Mulheres do Mundo (3)


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Emily Davison

(1872-1913)

 

Acto de coragem ou acidente? Esta é a pergunta que muitas pessoas ainda hoje fazem quando se fala de Emily Davison, sufragista britânica que iniciou a sua luta em 1906, ao ingressar no Woman’s Social and  Politic Union, fundado por Emmelinne Pankhurst. Foi presa  várias vezes e fez sempre greve de fome.

No dia 4 de Junho de 1913, durante o grande Derby de Epson a que sempre assistia a família real, decidiu  aproveitar a oportunidade para chamar a atenção  da realeza e da alta sociedade britânica para a luta das sufragistas.

Atravessou a cerca de segurança, invadiu a pista de corridas e quando o cavalo Anmer, propriedade do Rei  se aproximou, postou-se à sua frente.

Há quem defenda que o propósito de Emily Davison era apenas agarrar as rédeas do cavalo e fazê-lo parar, mas terá falhado a tentativa, sendo trucidada.

A verdade é que a sua morte a elevou  à condição de mártir, símbolo das sufragistas e feministas.

A mulher portuguesa de hoje é também um símbolo dos anos 60 e 70 do século passado.

Mulheres do Mundo (2)


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Emmeline Pankhurst

(1857-1928)

 

Será  porventura difícil a muitas mulheres portuguesas, com menos de 35 anos, imaginar um mundo sem televisão, ou  o  tempo  em que as mulheres não podiam votar. Não só em Portugal , como no resto do mundo, esse direito só foi alcançado ao longo do século XX ( apenas a Nova Zelândia reconheceu o direito ao voto das mulheres, em 1893) e, na maioria dos países, só depois da I Guerra Mundial

 Foi graças à coragem   de algumas mulheres, que iniciaram a sua luta pelo direito ao voto ( as sufragistas) sujeitando-se a sofrimentos e enxovalhos, que ao longo do século XX os países europeus foram alargando às mulheres esse direito 

 Nessa luta,muitas mulheres se destacaram. Emmeline Pankhurst foi uma delas. Líder do movimento feminista britânico, fundou a Liga para o Sufrágio Feminino em 1889. Com suas filhas, Christabel e Estrella, fundou em 1903 a União Feminina Social e Política (sufragistas). Opondo-se à discriminação das mulheres na vida pública e privada, organizaram acções ( por vezes violentas) contra polícias, ministros e Parlamento, atraindo a simpatia de muitas mulheres que a elas se juntaram.

As sufragistas inglesas consideravam legítimo o uso da violência,  pelo que eram frequentemente detidas e sujeitas a maus tratos, conseguindo assim atrair cada vez mais simpatizantes para a sua causa.

Em 1918, a Inglaterra alargaria o direito de voto às mulheres. Nesta altura, já Emmeline Pankhurst abandonara, desiludida, a doutrina socialista e passara a ser simpatizante dos Conservadores. Será por este partido que será eleita , em 1919, a primeira mulher no Parlamento britânico: Lady Astor. Curiosamente, era americana, país que só viria a reconhecer às mulheres o direito de voto, em 1920.

Em Portugal, o direito de voto só foi alargado a todas as mulheres depois do 25 de Abril. No entanto, esta mulher  votou em 1911. Foi a primeira mulher portuguesa  (e uma das primeiras da Europa) a fazê-lo, aproveitando uma falha na Lei.

Mulheres do Mundo (1)


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Dolores Gomez

(1895/1989)

 

Destacada dirigente do partido comunista espanhol que o mundo ficou a conhecer como La Pasionaria, Dolores Gomez nasceu no país basco em 1895.

Durante a Guerra Civil de Espanha  a sua frase "Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos" foi imortalizada como mote da luta dos Republicanos contra Franco.

Após a vitória de Franco exilou-se na URSS de onde regressou apenas em 1977 para tomar assento no Congresso. Tinha então 82 anos!

