
Emmeline Pankhurst
(1857-1928)
Será porventura difícil a muitas mulheres portuguesas, com menos de 35 anos, imaginar um mundo sem televisão, ou o tempo em que as mulheres não podiam votar. Não só em Portugal , como no resto do mundo, esse direito só foi alcançado ao longo do século XX ( apenas a Nova Zelândia reconheceu o direito ao voto das mulheres, em 1893) e, na maioria dos países, só depois da I Guerra Mundial
Foi graças à coragem de algumas mulheres, que iniciaram a sua luta pelo direito ao voto ( as sufragistas) sujeitando-se a sofrimentos e enxovalhos, que ao longo do século XX os países europeus foram alargando às mulheres esse direito
Nessa luta,muitas mulheres se destacaram. Emmeline Pankhurst foi uma delas. Líder do movimento feminista britânico, fundou a Liga para o Sufrágio Feminino em 1889. Com suas filhas, Christabel e Estrella, fundou em 1903 a União Feminina Social e Política (sufragistas). Opondo-se à discriminação das mulheres na vida pública e privada, organizaram acções ( por vezes violentas) contra polícias, ministros e Parlamento, atraindo a simpatia de muitas mulheres que a elas se juntaram.
As sufragistas inglesas consideravam legítimo o uso da violência, pelo que eram frequentemente detidas e sujeitas a maus tratos, conseguindo assim atrair cada vez mais simpatizantes para a sua causa.
Em 1918, a Inglaterra alargaria o direito de voto às mulheres. Nesta altura, já Emmeline Pankhurst abandonara, desiludida, a doutrina socialista e passara a ser simpatizante dos Conservadores. Será por este partido que será eleita , em 1919, a primeira mulher no Parlamento britânico: Lady Astor. Curiosamente, era americana, país que só viria a reconhecer às mulheres o direito de voto, em 1920.
Em Portugal, o direito de voto só foi alargado a todas as mulheres depois do 25 de Abril. No entanto, esta mulher votou em 1911. Foi a primeira mulher portuguesa (e uma das primeiras da Europa) a fazê-lo, aproveitando uma falha na Lei.

Justíssima e oportuna esta evocação de Lady Astor . A ver se algumas mentes com os fusíveis baralhados, conseguem colocar alguma racionalidade nas respectivas cabeças. Duvido, mas…
:))
Essas ” mentes com fusíveis baralhados” , não conseguem ser racionais, Ariel. Pero ” No pasarán”…
Uma vida incontornável. No entanto há dias que ainda me pergunto: O que é feito de si Mrs Pankhurst?
E lá na tumba, Cristina, Mrs Pankhurst perguntará -ao olhar para uma descendência feminina cheia de gente ingrata e “esquecida” – se valeu a pena tanta luta.
Parece-me completamente irrealista dizer que o direito ao voto alargado às mulheres foi obra de meia dúzia de seres sobre-humanos.
Se é verdade que houve pessoas que se destacaram nas lutas pela igualdade, pelo fim à discriminação, etc, também é ainda mais verdade que tais pessoas não teriam passado do anonimato se não tivessem tido, por trás, um apoio maciço (de uma parte, pelo menos) da população.
Elas não foram mais do que a encarnação duma vontade colectiva e atribuir-lhes a elas somente e individualmente todas as vitórias é não perceber nada do modo como, historicamente, os direitos são conquistados.
Há uma leitura que eu vou fazer que talvez também lhe fizesse bem: A People’s History of the United States, de Howard Zinn, recentemente falecido.
Desculpará, mas completamente irrealista é a leitura que faz do post.Certamente não leu o post em que explico o espírito desta rubrica…
Quanto ao “apoio maciço ( de uma parte pelo menos) da população”, sabe bem que não é verdade. No entanto, pela sua teoria quando falamos de Nuno Álvares Pereira, ou Vasco da Gama, também não estamos a perceber a História. Será que teríamos vencido Aljubarrota ou descoberto o caminho marítimo para a Índia, sem a ajuda dos outros que os ajudaram a combater ou a navegar? Pelo amor de Deus!!!!
A leitura que fiz do seu texto não é, efectivamemente, completamente justa.
Seja como for, não foi de certeza com a sua varinha de condão que Emmeline Pankhurst conseguiu o direito ao voto alargado às mulheres. Esse direito foi o resultado de uma luta e esforço colectivos, em que algumas personagens se destacaram – e não há mal nenhum nisso, desde que não se esqueça que quando se trata de conquista de igualdade e direito para todos, essas conquistas são sempre obtidas pela pressão das massas; nunca por altruísmo das elites ou pela transcendência desta ou daquela pessoa.
E quanto ao Vasco da Gama e outros tem razão: realmente nunca hei-de entender nada da História reportando-me apenas a eles.
Uma grande mulher… sem dúvida! Foi bom relembrá-la. Cumprimentos
Bem vinda seja por aqui, Eva.