“Chego a concordar que a Censura é uma instituição defeituosa, injusta, por vezes, sujeita ao livre arbítrio dos censores, às variantes do seu temperamento, às consequências do seu mau humor (…). Eu próprio já fui em tempos vítima da Censura e confesso-lhe que me magoei, que me irritei, que cheguei a ter pensamentos revolucionários".
(António de Oliveira Salazar em entrevista a António Ferro (1933)
Estes também tiveram pensamentos revolucionários e viu-se o resultado.

« penasmentos » ?
Na “mouche”!!
Carlos
Está a falar a sério?
União Nacional só porque une elementos de direita e esquerda? É preferível a divisão por grupos, com fronteiras definidas?
A comparação com Salazar é um argumento muito “déjà vu”.
E o do Pinochet-Allende também não é muito feliz.
Ana
Não é por seer dejá vu que deixa de ser verdadeira, Ana!
Concordo que o do Pinochet/Allende não é muito feliz. Que o digam os familiares dos milhares de mortos, alvo da fúria trauliteira de Pinochet.
Tudo bem, Carlos, mas continuo sem preceber onde quer chegar…
Já reli o post com “a paciência e o vagar” (a propósito da fotografia ali em cima da neve em Washington) e continuo na dúvida:
1- os jornalistas devem achar normal acabarem com um jornal nacional da tvi (só para falar de um exemplo)?
2- os jornalistas devem achar normal um PM criticar publicamente esse jornal?
3- os jornalistas já nem precisam de se preocupar com a liberdade de expressão porque já há liberdade na internet?
4- qualquer manifestação pela liberdade de expressão é inútil e revela histeria porque há liberdade de expressão na internet?
5- ou é simplesmente porque acha que o manifesto é muito “soft” ao referir apenas a “liberdade de expressão”?
Ana
Ana:
Creio que a resposta ao comentário da Ana Vidal responde à suas questões. Caso contrário, estou disposto a fazer mais esclarecimentos
Quer queiras quer não, foste metido no barco. ela-liberdade-3/
Um exemplo entre muitos
http://blasfemias.net/2010/02/08/todos-p
É a vida, Carlos!
Não, maloud… a liberdade de expressão para alguns, pelos vistos, é mesmo isto. Metem tudo no mesmo saco para fazer número… O Botas fazia o mesmo, mas usava autocarros, ou ameaçava quem não fosse com a PIDE.
Nem vale a pena responder-lhes. Já todos sabem que não tenho idade para me deixar entusiasmar por números circenses.
Juro que não percebo o post, Carlos (não estou a fazer ironia, só não vejo a relação). As comparações que fazes no Rochedo a este propósito são, para mim, bastante descabidas.
Um assunto que une esquerdas e direitas, habitualmente tão insolúveis neste país, é bem sintomático de alguma coisa muito grave. E independentemente dos abusos e faltas de educação de alguma comunicação social (que são muitos, concordo contigo), o silenciamento de opiniões incómodas, por parte deste governo, tem sido notório. Não concordas?
Acho que o Carlos tem de concordar.
Ana
Desculpa só agora responder, mas ainda não tinha lido o teu comentário. Vou tentar explicar-te porque não concordo contigo:
1- As comparações não são descabidas e a História demonstra-o. Salazar também se sentiu revolucionário e acabou ditador. Acontece muito, seja à esquerda ou à direita.
2- Desconfio sempre com a união de esquerda e direita. Dou-te vários exemplos. Para além do Chile, também na Argentina e noutros países latino-americanos, (quase) sempre que a direita e a esquerda se aliaram em manifestações, o resultado foi uma ditadura e a morte de milhares de militantes de esquerda, às mãos dos seus “aliados” de direita nas manifs
Aqui em Portugal, também vi a Fonte Luminosa, ou a Av dos Aliados, no Porto, pejadas de gente da extrema direita à extrema esquerda, unidas contra o PCP, no apoio a Mário Soares. Sanada a situação, direita chamou-lhe traidor e a esquerda fascista.
3- Dizer que esta manif congrega esquerda e direita é, desculpa-me, um abuso. Haverá meia dúzia de bloquistas, daqueles que normalmente iniciam a sua vida na extrema-esquerda e acabam no colo da direita ( como o Durão Barroso, por exemplo). A maioria da esquerda repudia o oportunismo.
