Erro de “casting” na SIC


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Desde que Nuno Santos foi para SIC que uma das grandes apostas em Carnaxide é conquistar o espaço entre as 19 e as 20 à RTP. Compreende-se, até porque esse foi um dos objectivos anunciados por  Balsemão, há tempos, num Prós e Contras em que se debatia a televisão pública.

A primeira tentativa de assalto ao “Preço Certo” de Fernando Mendes, cujo êxito me é difícil  compreender, foi feita por Herman José, com “A Roda da Sorte”. Contra todas as expectativas,  “A Roda” redundou em fracasso.

Início do ano, a SIC lança uma nova arma: “Nós por Cá”. A campanha de promoção do programa teve moldes inéditos, com a simpática e esforçada Conceição Lino a percorrer feiras e mercados, na tentativa de cativar para o seu programa o público–alvo de Fernando Mendes.

No final do primeiro mês de emissão, adivinha-se nova tentativa falhada. “Nós por Cá” não só é largamente batido pelo “Preço Certo”, mas também por outro programa da RTP 1 (Portugal em Directo) que o antecede e que aborda várias questões sobre o país.

Aparentemente não é fácil perceber as razões da preferência dos espectadores por um programa com um modelo aparentemente gasto (Portugal Directo), em detrimento de outro que surge como “upgrade” de um modelo de curta duração, onde o país é apresentado como um berçário de anomalias

A crise, porém, é capaz de explicar. Os portugueses estão fartos de notícias que os deprimem. A crise, as guerras intestinas do PSD, o caso Sócrates, a guerilha surda entre o PR e o PM, a Operação Furacão, os Apitos, os bancos a falir e os banqueiros a gozar férias em paraísos terrenos com o dinheiro dos depositantes, é depressão a mais para qualquer comum mortal.

Por isso não é esta a altura apropriada para lhes impingir programas onde o país é apresentado como uma colectividade excursionista dirigida por indigentes que só fazem disparates. 

Apesar de tudo, as pessoas têm auto-estima e não gostam de se ver ao espelho.

Chamem a polícia!


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Uma boa percentagem dos responsáveis pelo “estado a que isto  chegou” esteve  reunida em Davos. De taça de champagne na mão e trufas na boca, aproveitaram as pausas entre dois  “cubanos” para discutir o futuro da economia mundial sem, aparentemente,  apresentarem soluções.

Do outro lado do Atlântico, as vítimas das políticas ultraliberais reuniram-se no “Fórum Social Mundial”. Apenas numa frase, Evo Morales disse tudo: “ se os povos do mundo não são capazes de enterrar o capitalismo, o capitalismo enterrará o planeta”.

Não faltará quem acuse Evo Morales de perigoso esquerdista e até reclame a presença da polícia de costumes, agora a  bom recato jogando golfe em parte incerta, para pôr ordem na América Latina.

Pessoalmente, preferia que a polícia tivesse ido a Davos prender alguns criminosos que lá se reuniram.

Melodias de sempre (2)


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O FC do Porto ameaça não comparecer ao jogo com o Sporting para a Taça da Liga, na próxima quarta-feira, se nesse dia o Benfica não jogar também  a sua meia final, por inexistência de decisão do Conselho de Justiça quanto ao recurso apresentado pelo Belenenses.

É uma medida compreensiva por parte da Direcção dos Dragões, que se sentem injustiçados, por partirem em situação de grande desigualdade para o jogo do próximo domingo com o SLB.

Tenho a certeza, porém, que nada disto sucederia se não existissem antecedentes. Ricardo Costa, o inenarrável presidente da Comissão Disciplinar da Liga,  continua a sua cruzada contra o FC Porto, mesmo depois de o Tribunal Constitucional ter rejeitado as suas pretensões de se subtrair às decisões do Supremo Tribunal Administrativo que considerou as punições aplicadas no âmbito do processo Apito Dourado feridas de ilegalidade.

O Conselho de Justiça, depois das rocambolescas cenas do Verão passado, continua a ser uma “troupe” de bacanos que reúne quando lhe dá jeito, ou não tem mais nada para fazer, marimbando-se para o facto de atropelar constantemente a verdade desportiva.