Viria  a falecer em Dezembro de 1989, um mês depois da queda do muro de Berlim.

Aqui, a Mulher Portuguesa de Hoje.

Feminino e plural


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A partir de amanhã iniciarei, no Delito de Opinião, a rubrica “Mulheres do Mundo”, que se prolongará até final do mês. É uma forma de me associar à comemoração do dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

“Portugal no Feminino” e “Blogs  no Feminino” são outras duas rubricas que ao longo do mês de Março  poderão ler aqui.

Temos direito à verdade


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Ninguém gosta de viver num país onde o primeiro ministro está constantemente sob suspeita. Recordo que, ainda antes de ser eleito, já os jornais afirmavam que era homossexual e vivia um idílio com um conhecido actor.

Em plena campanha eleitoral, surgiu o primeiro capítulo do Freeport. Depois veio o episódio da licenciatura, das casas cujo projecto terá assinado, embora não fossem da sua autoria, a segunda parte do caso Freeport, a Face Oculta, as tentativas de interferência na comunicação social e a pressão sobre jornalistas.

Não sei se me terá escapado alguma coisa, mas estes casos já seriam suficientes para desejar, como cidadão português, que tudo se esclareça rapidamente. É certo que  algumas das acusações (como a da homossexualidade) existiram apenas na mente fantasiosa de alguns proto-jornalistas que só pretendem vender jornais. É verdade que, até ao momento, não há provas que permitam acusar Sócrates. Ninguém ignora que há jornalistas enfeudados a interesses partidários  que se comportam como vestais, tentando convencer-nos que a sua única preocupação é a descoberta da verdade. Todos sabemos que há agentes da justiça que passam para os jornais informações, cuja veracidade é questionável, que esses mesmos jornalistas dão como fidedignas, apenas porque convêm aos seus interesses.

Nada disto invalida, no entanto, que os portugueses tenham o direito de exigir  saber a verdade sobre a implicação do PM em todos os casos de que vem sendo acusado. A bem da democracia e do Estado de Direito, é urgente que tudo seja esclarecido.

Mas se a Justiça não é capaz de actuar em tempo útil e se deixou enredar numa onda de suspeição, também o julgamento em praça pública reflecte a fraqueza de carácter daqueles que, sem provas, acusam Sócrates e intoxicam a opinião pública com rodriguinhos dialécticos e vitimizações próprias de meninos de escola mimados.

O PSD recusou a proposta do BE para a criação de uma Comissão de Inquérito. Preferiu tratar do assunto na Comissão de Ética, transformando a AR num circo, por onde passou  gente sem qualquer credibilidade, que apenas aproveitou o palco para se vitimizar e dar espectáculo. Algumas das pessoas que por lá passaram merecem-me menos crédito do que alguns criminosos ou proxenetas. Não dou qualquer crédito a gente despeitada e imprestável ou que faz do jornalismo uma feira de vaidades.

Felizmente o PSD recuou e acabou por aceitar a proposta do BE. Vem aí uma Comissão de Inquérito Parlamentar. Contra todas as (minhas) expectativas, o PS vai votar contra. 

A bem da verdade e da higienização deste país, o PS deveria apoiar esta Comissão. Quem não deve não teme. Tentar ocultar eventuais culpas de Sócrates em todo este processo é prestar um mau serviço ao País. Contribuir para o apuramento da verdade, mesmo que isso signifique o fim do seu líder, é um contributo inestimável para a  credibilidade das instituições e a preservação do regime. O país não pode continuar a viver neste clima de suspeição, onde as alcoviteiras  e os Miguéis de Vasconcellos se transformam em actores de telenovela e são elevados à condição de heróis nacionais.

 

Parábola do assédio


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A Joana andava a ser assediada  pelo Chefe. Nunca se queixou à APAV, porque achava piada à situação e sabia que podia tirar dividendos dela. Enquanto permitisse as investidas do Chefe, correspondendo com um sorriso enigmático e aceitasse  um ou outro convite para almoçar, onde permitia  umas carícias,  podia baldar-se à sexta-feira a seguir ao almoço, desleixar um pouco o serviço e até fazer umas gazetas,  para ir até à praia.