4- Concordarás comigo, que ver comunistas a pedir liberdade de expressão, já dá um bocado de vontade de rir. Vê-los de mãos dadas com a direita, para o mesmo fim, era de gargalhada, não se desse o caso de ser visível o oportunismo
5- Esta manif não é pela liberdade de expressão. Se o objectivo fosse esse, a direita já tinha tido outras oportunidades de o fazer, como já diversas vezes lembrou aqui o nosso Pedro, a propósito do silêncio do PSD face ao que se passa na Madeira.
6- Eu gostaria de ver a direita e a esquerda unida a fazer manifs para defender melhor saúde, melhor justiça, melhor segurança social, ou a pedir o combate à pobreza, a defender aqueles que têm visto este governo ( e o anterior) roubar aos fracos e mais desfavorecidos, para dar aos fortes e poderosos. No entanto, não vejo. Lembras-te como reagiram muitas pessoas quando os professores saíram à rua na defesa dos seus direitos? Não é preciso lembrar-te, certamente
7- Já o disse aqui várias vezes, Ana, não gosto de Sócrates por diversas razões. Mas não sou parvo. Esta manif não é a favor da liberdade de expressão, porque isso não está em causa, como também diz o Pedro num comentário a um post da AMC. O que está em causa é uma estratégia de poder e a subversão da democracia. Repara que já não pedem apenas a demissão de Sócrates. Querem também a do presidente do STJ e do PGR, porque ele hoje teve a ousadia de dizer que não há quaisquer indícios jurídicos relevantes para acusação de atentado ao Estado de Direito
8- Também acho curioso como os defensores da liberdade de expressão manipulam a informação. Ainda hoje o Blasfémias me incluía nos manifestantes, ao escrever que o delito de Opinião e a Regra do Jogo estariam presentes na manif. Já percebi que no DO haverá alguns ( mas não ceio que sejam a maioria), mas na Regra do Jogo há apenas uma pessoa a participar. O Blasfémias e outros metem tudo no memo saco.
9-Há, obviamente, gente de boa fé que estará na manif, mas há também quem vá lá estar a defender a liberdade de expressão, mas utiliza o anonimato para me difamar e caluniar na caixa de comentários do DO, refugiando-se no anonimato. Como já o descobri, da próxima vez que o encontrar tratarei do assunto à moda do Queiroz. Vais ver como depois de ler este comentário ele vai tentar entrar aqui. Por mim não passará, mas talvez alguém lhe dê cobertura…
10- Há, enfim, uma coisa em que concordo contigo, Ana e disse no meu post do CR. É urgente que o assunto se esclareça, até porque em causa está o PM. Embora não tenha lido nas escutas nada que o implique, temos o direito de exigir um esclarecimento. É isso que espero que a AR faça. As instituições estão a funcionar e são elas que devem deslindar tudo isto. Para a justiça popular e folclore já dei.
( Continua no próximo comentário)
11- Do meu conceito de esquerda democrática, faz parte não só a liberdade, mas também a verdade. E aqui falta em verdade, o que sobra em oportunismo. Quais são as provas concludentes que existem, que possam implicar Sócrates? Afirmá-lo, sem quaisquer provas objectivas é de uma desonestidade intelectual tão grande, que até Águia Branco hoje se referiu ao assunto, embora de raspão. Não alinho numa manif baseada apenas na coscuvilhice e no “achamos que”.
12- Isso não implica, porém, que no momento em que haja provas, não esteja entre os primeiros a alinhar numa manif. A democracia e a liberdade para mim têm demasiado valor, para me deixar enredar na histeria. A propósito: leste a crónica da Constança Cunha e Sá a propósito desta histeria? Ela não é, certamente, uma apoiante de Sócrates…
Peço desculpa pela extensão da resposta, Ana. Não disse tudo, mas amanhã talvez o complete e faça um post sobre o assunto no CR.
Carlos
Li a sua resposta à pergunta da Ana e respeito a sua opinião, como é evidente.
Já viu como a sua desconfiança à partida em relação a movimentos que englobem esquerda e direita é redutora do que está em causa? No exemplo que nos deu, na altura os que apoiaram Mário Soares queriam travar o PREC que já tinha ido longe demais. Magnífico exemplo, Carlos. Já na altura uniram-se em defesa da liberdade.
