Bolas para o pinhal


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Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou o “sentido de Estado” de Sócrates face à tragédia da Madeira. Hoje, Alberto João Jardim enalteceu a cooperação do governo e a atitude solidária do PM. Talvez se safem de ser acusados de socráticos.

Igual sorte não terá, provavelmente, Miguel Sousa Tavares. No primeiro “Sinais de Fogo”, que assinala o seu regresso ao jornalismo, entrevistou Sócrates. Foi incómodo, sem ser petulante; foi agressivo sem ser malcriado; mostrou que se pode fazer jornalismo sem uma chibata na mão; foi jornalista e não justiceiro.

Muita gente não lhe vai perdoar. Há  quem não admita que as pessoas pensem pela sua cabeça. Há quem gostasse de ver Miguel esmagar Sócrates. Ele apenas cumpriu o seu papel de entrevistador. Fez as perguntas, ouviu as respostas, contra argumentou e deixou as pessoas tirarem as suas conclusões. O bom jornalismo é assim.

 

34 comentários em “Bolas para o pinhal”

  1. Precisamente, as saudades que eu tinha….de uma boa entrevista a sério.Fazia falta um programa assim.
    Presumo que não vá muito longe, sem sangue, sem circo, sem palhaçada, espero estar errado.Faz muita falta o jornalismo propriamente dito ao “jornalismo” que temos por cá……politicas à parte, ideologias à parte, accionistas à parte, competência e saber num desempenho mesmo profissional.Digo eu….

  2. Também concordo. E estava à espera que fosse mesmo assim.

    Mas pecou por não lembrar, a propósito do estado da Justiça, que foi o PS quem eviltou a Justiça, encomendando artigos à medida dos seus interesses de rabos de palha espalhados por aí e postos a coberto dos novos CP e CPP.

    Ou não?

  3. O bom jornalismo é assim, é verdade. Mas num frente-a-frente há 3 resultados possíveis, não sejamos ingénuos. O jornalismo ganhou? é possível, mas hoje o Miguel perdeu. E Carlos, não o achei nada incómodo. Foi, a meu ver, até bem macio e faltou-lhe aqui e ali, uma astúcia refinada. Não queria ver o Miguel esmagar Sócrates, mas também não era preciso colocar-lhe uma passadeira vermelha…

    1. Desculpe lá, Mike, mas essa da passadeira vermelha, costuma ser mais usada pela Judite de Sousa para receber certos “convidados”. ( Lembra-se quando ela recebeu Dias Loureiro? Só faltou pedir-lhe desculpa por fazer algumas perguntas).
      Concordo que lhe faltou astúcia, mas contra argumentou sempre bem. De forma civilizada. Claro que na questão das escutas ele não estava muito à vontade, porque também se manifestou contra a sua publicação. Posição que me parece natural em qualquer jornalista que preze o jornalismo e não se considere como um daqueles abençoados por Deus, cujo papel na Terra é divulgar a “boa nova” aos cidadãos.

  4. Não aprecio nada o »jornalismo» agressivo e protagonista, que mal deixa o entrevistado desenvolver as suas ideias e só quer opinar. Nesse aspecto o MST esteve bem.
    Mas cometeu «calinadas jurídicas» bem simples para quem tem formação jurídica (nos considerandos antes da entrevista propriamente dita, por ex.) e, sobretudo, não me pareceu ter a lição bem estudada: tinha umas “ideias” sobre os assuntos objecto de interpelação e, por isso, deu demasiada margem de manobra ao PM que, com a lição muito bem estudada como é seu costume saiu, creio, muito fortalecido desta entrevista.

    1. Também concordo que, na primeira parte, não esteve ao seu nível. Pareceu-me demasiado nervoso e inseguro em matérias que ele domina perfeitamente ( como é o caso do aeroporto, por exemplo).
      Quanto à margem de manobra que terá dado ao PM, pareceu-me estratégica e, quanto a mim, fez bem. Deu ao espectador possibilidade de tirar conclusões. Pessoalmente, não creio que Sócrates tenha saído fortalecido. Cometeu dois erros cruciais que a muitos terão passado despercebidos…
      A ideia de que não domina os assuntos, é uma imagem de marca do MST desde sempre. É também um estilo…

  5. Aconteceu o previsivel. MST como outros anteriormente quis encostar Socrates as cordas e acabou KO. Um filme ja visto e repetido. E a que nos vamos assistir mais vezes no futuro.

  6. Continua a pairar uma nuvem negra sobre José Sócrates, é certo. Mas isso permite que as atenções sejam desviadas do que realmente importa, com Sócrates a dar o corpo às balas enquanto os Ministérios (bem ou mal) vão trabalhando tranquilamente. Essa nuvem, sobretudo com a insistência pouca criteriosa a que vamos assistindo, gastar-se-á. E se José Sócrates “sobreviver” a esta fase, voltará em grande força. Enquanto isso, o PSD perde-se em batalhas internas e o Bloco de Esquerda em populismo e sensacionalismo. Resta o CDS, focado em questões centrais, com uma expressão crescente mas ainda assim limitada. Assim, deixo-vos com duas previsões muito pessoais:

    1. Caso este governo seja destituído pelo Presidente da República em breve, José Sócrates voltará a vencer as eleições.

    2. Caso não o seja e o PSD continuar divido e egocêntrico como até aqui, José Sócrates voltará a vencer as eleições.

    Este cenário é bom ou mau para o País? Sinceramente não sei. Mas que o problema reside na falta de alternativas e na falta de elevação do discurso politico, disso não tenho dúvidas.

    No Costa Rochosa (http://costarochosa.blogspot.com/2010/02/o-monstro-esta-de-volta.html).