O Chefe, porém, jogava em mais do que um tabuleiro e começou também a assediar a Mariana. Só que Mariana reagiu de forma diferente… Em vez de se aproveitar da situação, avisou- o  de que não tolerava os avanços. O  Chefe insistiu e  ela apresentou queixa à APAV.

Numa tentativa de conciliação, o Chefe prometeu promovê-la e acabar de vez com o assédio.

Quando Joana  soube da história, decidiu também apresentar queixa. 

Alguns colegas elogiaram a sua coragem e apoiaram-na. Outros deixaram de lhe falar e acusaram-na de ser oportunista.

 

Num café à beira da estrada…


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Depois de ouvir  Paulo Rangel (e o seu mandatário Mário David) denegrir o nome de Portugal  no PE e depois da intervenção miserável de MFL, ontem, num almoço com a câmara de comércio luso- francesa, pergunto-me qual será a vantagem para o povo português de trocar o PS pelo PSD.

A pergunta ganha mais sentido quando falo com esta gente alentejana e estremenha, alheia ao que se vai passando na AR (com excepção da cena circense de uma t-shirt protagonizada por um tipo que gosta de escrever sobre palhaços). Para além dos problemas que vai sentindo no bolso e no estômago, o que preocupa esta gente não são as discussões sobre quem governa, mas sim se o modo como governa  lhes assegura um futuro melhor. 

Paro num café de estrada quando a noite começa a cair. Há rostos fixos no televisor, sorvendo as imagens da tragédia da Madeira. São rostos de desalento, onde está estampada a solidariedade com a dor dos madeirenses. Quando o pivot começa a falar do caso Face Oculta e das audições na AR, os homens  pedem cervejas e voltam a jogar às cartas. As  mulheres saem em debandada.  Sou agora o único atento ao televisor. Ouço alguém dizer atrás de mim. “Isto agora já só vai dar notícias para os gajos de Lisboa”.

Pois é…  a maioria dos “gajos de Lisboa” ainda não percebeu a origem e os interesses que se escondem por trás  dos  ataques ao PS e a Sócrates.

 

Siga a rusga…


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 "Eu sei que, neste momento, Mário Crespo é uma das vítimas da liberdade e que nessa qualidade deve, segundo alguns teóricos, ser alvo da solidariedade de todos quantos não estão "vendidos" aos interesses do engº Sócrates. Ora, eu não estou, nem nunca estive "vendida" aos interesses do engº Sócrates, mas considero que a actuação de Mário Crespo na Comissão de Ética foi um exercício deplorável que enxovalha o jornalismo e a Assembleia da República. Um exemplo, como já disse, da histeria que hoje em dia reina em Portugal."

( Constança Cunha e Sá no CM hoje)

 

Entretanto, Sócrates não será constituído arguido no caso Freeport e da Madeira chegam estas notícias contraditórias. 

Bolas para o pinhal


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Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou o “sentido de Estado” de Sócrates face à tragédia da Madeira. Hoje, Alberto João Jardim enalteceu a cooperação do governo e a atitude solidária do PM. Talvez se safem de ser acusados de socráticos.

Igual sorte não terá, provavelmente, Miguel Sousa Tavares. No primeiro “Sinais de Fogo”, que assinala o seu regresso ao jornalismo, entrevistou Sócrates. Foi incómodo, sem ser petulante; foi agressivo sem ser malcriado; mostrou que se pode fazer jornalismo sem uma chibata na mão; foi jornalista e não justiceiro.

Muita gente não lhe vai perdoar. Há  quem não admita que as pessoas pensem pela sua cabeça. Há quem gostasse de ver Miguel esmagar Sócrates. Ele apenas cumpriu o seu papel de entrevistador. Fez as perguntas, ouviu as respostas, contra argumentou e deixou as pessoas tirarem as suas conclusões. O bom jornalismo é assim.