Não podemos afirmar com essa facilidade toda que poucos serão os bloquistas presentes.
A sua insistência em politizar este movimento parece-me obsessiva. Já lhe ocorreu, Carlos, que a maioria nem pertencem a partidos políticos?
Concordo que já houve muitas situações que bem mereciam reacções da sociedade civil como esta que move a manifestação de amanhã. Mas discordo, Carlos, que não tenhamos motivos de preocupação e nem me estou apenas a referir ao PM.
Há quatro anos que venho a observar:
– uma degradação geral das instituições que o Carlos diz que estão a funcionar;
– degradação do discurso político;
– contínuas fugas às respostas e esclarecimentos e não são exclusivamente relativas à liberdade de imprensa ou dos canais televisivos (a generalidade da imprensa e dos jornalistas e comentadores televisivos nem precisaram de ser muito pressionados, foram suficientemente cooperantes), mas a negócios mal explicados, a irregularidades várias envolvendo empresas públicas, a fundações-fantasma com dinheiros públicos, ausência de concursos públicos;
– casos sucessivos arquivados, etc. etc.
Nunca este governo deu explicações algumas.
Acha que é por acaso que, nunca como agora, há uma desconfiança generalizada em relação à Justiça, por exemplo? À Procuradoria Geral da República? Ao Banco de Portugal? Aos políticos em geral?
Acha isso saudável?
E não acha sintomático que mal a sociedade civil acordou da sua apatia e indiferença, dois notáveis do PS vieram falar, dois Conselheiros de estado também falaram, o ministro da Justiça veio falar, e quem mais se seguirá?
Mas começou num movimento da sociedade civil. Podem não gostar da ideia, dos signatários, da sua motivação, mas a meu ver é o primeiro sinal de vida de uma sociedade perigosamente adormecida, indiferente e amorfa, que tanto convinha à cultura de controle e domesticação do PS. Uma sociedade a uma só voz, nos jornais e nas televisões era o seu objectivo. Esteve perto de o conseguir.
Uf! Já me entusiasmei… desculpe.
Ana
Parabéns, Ana. Pôs o dedo na ferida, a meu ver: a chamada ‘sociedade civil’ faz aquilo que tem faltado, que é movimentar-se e pronunciar-se. Lembro que há muitos anos que se comenta o facto de sermos todos genericamente amorfos, de ficarmos pelas conversas de café, etc., pelo que só me faltava discordar de um movimento livre, seja ele qual for.
Viva o cidadão em movimento. Para que não continue tudo a mover-se em torno do futebol.
Ana:
Antes de mais obrigado pelo seu comentário. Claro que concordo consigo quanto à desconfiança que existe na sociedade portuguesa. Já terá lido vários posts onde sustento a mesma opinião e me insurjo contra o amorfismo da sociedade portuguesa.
Parece-me é que as razões invocadas para a realização da manif não jogam lá muito bem. Depois da publicação de umas escutas no Sol que não envolvem o PM, pelo menos directamente? Sinceramente a coisa não casa lá muito bem.´
Em minha opinião, estamos perante um ataque “ad hominem” e nada mais. Há que derrubar o PM? Tudo bem, eu até não gosto dele, mas não deixem este país desgovernado numa altura destas, por favor!
A crise do país é terrível e é numa altura em que não há alternativas democráticas que se levantam estas questões? Querem o governo nas mãos do Cavaco?
Querem afundar ainda mais a nossa credibilidade externa, ajudando as agências de rating a fazer mais operações especulativas
Talvez não me tenha explicado correctamente em relação a um ponto: quando falei das instituições estarem a funcionar, referia-me à AR. É lá que o assunto deve ser tratado em primeira instância, é lá que se deve descobrir a verdade e, doa a quem doer, se se descobrir alguma situação que ponha em causa o Estado de Direito ( coisa que o PGR nega e não tenho razões para duvidar, porque o considero uma pessoa de grande honestidade), então exija-se a demissão e encontre-se alternativa.
Antes, parece-me um aventureirismo perigoso.
Desculpe, mas realmente estou cansado e não consigo escrver mais sobre o assunto.
Agradeço-lhe a forma cordata como travou este diálogo, que espero poder continuar noutra ocasião.
Obrigado
Bom, Ana, enquanto eu respondia ao Carlos o seu comentário disse o mesmo que eu, mas em menos caracteres. Estamos em total sintonia.
