinte. Do outro lado, a primeira geração política do Estado israelita teve de lutar pela sobrevivência, a segunda conquistou um espaço de segurança e a terceira conseguiu a hegemonia regional. Também houve a derrota no Líbano que mostrou os limites dessa terceira política, que só agravou o problema dos palestinianos sem destino.

A reacção ao ataque terrorista de 7 de Outubro visa essencialmente a inviabilização da vida em Gaza. Se for impossível habitar aquele local, as pessoas terão de ir para outro sítio. Isto chama-se limpeza étnica. Conduzida pelos partidos mais extremistas de Israel, a nova estratégia vai criar ódios ainda mais fortes do que os anteriores. Não os podem matar a todos e vemos isto na expressão naufragada de sobreviventes que olham os escombros sob os quais estão as suas famílias.

Estamos a falar de famílias inteiras exterminadas para garantir que se apanhou um único membro do Hamas. Israel é um Estado e pertence à comunidade internacional, não pode ignorar regras humanitárias. Atacar hospitais, escolas ou templos? Destruir bairros inteiros com as pessoas lá dentro? Impedir a passagem de comida? Como será o futuro? O território vai ser arrasado? Limitar estas atrocidades não é uma questão ideológica, mas de simples humanidade.

25 comentários em “Um assunto difícil”

  1. mais um categórico post
    a argumentação de a população atingida e o bombardeamento de hospitais seram ‘escudos do Hamas’ é uma desculpa racista.

  2. “Limitar estas atrocidades não é uma questão ideológica, mas de simples humanidade.” Pois claro!

  3. Porque no fundo, no fundo, a questão é outra: o Islão e a Europa, as comunidades muçulmanas.
    Se querem combater a “ameaça” muçulmana na Europa podem começar por aumentar a natalidade. Caso contrário, ou importam migrantes ou a eutanásia passa a ser obrigatória, tipo, como dizia alguém, regulador da velhice.

  4. Sinceramente estamos um pouco fartos de Gaza. E qdo vemos por essa europa fora milhões muculmanos aos gritos de intifada global, morte aos infiéis, o Islão vai conquistar o mundo etc ainda mais fartos ficamos.

    1. estamos um pouco fartos de Gaza

      Quem é que está? Quando escreve “estamos”, refere-se exatamente a quem?

      vemos por essa europa fora milhões muculmanos aos gritos de intifada global, morte aos infiéis, o Islão vai conquistar o mundo

      Eu por essa Europa fora não vejo ninguém a gritar tais coisas. “intifada global”?! Quem grita isso? “morte aos infiéis”? Quem diz tal coisa?

      1. Eu por essa Europa fora não vejo ninguém a gritar tais coisas. “intifada global”?! Quem grita isso? “morte aos infiéis”? Quem diz tal coisa?

        Muito manifestantes Islamicos e Socialistas em Inglaterra é só procurar.

  5. muita gente não compreende e ou não quer compreender que a uma Ação segue sempre uma Reação. um verdadeiro ciclo vicioso e viciado.
    na Jordânia vivem mais palestinianos que jordanos desde o pai do atual REI

    1. O que é que aconteceu quando os Palestinianos tentaram tomar o poder na Jordânia e derrubar o Rei? foram massacrados no Setembro Negro isto depois de claro terem feitos os massacres habituais.
      Quando os Soviético viram que afinal os Judeus não iriam construir um paraíso socialista no Médio Oriente, ajudaram a criar a OLP ainda com restos das alianças do Mufti.
      Suspeito que a OLP teria nascido na Jordânia caso Israel se tivesse alinhado com os Soviéticos.

  6. É uma tristeza que coisas óbvias como as que o Luís Naves escreve tenham objecções, que haja quem ache a matança demente uma coisa aceitável.

    Aparentemente é uma questão de quem a faz.

  7. 1 – A comunidade internacional é a grande responsável pela situação. Cedeu à chantagem dos refens. Deveria ter exigido a libertação, incondicional, de todos os refens, independentemente da idade, sexo ou nacionalidade.
    2 – O Hamas não é um partido político. é um movimento terrorista e, como tal, não lhe interessa o desenvolvimento, o bem-estar ou a prosperidade da população.
    3 – Usa esta mesma população para criar mártires e manter viva instabilidade e o conflito.
    4 – Nenhum vizinho se disponibilizou a abrir as fronteiras, para permitir que a população saísse de Gaza. Nem o Egipto, nem a Jordânia, nem o Libano. Conhecem os problemas que no passado lhes trouxe…
    5 – A rede de túneis estão ocultos e colocados ao longo do território e passam por baixo de escolas, hospitais, locais de culto, etc. O Hamas nunca criou abrigos para a população. Israel (como a Ucrânia) têm abrigos quando as sirenes de ameaça tocam. Para o Hamas, a população é estatística: quanto mais vítimas, melhor.