 

O menino prodígio


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Embora a  escolha do novo líder do PSD esteja nas mãos dos seus militantes, o assunto interessa a todos os portugueses, já que o vencedor será muito provavelmente, a breve prazo, o futuro PM de Portugal. Salvo qualquer surpresa de última hora, a luta será entre três candidatos e  Castanheira de Barros.

Paulo Rangel já demonstrou ser tão troca-tintas como Sócrates. Pedro Passos Coelho é, na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, uma versão de Sócrates, mas para pior.  Sobre Aguiar Branco ainda não se ouviram críticas. Terá o necessário apoio dos militantes para vencer este menino prodígio?

Madeira: na hora do rescaldo


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Durante meia dúzia de anos (entre 1979  e 1985, se a memória não me atraiçoa) razões profissionais  obrigaram-me a ir à Madeira em Janeiro ou Fevereiro, durante duas ou três semanas por ano. Pude, durante esse período, acompanhar o desenvolvimento inicial da ilha e afeiçoar-me ao território e à sua  gente. A tragédia de ontem marcou-me, por isso, de forma muito profunda.

Passaram cerca de 20 anos até voltar à Madeira. Espantei-me com o seu desenvolvimento, mas não deixei de dar ouvidos a  alguns ambientalistas que me alertaram para atentados ambientais que prenunciavam a eventualidade de uma catástrofe de proporções muito superiores às de 1993.

Aconteceu ontem. Infelizmente.

Não é altura de fazer recriminações, mas também não podemos fazer como a avestruz e fingir que o que se passou ficou a dever-se, apenas, à chuva excessiva. Catástrofes semelhantes vêm ocorrendo com frequência em vários pontos do globo, afectando especialmente as zonas costeirasde forte crescimento turístico. Como vêm avisando há quase 20 anos vários cientistas prémios Nobel, estas catástrofes tornar-se-ão cada vez mais frequentes, mais violentas e localizadas. Uma das causas é o aquecimento dos oceanos, outra é resultante da actividade humana.

Não é momento para criticar o crescimento desordenado do Funchal, mas também não é altura para exigir a quem foi perguntado sobre o assunto (como um dirigente da QUERCUS) que se cale e esconda a verdade.

Não é o momento para tentar tirar dividendos políticos de uma tragédia, como o próprio AJJ fez questão de salientar. Atacar Jardim e o governo da Madeira por ter ignorado as Leis da  Natureza é tão pornográfico como criticar Sócrates pelo facto de não se ter deslocado de imediato à Madeira, ignorando que não o podia fazer, porque o aeroporto do Funchal estava encerrado.

É no entanto o momento oportuno para reflectir no que se passou e tentar tirar algumas ilações sobre o que se passa na nossa orla costeira, para evitar catástrofes anunciadas. O temporal nas vésperas de Natal na Região Oeste foi um aviso para alguns perigos que corre a costa portuguesa, se não arrepiarmos caminho no desenvolvimento acéfalo e dominado apenas pelo lucro, ignorando as Leis da Natureza.

É altura de pensar nos crimes ambientais que se cometem à sombra dos PIN (Projectos de Interesse Nacional) criados pelo governo de Sócrates, para alimentar o lucro sôfrego de alguns investidores na área do turismo e da indústria.

É o momento certo para repensar os Planos de Ordenamento da Orla Costeira. É chegada a altura de não ter medo. Urge derrubar construções clandestinas, em vez de permitir que sejam elas a derrubar membros do governo que desenvolveram exemplarmente as suas tarefas em prol do ambiente. Está na hora de impedir a construção de unidades hoteleiras, centros comercias, ou complexos turísticos em zonas que ocupam os leitos de rios e ribeiras, comprimindo-os de tal maneira, que um dia acabam por se revoltar  .