Gilberto Madail continua a dizer que se vai embora, mas ninguém o arranca do lugar e Vítor Pereira soma descontentamentos entre os clubes, face à sua actuação à frente da Comissão de Arbitragem.

Entretanto, lá por fora, o desbocado Platini parece ter-se remetido ao silêncio depois de o Jury d’Appel ter escarnecido das suas profecias de Salvador da Pátria, mas  o presidente da FIFA – o sempiterno sr Blatter– vai lançando umas achas para a fogueira a propósito das candidaturas ao Mundial de 2018. Depois de ter enaltecido a candidatura conjunta de Portugal e Espanha, veio dar o dito por não dito e ameaça rasgar as candidaturas conjuntas, em detrimento das candidaturas individuais.

O sr Blatter e toda a corte de aduladores profissionais estão a matar o futebol. Por incompetência, e por  estarem totalmente alheados do mundo que os rodeia, onde a união entre os povos é sempre vista como sinal de esperança. Nem que seja, apenas, enquanto uma bola a rolar sobre a relva empolga multidões. Por que razão não se vão todos embora?

 

Esmeralda


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Não percebo lá muito bem um país onde o governo faz uma lei que pune um pai que dê um tabefe ao filho e se mostra impávido perante a agressão psicológica que os seus técnicos de Reinserção Social  exercem sobre Esmeralda há vários anos.

Não estão aqui em causa os direitos do pai biológico ( que inicialmente se recusou a assumir a paternidade, fazendo depois um flick flack muito ao gosto da nossa comunicação social). O que é inadmissível é que o caso se tenha prolongado nos meandros da justiça durante seis anos, provocando danos psicológicos em Esmeralda que alguns especialistas consideram irreversíveis.

Revoltante é a insensibilidade que todos os actores deste processo manifestaram, perante os interesses da criança que, em minha opinião, deveriam ser os primeiros a ser preservados. Por muitos esforços que se façam, na tentativa de defender a posição do pai biológico ou dos pais adoptivos, a verdade é que neste processo, ninguém ficou bem na fotografia.

A decisão final da juíza pode parecer desajustada, em função dos interesses da criança e dos pais adoptivos, a cuja intervenção se fica a dever a garantia de que Esmeralda não foi mais uma criança abandonada.

É de saudar, por isso, a divulgação dos fundamentos da sentença. Um exemplo que devia ser seguido noutras circunstâncias, para que não fossemos sempre tentados a criticar as decisões judiciais que se nos afiguram incompreensíveis e… injustas.

Fica bem claro, no caso Esmeralda, que os pareceres dos técnicos de reinserção social, psicólogos e psiquiatras foram fundamentais para a decisão judicial. Continuam obscuras as razões que levaram o caso a arrastar-se para além do admissível. Neste processo não há vencedores. Há apenas uma derrotada, que se chama Esmeralda, porque não teve direito a viver uma infância normal.

Espero que aos 18 anos interponha uma acção contra o Estado português, pedindo uma indemnização por maus tratos e terrorismo psicológico.

 

Há ditaduras boas?


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A Igreja continua a ser, juntamente com os Estados Unidos, o algoz dos povos latino-americanos. Apoiou Pinochet, Somoza, Baptista, Guzmán Blanco, Porfírio Diaz a ditadura brasileira, foi denunciante de opositores a Rosas e à ditadura Argentina,  conivente e responsável por  milhares de mortes de cidadãos latino-americanos que apenas lutavam pela liberdade.

Agora tudo faz para derrubar Morales e Chavez, enquanto apoia o traficante Uribe e todos os movimentos oposicionistas na Bolívia, Venezuela e Equador.

Para a Igreja, só as ditaduras de esquerda são más. Com procedimentos assim, não é de espantar que haja cada vez mais ateus.

 

Sócrates tem bom coração


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Sócrates recusou o debate com Manuela Ferreira Leite por razões humanitárias. Conhecida a incapacidade de expressão da líder laranja e a sua inabilidade para os debates, a corte rosa  (Vitalino Canas, Silva Pereira e Santos Silva) aconselhou o líder a responder negativamente.