    João Moreira

    1. João Moreira
      e agora como é que vai ficar com o provável encontro Israel – Hamas para troca de reféns?
      então isso faz-se com terroristas?
      .

      1. Primeiro, não se trata de uma “troca” de reféns, mas de um regresso de reféns. Não há reféns dos dois lados. Os reféns são civis e militares que foram raptados. Estão em cativeiro, se ainda estiverem vivos.
        A “troca”, como lhe chama, vai ser difícil e melindrosa. Os presos são-no de diferentes situações. A troca de um-por-um, não deve ser aceite pelos terroristas. Gostam, sempre, de mais, Nada mais natural para eles: a vida de um cidadão israelita vale não sei quantos mártires!
        Há outras hipóteses, mas os reféns hão-de regressar a Israel, espero que vivos.

        João Moreira

  8. “(…) as pessoas terão de ir para outro sítio. Isto chama-se limpeza étnica (…).
    Leio com respeito o seu ponto de vista. Não releva agora se dele discordo ou não, a fundamentação está, honestamente, apresentada. Mas chamar-lhe “limpeza étnica”, quando a população em causa – se de “palestinianos” se pode de facto tratar – cresce muito robustamente, parece coisa frágil.
    Outros argumentos haverá.
    https://en.wikipedia.org/wiki/Isoroku_Yamamoto%27s_sleeping_giant_quote
    Lembremo-nos disto. Acabou à bomba atómica.
    E mutantis mutandis…

  9. É tão fácil dizer ao HAMAS para entregar os reféns, mas não, bate-se no outro que foi massacrado. Só um cego não vê que o HAMAS não pretende a paz. e por isso retém como moeda de troca.
    Claro que a guerra traz sérios problemas, mas sejamos isentos.

    1. a incursão do Hamas para matar e arranjar reféns, teve como finalidade, exatamente, para troca com os milhares de palestinos presos em Israel, com grande quantidade de menores com penas pesadas.

    1. A matança é devido aos valores do Hamas. Eles explicam-no muito bem no que dizem e escrevem.
      Mas essa é uma parte censurada pelo jornalismo de monocultura neo marxista no ocidente.

      Duvido muito que vocês ainda sejam ocidentais, nunca teriam ganho a 2a Guerra Mundial.
      Aliás a história recente da Europa Ocidental é de derrota em derrota, em 1945 teriam dado as chaves aos Soviéticos não fossem os “broncos” dos Americanos.

      1. Duvido muito que vocês ainda sejam ocidentais, nunca teriam ganho a 2a Guerra Mundial.

        Nem mais. É o que dá martelar relativismo nestas cabecinhas de manhã à noite.

  10. “O meu post anterior não foi muito bem compreendido”
    Foi muito bem compreendido, você quer que o Hamas continue a mandar em Gaza.
    Como quer que Putin mande na Ucrânia e que continue a bombardear a Síria.

    ” Nas últimas semanas assistimos a um massacre sistemático de civis, mas quem critica estas acções é logo acusado de ser amigo de terrorista ou antissemita.”´
    Obviamente acusado, você defende a política do Hamas em relação aos civis.palestinianos
    E aos civis Israelitas também. Tudo aquilo que você defende dá mais poder ao Hamas.

    “se apanhou um único membro do Hamas”
    E uma demonstração de como mente está mais que documentado centenas de ataques de Israel que só atingem uma divisão de um andar ou 2 ou 3 pessoas. Se Israel quisesse destruir Gaza já estaria destruída nas 2 primeiras semanas e não seria preciso enviar soldados.
    Umas meras centenas de km a norte a sua querida Rússia tem desde há vários meses a bombardear Idlib inclusive com bombas cluster, fez algum texto sobre o assunto?

    “Um conflito não é necessariamente assunto para escolher barricadas ou para aplicar interpretações ideológicas.”
    O conflito deve-se a ideologia.
    Incomoda-o que seja exposta a ideologia genocida do Hamas e da Fatah ?
    Porque é que o jornalistas não colocam em primeira página as declarações dos líderes do Hamas?
    Será porque afinal a profissão não tem nada que ver com jornalismo?

    1. O autor deste comentário dispara antes de pensar, presume antes de ler e faz afirmações sem apoio de factos. Como não escrevi nada do que este comentador leu, não vou entrar em discussão.

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