O que sucedeu nos últimos dias no Algarve é, apenas, um alerta para o que poderá ocorrer, a curto prazo, em toda a costa portuguesa, onde a construção clandestina e desordenada ameaça seriamente o futuro.

A incúria dos homens  tem exercido também um papel relevante na destruição, e sobre isso falarei num próximo post.  Por agora, apenas me permito lembrar a importância de ter um serviço público de rádio e televisão.

Eles não receiam o regresso da Censura


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Afinal, parece que há por aí muito boa gente, incluindo grandes jornalistas e cronistas críticos de Sócrates, que não está nada preocupada com o eventual regresso da Censura. Este fim de semana, a imprensa revelou alguns:

Oito passos em direcção ao fim

“… a liberdade de imprensa não está em perigo em Portugal. Obviamente. Quem o diz, quem organiza petições on line  e manifs, nunca antes, quando o perigo real existiu, se fez ouvir. Não há um único grande jornalista português que ande por aí aos gritos em defesa da liberdade pretensamente ameaçada. Não conheço ninguém que não diga e não escreva o que quer e que não tenha uma tribuna para ser escutado.(…)

Convém, pois, não confundir liberdade  com irresponsabilidade,não confundir vaidades individuais , desejos de protagonismo e aproveitamentos políticos com a situação real, como um todo”

(Miguel Sousa Tavares, Expresso)

 

Sobre a liberdade de imprensa e algumas coisas mais

“Quem diz que não há liberdade de Imprensa em Portugal ou é mentalmente indigente ou está a ser o serventuário de uma estratégia política repugnante. Os nossos problemas são outros e muitíssimo mais graves…”

(Baptista Bastos, Jornal de Negócios)

 

Sócrates no bunker

“…Escutar o telefone do próximo, por muito necessário que seja, é uma ideia que me repugna. E publicar a seguir o que se ouviu, ou foi ouvido, não me parece admirável, mesmo para defesa da democracia ou da limpeza pública”

( Vasco Pulido Valente, Público)

 

A caixa de Pandora da República

“…Uma coisa são pressões, manobras, lutas de influência, disputas localizadas, outra construir uma imponente teoria de um "crime contra o Estado de Direito", com vista ao controlo da Comunicação Social na sua globalidade. Esta ideia é paradoxal. As mesmas forças que desencadeiam a poderosa campanha de opinião em curso consideram que já não existe liberdade de expressão. Num sistema mediático em que predominam a direita e o centro-direita, as forças dominantes dizem-se "asfixiadas". A suposta "asfixia" exprime-se em uníssono num coro (quase) sem dissonâncias(…)"

( Mário Mesquita, JN)

 

Brancura virtuosa

“…É sempre bonito ver alguém vestir-se de branco (pois, em atestado de pureza de intenções, elas irão vestidas de branco e eles vestidos de almirante como no poema de Cesariny) para gritar "pelo direito fundamental à liberdade de expressão".

E pode ser um começo e que, um dia, vejamos a mesma gente manifestar-se também por outros direitos fundamentais, como o direito ao trabalho, à segurança no emprego e a uma retribuição condigna ou o direito de todos (a Constituição diz todos) de constituir família e contrair casamento e não ser privado desse direito em razão da sua orientação sexual.(…)”

( Manuel António Pina, JN)

A “bufaria”

“Hoje não se pode estar à vontade num restaurante, porque ao lado pode estar um "bufo" a ouvir a conversa para a ir relatar ao seu tablóide preferido. Até a factura da refeição pode ser útil para o mesmo fim. A privacidade deixou de ter qualquer respeito ou protecção.”

( Marinho Pinto JN)

 

O sol, o polvo e a conversa de chacha

“…Ontem, comprei o Sol. Li as quatro páginas sobre as escutas que me prometiam relatar o polvo governamental sobre jornais e televisão. Mas não estava lá nada sobre o assunto. Não quero dizer que Sócrates não quis dominar a Imprensa. Não digo que o Governo não coma microfones ao pequeno-almoço. Digo é isto: naquela edição do Sol não estava lá nada sobre o assunto. Então, do que falamos?”