🙂
Carlos, hesitei entre agradecer-te simplesmente a longa explicação (o que faço desde já, de qualquer maneira) e responder aos teus pontos, um por um, fazendo assim justiça à tua paciência e aceitando o repto de uma discussão saudável e estimulante com alguém que respeito. Ganhou a última hipótese, porque tenho algumas coisas a dizer também. Assim:
1. É claro que a História está cheia de ditadores que começaram por ser fervorosos revolucionários, à esquerda e à direita. O poder corrompe mais do que tudo, como todos sabemos. O que eu não vejo é o paralelo com esta situação em particular, nem o perigo que pareces vislumbrar numa simples manifestação de desagrado de um povo habitualmente apático. Por mim, acho muito saudável que as pessoas saiam à rua para dizer o que pensam e sentem, em vez de se queixarem só nos cafés e nas filas da caixa de previdência.
2. Volto a sublinhar o abismo na comparação… perigo de ditadura, milhares de mortos, etc? Aqui e agora?? Por favor, Carlos. Além disso, não posso deixar de notar a vitimização que fazes sempre da esquerda em relação à direita, quando ambas se equivalem desde sempre nos excessos sanguinários. A América latina não é o mundo inteiro.
3. “A maioria da esquerda repudia o oportunismo”. A que maioria te referes, exactamente? E a direita, na tua opinião, toda ela abraça o oportunismo? Lá está a tal superioridade moral da esquerda, que sempre defendes e não me convence. Vejo tanto oportunismo dos dois lados, tantas vezes…
4. Não acho que haja falta de liberdade de expressão neste país, já que referes o assunto. Mas não quero que ela deixe de existir, pelo que os tiques ditatoriais deste PM não me tranquilizam nada. É nesse sentido que acredito na utilidade desta e de outras manifestações, e a presença de oportunistas (isolados ou em grupos) não tira o valor nem a credibilidade aos que lá estão de boa fé e pelas razões certas. Sempre haverá oportunismo nestas coisas, mas ele não pode servir de alibi para a paralisia geral.
5. Nisso concordo contigo, mas, uma vez mais, não só em relação ao PSD. No entanto, não me incomoda que a manifestação tenha outros objectivos, desde que concorde com eles. E um veemente “não” à continuada atitude arrogante deste PM, apesar de todas as dúvidas que pendem sobre a honestidade da sua conduta, parece-me um bom objectivo.
6. Também eu gostaria de ver isso, Carlos. Como tu, cultivo a utopia e mantenho uma firme esperança de que isso, um dia, possa vir a acontecer. Possivelmente não no meu tempo de vida, mas um dia, quem sabe.
7. “Uma estratégia de poder e a subversão da democracia” é aquilo a que temos assistido por parte deste PM. Talvez por isso, não vejo na manifestação os fantasmas que lhe descobres.
8. O Blasfémias não “te” incluíu nos manifestantes, Carlos, incluíu o DO. O que é perfeitamente legítimo, já que há vários nomes ligados ao DO nos signatários da petição a favor desta manifestação. Não os devalorizes, menorizando a sua participação na iniciativa.
9. E fazes tu muito bem, que gente que usa o anonimato para caluniar os outros não merece outra coisa. Mas essa pessoa (e algumas mais, não duvido) não fazem desmerecer o espírito da manifestação. São os tais oportunistas, só isso.
10. Ainda bem que concordas comigo: é urgente que tudo isto seja esclarecido, e já tarda o esclarecimento. De tal maneira que até o pacatíssimo povo português já se mostra impaciente com tanto descaramento.
11. Do meu conceito de DEMOCRACIA, faz parte não só a liberdade, mas também a verdade. É por isso mesmo que espero que me esclareçam sobre tudo isto, e o mais depressa possível. Não por coscuvilhice, mas por direito.
12. Ainda não li a crónica da Constança Cunha e Sá, mas, se há alguma histeria nesta matéria (e há, é verdade), a verdade é que ela foi provocada pelas nuvens de fumo que têm rodeado uma série de escândalos sistematicamente não explicados, que provocam instabilidade e desconfiança nas pessoas. Não me incluo no grupo dos histéricos (nem pertenço a qualquer partido), mas não me espanta nada que a histeria vá crescendo de tom.
