Parábola do assédio


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A Joana andava a ser assediada  pelo Chefe. Nunca se queixou à APAV, porque achava piada à situação e sabia que podia tirar dividendos dela. Enquanto permitisse as investidas do Chefe, correspondendo com um sorriso enigmático e aceitasse  um ou outro convite para almoçar, onde permitia  umas carícias,  podia baldar-se à sexta-feira a seguir ao almoço, desleixar um pouco o serviço e até fazer umas gazetas,  para ir até à praia.

O Chefe, porém, jogava em mais do que um tabuleiro e começou também a assediar a Mariana. Só que Mariana reagiu de forma diferente… Em vez de se aproveitar da situação, avisou- o  de que não tolerava os avanços. O  Chefe insistiu e  ela apresentou queixa à APAV.

Numa tentativa de conciliação, o Chefe prometeu promovê-la e acabar de vez com o assédio.

Quando Joana  soube da história, decidiu também apresentar queixa. 

Alguns colegas elogiaram a sua coragem e apoiaram-na. Outros deixaram de lhe falar e acusaram-na de ser oportunista.

 

9 comentários em “Parábola do assédio”

  1. Esta parábola é perfeita a meu ver, porque evidencia claramente uma realidade que vivemos actualmente.

    Tenho-me esforçado para passar essa ideia, aqui pelo Delito, mas reconheço, o Carlos consegui fazê-lo na perfeição.
    Não entendo porque as pessoas acham que procurar a razão das coisas é o mesmo que defender o primeiro ministro.
    Tal como o Carlos, não recebo nada, nem me move nada que me obrigue a defendê-lo (PM), mas faço um esforço para ver além, da zona turva.
    Parece-me que as pessoas, devem fazer-se ouvir, sempre que estiver em causa valores (seja de que natureza forem), e não só quando ” encarneirados ” e quando o não fazem, a meu ver, são cobardes.
    Eu quero saber a verdade, mas vivo num estado direito e como tal, respeito as regras desse estado e exijo o mesmo respeito por parte dos outros.
    Não SUPORTO mesmo, é a corja de cobardolas que se ” enfiam ” todos, debaixo do mesmo capote, para serem muitos, e acusam com uma vozinha dramática, que foram também… molestados.
    Como lhe disse uma parábola perfeita.

    1. Temo que estejamos a voltar ao tempo do “quem não é por nós é contra nós”, do pensamento acéfalo.
      Quem me conhece há algum tempo, sabe que tenho muito boas razões para me queixar de Sócrates, mas não alinho na histeria colectiva.
      Tudo isto me faz lembrar um bom e velho amigo jornalista que costuma dizer:
      “Quando um rotweiller está doente e estendido na estrada, qualquer cobardolas lhe mija em cima”.
      Obrigado pelas suas palavras.

  2. Perfeito, como sempre Carlos. Desde que não esteja em causa a lei do tabaco e o focuporto , estou sempre de acordo consigo, eheheh

    :))

    1. Em relação ao FC Porto é uma questão de Fé e Amor, nada a fazer…
      Quanto à Lei do Tabaco ( eu sou fraco fumador, apenas uma cigarrilha após as refeições e só fumo em restaurantes em grupo de amigos) um dia ainda nos havemos de por de acordo Ariel.
      O que critico na Lei é o fundamentalismo. Não permitir ao proprietário de um restaurante ou de um bar determinar se o seu espaço é para fumadores, parece-me uma intromissão inaceitável na liberdade de cada um.
      Sepois a Lei tem um aspecto folclórico e hipócrita de que também não gosto, mas isso fica para outra conversa…

  3. Carlos, Carlos… bem sabes que tenho andado caladinha porque o tempo é curto. Mas tenho lido tanta porcaria sobre… que já nem leio. Mas, nem sequer é o que escreveste que é uma rábula perfeita, de facto.
    É por teres sido TU a escrevê-la!
    Nem sabes como é bom ler alguém despojado de qualquer interesse, NOMEADAMENTE de corporativismos bacocos.

  4. O problema, é que as Joanas, são muitas.
    E estão cada vez mais libertinas, mas também, quando lhes convém, mais pudicas.
    Qualquer dia aparece por aí uma uma Associação Portuguesa de Apoio ao ASSEDIADOR. :()

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