  7. Concordo consigo Carlos. Compreendo que as pessoas queiram ver ” sangue ” e ” cabelos ” arrepanhados, pessoalmente gosto de ver entrevistas inteligentes, e esta foi, por favor não me falem em impreparação, porque se existe profissional preparado é o MST. È verdade que também estava um pouco nervoso, bolas é um ser humano tem direito a “essas” pequenas coisas, ou não?
    Comparem esta entrevista, com os risinhos tolos do Mário Crespo a seguir, no Sic noticias, parece um patetinha a mandar ” boquinhas”.
    Esta é a enorme diferença entre um bom e mau jornalista, o MST estava lá com as perguntas incómodas que a todos nos passam pela cabeça, não para se gabar, evidenciar, ou brilhar. Para ele se a entrevista for esclarecedora esse é o bónus do trabalho.
    E acho uma palermice a questão da ” passadeira vermelha ” ,até uma perfeita idiotice.
    Um bom programa, um bom retorno, este homem fazia falta.
    Por mim, não vou perder um!
    Aliás, assim tem sido desde os primeiros programas da responsabilidade dele na TV.

      1. Carlos, Carlos…
        Agora vai-nos dizer que criticamos MST porque lhe invejamos o sucesso como escritor?

        Vai-se escandalizar mas o “melhor Sousa Tavares”, o plano mais elevado que ele alguma vez atingiu, foi como director da “Grande Reportagem”.
        Aquela revista, nos anos 90, merece bem ser considerada uma revista de culto, como os filmes clássicos por exemplo. A elegância gráfica, os textos sempre cuidados e magníficos, os temas, as reportagens, a fotografia, a ousadia, a criatividade.

        Nem como escritor MST atingiu esse plano, a meu ver. E como jornalista tem vindo a perder credibilidade, mas isso são percepções mais subjectivas.

        Sei e gosto de reconhecer os talentos, os “melhores de nós”, é aliás um dos meus “hobbies” preferidos.

        1. Vai-me desculpar, Ana, mas onde é que eu enalteci o MST escritor? Por acaso até gostei muito de Equador e Rio das Flores, bem como de alguns livros de viagens, como Sul, mas nunca o elogiei como escritor. Aliás, ele próprio não se considera propriamente escritor, mas sim jornalista. Nunca entregou a Carteira Profissional.
          O que aqui referi foi a sua qualidade como jornalista. E aí, estou à vontade para lhe dizer que há muita gente que o inveja por ser um jornalista acima da média. Além disso, já que saienta a GR, devo dizer-lhe que foi por lá que nasceram algus exceentes jornalistas.

    1. CR, desculpará que lhe diga mas para exprimir as suas opiniões não é preciso chamar idiota a quem não está de acordo com elas. Não houve qualquer deselegância no comentário do Mike que justifique essa agressividade gratuita. Sei que a elegância não é para todos, mas tente manter o nível, está bem?

      1. Está absolutamente desculpada, sabe porquê? porque eu não me sinto minimamente ofendida se alguém discorda da minha opinião, já agora Ana Vidal e Mike é a mesma pessoa?
        E onde entra o choque? na passadeira vermelha?
        acho sim uma palermice (talvez idiotice seja demasiado), e não tenho uma preocupação especial em escrever com elegância, desculpe se estou a ferir susceptibilidades, mas estou a ser sincera.
        E já agora o que é o nivel? rodriguinhos? vou tomar o cuidado de nunca mais me pronunciar a algo do Mike/Ana vidal, se virmos bem o comentário nem era para si.

        1. Eu também não me sinto nada ofendida com discordâncias. Pelo contrário, gosto até bastante de uma boa discussão e os “rodriguinhos” não são de todo o meu género, como sabe bem quem costuma seguir o que escrevo. Mas acho que não preciso de explicar mais nada, se a própria CR reconhece que chamar “perfeita idiotice” a uma opinião diferente da sua foi demasiado. Era a isso mesmo que me referia.
          Quanto à confusão de identidades, esclareço que outro hábito que não tenho é o de assinar com pseudónimos. O Mike é um comentador habitual do Delito e autor do blogue “Desconversa”, que poderá encontrar na nossa barra lateral. Nada mais transparente.
          Está desculpada também quanto à desvalorização da elegância na forma como escreve. É uma opção, claro, embora eu tenha pena de que assim seja. Sinceridade com sinceridade se paga, não é? Acho que nisso nos entendemos muito bem, afinal.

  8. Carlos, sobretudo quando se escolhem os “timings” certos e oportunos.
    Porque se o objectivo era informar os cidadãos, esclarecer os cidadãos, porque é que o MST pensou que finalmente o PM iria começar a fazê-lo precisamente na sua entrevista, se nunca o fez em tempo algum? Se a única coisa que fez estes anos foi propaganda política?

      1. Carlos
        Então deve ser por isso mesmo que Candal, minutos depois, na TVI 24, dizia com ar cândido:
        “O assunto já está encerrado”, “Foi dado o esclarecimento cabal”, “a entrevista foi conduzida por um jornalista conceituado”.
        Vai-me dizer que nada disto foi preparado?

        Claro que cada um agora reflecte sobre o que viu e ouviu e tira as suas conclusões. Mas querer passar a ideia de jornalismo isento…

        1. Não vi as declarações de Candal, cujas opiniões me são, aliás, absolutamente indiferentes.
          Respeito a sua opinião quanto à encenação, mas obviamente discordo dela. Não por Sócrates, mas por saber que MST não se presta a esse papel. E também não vejo a TVI a fazer jeitos a Sócrates.
          Finalmente, gostaria d deixar claro que este post não é uma defesa de Sócrates, mas apenas o elogio do bom jornalismo. Admito que haja quem prefira a arruaça, ou tenha fixações mórbidas,mas esse não é o meu estilo.

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