Na Buenos Aires as reacções foram diversas. Os apoiantes de Luís Filipe Meneses e Santana Lopes defendem que Sócrates deveria ter dado uma oportunidade a MFL para se treinar para os debates eleitorais que aí vêm.

Já António Borges, como tinha de dizer qualquer coisa, argumenta que Sócrates quis “dar uma de Cavaco” copiando-lhe o estilo do tempo em que também se recusava a debater com os seus adversários.

Os apoiantes de Passos Coelho agradeceram a Sócrates a recusa em enfrentar MFL porque  – dizem- seria muito difícil a MFL explicar como é que, tendo apoiado as medidas económicas e financeiras do governo, durante quase quatro anos, agora manifesta total discordância.

E já agora – digo eu – se MFL quer que Sócrates explique como vai ajudar as empresas, também era bom que explicasse aos portugueses aquela operação com o Citibank, quando era Ministra das Finanças…

 

Em jeito de apresentação


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Chego tarde e a más horas à inauguração do Delito de Opinião. A culpa  foi de uns quantos fusos horários, apostados em dar de mim uma imagem distorcida.

Como não conheço a maioria dos que me vão acompanhar neste Delito e não gosto de ficar mal na fotografia , passo sem mais delongas à apresentação.

Nasci no Porto, vim para Lisboa com o objectivo de tirar o curso de Direito, mas rapidamente me apercebi que caíra num logro e virei andarilho. Depois de uns anos em Inglaterra, onde cultivei o gosto pela pontualidade, fui experimentando a vida em latitudes europeias  mais a norte. Não gostei do clima, nem das noites longas de Inverno e dei um salto até aos Balcãs, depois atravessei o Atlântico e dei por mim ancorado em Washington. Cansei-me e rumei a Leste, lancei âncora em Macau, apaixonei-me pelo Oriente. Um dia, em Hong Kong, o coração traiu-me e levou-me para sul, onde me  casei com a Argentina.

Já fiz um pouco de tudo na vida. Vendi livros, gastei tardes de sábado da minha juventude a fazer catálogos para editoras, fui jornalista, fui editor de revistas, andei nas vindimas, trabalhei em ONG’s e organizações internacionais, fiz voluntariado e tentei levar conforto aos sem-abrigo, criei associações e cooperativas, fui funcionário público, assessor de ministro, trabalhei em escolas como formador de professores, vi nascer, florir e morrer, projectos que criei em variadas áreas.  Estudei e fingi que estudei, percorri o mundo à descoberta de mim e acabei por encontrar-me, algures na Patagónia, entre o Chile e a Argentina, onde fui ABSOLUTAMENTE feliz.

Profissionalmente sinto-me bem na pele de jornalista “free lancer”, mas não espalhem a notícia, porque não gosto de servir de saco de boxe ao Pacheco Pereira.  “Last but not the least”: sou Dragão empedernido e, apesar de viver em Lisboa, continuo ligado umbilicalmente à cidade do Porto  que deixei aos 17 anos e onde, por acaso, nunca fui feliz…

Tenho também uma vida virtual. Iniciei-a num blog colectivo intercontinental, Além do Bojador,  mas foi no meu Rochedo que descobri o verdadeiro sentido da blogosfera. É que o meu Rochedo fica num blogobairro muito bem frequentado, onde a vizinhança  interpreta a blogosfera como um espaço de partilha. Por ali arranjei novas amizades e tenho sido alvo de imerecidas cortesias, mas quando o meu bom amigo Pedro Correia me lançou o desafio de fazer parte desta equipa, aceitei de bom grado, porque sei que ele partilha o mesmo espírito.

Feita a apresentação, resta-me dizer que espero entrar na liça diária das postagens a partir do próximo fim de semana. Sem fusos horários a atrapalhar-me e reconfortado pelo ambiente do meu Rochedo que me serve de inspiração. É que em mim, as marcas das paixões nunca se apagam. Por isso, apaixonado, entrarei nesta nova aventura.