Espero ter-te respondido também. Fico à espera do teu post com o maior interesse, e cá estarei para contestá-lo se não estiver de acordo. O que não muda nada, nada mesmo, na amizade que tenho por ti.
Obrigado pela resposta, Ana e por não teres visto, nem no post, nem nos comentários falta de civilidade da minha parte. Lê a crónica da Constança e obrigado pela amizade que sabes também retribuo.
Carlos, eu não tinha lido ainda muitos dos comentários quando te respondi. O que me parece é que os teus ódios antigos (e com certeza legítimos) se reflectem muitas vezes nas tuas análises, distorcendo-as. Acredito que não o tenhas feito propositadamente, mas a verdade é que associaste às maquinações que só tu pareces ver nesta manisfestação alguns nomes que não o merecem de forma alguma, nomeadamente os dos nossos colegas de blogue. Não foi bonito.
Felizmente, Ana, há muita gente na blogosfera a partilhar da mesma opinião, embora não o faça com a mesma frontalidade com qiue o fiz. Nunca associei- .pelo menos de forma consciente – colegas de blogue.Se encontrares um local onde o tenha feito, agradeço que me digas.
Registo, no entanto, que a frontalidade de opiniões parece ser mais ofensiva do que a calúnia do anonimato. ( E eu sei, mas não sou o único no DO a sabê-lo, o alcance do que digo, porque sei quem é um dos autores desses comentários)
Quando a discórdia é mais ofensiva do que a calúnia, algo vai mal. Não é bonito.
Agora usas tu meias palavras, e só posso responder-te que não faço a menor ideia de quem estás a falar…
A frontalidade de opiniões é o meu estilo também, como sabes muito bem. Acontece que não classifico de frontalidade os vários epítetos pouco simpáticos (para ser suave) com que brindaste os promotores da manifestação, sabendo que entre eles há vários companheiros de blogue que conheces pessoalmente e, que eu saiba, não te deram razões para que os consideres oportunistas ou “betinhos que não têm nada para fazer”. Discordar civilizadamente é uma coisa, desconsiderar é outra. Estás no teu pleno direito, é claro, de te desmarcares das posições dos signatários, mas o que não podes é fazê-lo sem o respeito que eles te merecem. Não pretendo dar-te lições de moral nem de civismo, mas gosto de esclarecer bem as coisas quando me envolvo nelas.
Quanto às calúnias de que dizes ter sido alvo, é claro que o lamento. Mas, o que esperavas? Acontece a quem se expõe, sobretudo a quem se expõe como tu o fazes, não só com frontalidade como com provocações óbvias. Eu também corro o risco e já fui alvo de ataques, mas dou-lhes a importância que têm (que é muito pouca), e até aprovo esses comentários só para ter o prazer de responder-lhes. Não leves tudo isto demasiado a sério, ou escrever em blogues vai acabar por tornar-se um pesadelo para ti, em vez de um prazer.
Merecias já ter feito anos, Ana. O teu comentário confirma o teu pensamento maduro.
Obrigada, João. Quanto aos anos, não perco pela demora…
😉
Não perdes? Não te livras – queres tu dizer! Hehe…
Isso, revolve bem o punhal na ferida… sádico!
Na “mouche”!!.
Confesso, Carlos, que não percebi o motivo por que o Salazar é chamado a este caso. Será porventura defeito meu.
Penso que estejas cansado, Pedro, mas é clarinho como água…
O Botas também se revoltou contra a Censura, teve até fervores revolucionários, mas acabou ditador. O resto, creio ter explicado exaustivamente na resposta à Ana Vidal
Continuo sem perceber. Queres dizer que quem vai protestar quinta-feira contra José Sócrates, incluindo colegas do nosso próprio blogue e pelo menos uma colega tua da ‘Regra do Jogo’, no legítimo exercício do direito à manifestação, defendem a ditadura – daí o paralelo com o Salazar?