(Ferreira Fernandes, DN)

 

O jornalismo não é para meninas

“Dizer que a liberdade de expressão está em causa  em Portugal, é um insulto para milhares de pessoas que, durante quarenta anos, pagaram com a falta de liberdade as suas opiniões. E é uma contradição: é por não haver falta de liberdade de expressão que se conhecem todas as conspirações, possíveis e imaginárias que o actual poder concebeu(…)”

( Nicolau Santos, Expresso)

 

Portugal Amordaçado

“A nossa história recente está cheia de exemplos de tentativas de controlo de órgãos de comunicação social. Existirão sempre enquanto a diferença entre a sobrevivência económica de uma estação de televisão, de rádio ou dum jornal estiver na mão de quem detém conjunturalmente o poder executivo, seja directamente, seja através de empresas públicas (ou aparentadas, por exemplo, as em que o Estado tem golden shares, como no caso da PT) ou de empresas privadas que dependem do Estado para a sua actividade (a grande maioria das empresas portuguesas). Enquanto assim for, independentemente de quem esteja no Governo, andaremos sempre a falar da mesma coisa. Estaremos sempre dependentes da capacidade de um líder conviver melhor ou pior com a inevitável diferença de opiniões e da sua capacidade de controlar os comissários políticos que, tão certo como o destino, ocuparão a máquina estatal e as empresas que efectivamente o Estado controla.”

( Pedro Marques Lopes, DN)

 

Poderia acrescentar mais, mas creio que estas ilustram bem como é manifestamente exagerado o medo do regresso da Censura. Porque a isenção não me tolda o raciocínio, também sou crítico de outras manifs de sinal contrário, igualmente com resquícios de Estado Novo.

Uma lição de vida


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Ontem, numa dessas escolas da vida cujas portas se escancaram para quem quiser entrar, aprendi uma lição que não vou esquecer, porque sempre é melhor estar avisado para as surpresas  que podemos encontrar nas curvas apertadas que se nos deparam no caminho.

Resumindo, a lição foi esta:

Se, numa empresa, um teu colega se disfarçar de cliente e, sob a capa do anonimato, enviar uma  carta para o chefe e outros colegas a caluniar-te, isso é liberdade de expressão.

Se estiveres à conversa com um grupo de colegas, em tua casa ou à mesa do café e, com frontalidade, lhes disseres que não concordas com a estratégia  deles, isso é traição. Logo, a tua frontalidade deve ser alvo de crítica.

A gente aprende cada coisa na vida!

Na próxima semana vou a uma escola chinesa. Não vou lá para denegrir os portugueses. Espero, apenas, aprender lições sobre liberdade de expressão.

Até lá, fico com esta belíssima crónica de um Mestre. Com ele, sim, aprendi grandes lições de vida. Para ele, a democracia e a liberdade de informação nunca foram apenas um jogo de bastidores.

Da liberdade de expressão (2)


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“Chego a concordar que a Censura é uma instituição defeituosa, injusta, por vezes, sujeita ao livre arbítrio dos censores, às variantes do seu temperamento, às consequências do seu mau humor (…). Eu próprio já fui em tempos vítima da Censura e confesso-lhe que me magoei, que me irritei, que cheguei a ter pensamentos revolucionários".

(António de Oliveira Salazar em entrevista a António Ferro (1933)

 

Estes também tiveram pensamentos revolucionários e viu-se o resultado.

Da liberdade de expressão (1)


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Relembro uma cena passada há uns meses, que ilustra bem como algumas pessoas encaram a liberdade de expressão em Portugal.