Deves realmente estar cansado, Pedro. Não foi nada disso que eu disse, embora admita que entre os participantes ( não aqueles a que te referes, obviamente) haja muitos que não desdenhem essa hipótese. No entanto, como também estou cansado, só vejo 3 hipótese:
1- Pede ao Paulo Quintela que te explique melhor do que eu
2- Oferecer-te o estudo que fiz sobre a Censura no Estado Novo
3- Sugerir-te a leitura sobre a emergência das ditaduras na Europa e América Latina
Ou então, lembrar-te uma manif da “Maioria Silenciosa”
Tens razão, Carlos. Estou cansado. Podemos concordar ou discordar desta e de qualquer outra iniciativa, a favor ou contra o Governo. Mas expressões como “este tipo de manifestações faz-me recuar ao Chile dos anos 70”, “esta manifestação sugere-me um PREC de direita” e “o Botas fazia o mesmo mas usava autocarros”, visando uma iniciativa em que participam membros do nosso próprio blogue, além de várias outras pessoas que merecem toda a minha consideração, por mais que discorde delas, rompe de algum modo o pacto de civilidade que estabelecemos e sempre pusemos em prática, pensemos da maneira que pensarmos.
Nunca ouviste falar de manpulação, Pedro? Não pus em causa as boas intenções de ninguém deste blog,ou da RJ ao participar na manif, mas não sou ingénuo, repito, e não tenho dúvidas quanto ao aproveitamento que algumas pessoas estão a fazer dela.
Além do mais, as expressões que referes, escrevi-as no meu blog , não aqui. Mais… nem sequer fiz link aqui para o meu post. Nem me referi a ninguém do DO em particular.
Quanto a quebrar a civilidade, só uma pergunta:
Depois de ver que alguém permitiu a publicação de comentários anónimos onde sou caluniado e difamado, sou eu que quebro a civilidade?
Os outros ( que eu não cito nem sequer por meias palavras ) sentem-se ofendidos e eu não me posso sentir ofendido com quem validou comentários onde sou difamado e caluniado por anónimos?
Depois de ver publicado um comentário num post teu onde além de me acusarem de ser censor sugerem a minha saída do DO e não ler uma linha tua sobre o assunto a defender-me, sou eu a quebrar a civilidade?
Só não me rio porque enfim…
Peço desculpa, mas a mim não me dás lições de civismo. Se o teu objectivo com este comentário é outro, sê claro, não precisas de meias palavras.
Carlos: eu não uso meias-palavras, como qualquer pessoa que me conhece e me lê bem sabe. Como calcularás, o teu blogue pessoal – lincado desde o início no DELITO, e não por acaso, na secção Afinidades – também é lido aqui. Usaste lá qualificativos injustos para os participantes na iniciativa de quinta-feira, incluindo vários colegas deste e de outros blogues, que têm o direito cívico de se manifestarem. Porque vivemos em democracia e o direito de manifestação está consagrado na nossa lei fundamental, goste o Governo ou não. Salazar e Pinochet nada têm a ver com este filme. Qualquer comparação a esse nível é verdadeiramente ultrajante.
Já percebi que não usas meias palavras. Apenas dois pesos e duas medidas. Eu, felizmente, não vejo o mundo a preto e branco e indigno-me com as injustiças, venham elas de onde vierem.
Estás mesmo cansado, Carlos. Acho que não temos de andar a aqui a extremar posições: Salazar, Chile, anos 70, anos 30, América do Sul, etc., não me parece que venham ao caso.
Tenho a certeza absoluta (repito: tenho a certeza) que a tua posição natural te permite observar as coisas de modo muito mais amplo do que muito boa gente. Tens de voltar a ser isso mesmo: capaz dessa observação e de um entendimento que, sem teres de concordar com este ou com aquele lado, te confere a habitual lucidez para absorver o todo. Como qualquer um de nós aqui o tem demonstrado.
Infelizmente, João, a minha vida guarda memórias que me obrigam a relacionar certas coisas. Sempre tive medo dos ataques “ad hominem”, mesmo quando desprezo os visados.
Obrigado pelo comentário.
Não era para me agradeceres, Carlos – era para descansares.
A propósito: é muito possível que já tenha libertado comentários que te eram destinados. Por vezes, é difícil lembrar-me de quem é o ‘post’ a que são dirigidos e, por isso, é bom que saibas que já posso tê-lo feito inadvertidamente.
Carlos
Não quis interromper a resposta da Ana que li com muito interesse e vim responder aqui no fundo:
É só para agradecer a resposta ao meu comentário.
Aguardarei então os próximos capítulos.
Ana
João
Obrigada, é verdade, para que não seja só futebol…
Ana
É verdade, hoje fartámo-nos de falar. Não admira que o Carlos esteja cansado…