Uma jornalista em reportagem  disse ao PM : “você não morde, mas rosna e muito…”

Para mim, que sou cota, trata-se de um caso de imbecilidade, de uma jornalista  que desconhece totalmente o que é o jornalismo e o desacredita. Daí não vem mal nenhum ao mundo e, provavelmente, até houve quem se risse muito e aplaudisse a coragem. (Pessoalmente apenas fiquei envergonhado por saber que há jornalistas deste quilate a trabalhar em redacções, mas isso explica bem algum jornalismo que por cá se vai fazendo). Adiante…

Imagine-se, agora, que a mesma jornalista escreve num artigo “O PM rosna e muito”.

O editor tem, obviamente, o dever de lhe cortar essa passagem. Poderá ela queixar-se de estar a ser censurada? É evidente que não… Quando não há bom senso e as pessoas não sabem gozar a liberdade de que usufruem, correm o risco de cometer abusos que, obrigatoriamente, deverão ser cortados cerce. O jornalismo não é para idiotas que pretendem ser protagonistas, mas para profissionais que prezam o rigor e a verdade. O resto é folclore.

Figura da semana (12)


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Numa altura em que Portugal está a ser rigorosamente escrutinado lá fora e as agências de rating, contando com o apoio de Almunia, procuram desacreditar-nos, Cavaco Silva falou. Em defesa do bom nome do país.. Foi um discurso para fora, mas também para dentro. Um aviso àqueles que, cá dentro, na defesa de interesses meramente partidários, insistem na política do pântano.

Mas há outra razão para ter escolhido o PR para figura da semana. A visita à Beira Baixa  foi um momento importante para lembrar ao país que há gente, no inetrior, a desenvolver trabalhos de que nos devíamos orgulhar. Uma comunicação social que não sai de Lisboa e apenas olha para o umbigo, devia prestar atenção às palavras de Cavaco. No entanto, parece estar mais interessada em massajar o ego de alguns cromos. Como o desta semana

Recordar é viver


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Os jornais também servem para avivar a memória. Principalmente de uns quantos que a usam com filtro selectivo,  por onde apenas  passa a informação que o neurónio partidário  regista.

Noutro local onde a canalha anónima e heterónima, que à falta de argumentos recorre à difamação  e à calúnia, não entra  (não sou  tão magnânimo  como alguns companheiros do DO  e corto o pio  a quem  não se sabe comportar  e recorre sistematicamente à calúnia)  já aludira a dois dos casos que aqui são recordados. Esta crónica lembra mais uns quantos, sendo  a sua leitura especialmente  aconselhada a todos aqueles que reduzem a democracia e a liberdade de expressão a uma questiúncula futebolística.  Não creio que o seu comportamento mude, mas sempre lhes fará bem a leitura para perceberem como são ridículos.

Já agora, também podem ler o Vasco Pulido Valente

Adenda:  O maior erro de quem pretende manter o anonimato é utilizar, na escrita, frases que são a sua imagem de marca na oralidade. Outro,  é deixar vestígios que permitam seguir-lhe o rasto, até ser identificado.  

Retratos da pobreza e exclusão(6)


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Sentado à mesa de um café nos arredores do Redondo, Júlio Simões exibe triunfante a “manilha” de copas com que “cobre” o rei, e arrecada a “vaza”. Pega na esferográfica e desenha uma bolinha na extremidade de um segmento de recta, que assinala mais uma vitória no jogo de sueca. O marcador fixa-se nos 4 a 2, é altura de celebrar a vitória com mais uma rodada de imperiais paga pelos derrotados.

A vida de Júlio, 54 anos, não tem sido, no entanto, preenchida por vitórias. Pelo contrário… O destino derrotou-o numa noite em que regressava a casa para passar uns dias com a família, depois de uma viagem à Alemanha.

Rebobina o filme da sua vida numa tarde de sábado, pedindo aos colegas uma pausa para dar uma entrevista. “ Mas olhe que tem de ser rápido, porque eles estão raivosos e querem a desforra”. Cerca de uma hora depois, fica registado no meu gravador que começou a trabalhar aos 19 anos como ajudante de motorista.

( Ler mais aqui)