Descubra as diferenças…


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O Manuel Pinho fez uns corninhos na AR, deixou metade do país a rir, a outra metade a tentar tirar proveito político, mas foi obrigado a demitir-se. Este insulta um país inteiro, mas permanece sólido como uma rocha.

A diferença é que há um ano, a poucos meses da campanha eleitoral, a oposição teria exigido (e bem)  a sua demissão, mas agora mete o rabinho entre as pernas, vai criticando o governo e deixa passar todas as medidas impopulares, abstendo-se.

Pela boca morre o peixe…


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Depois de ler isto, o que eu gostava mesmo é que alguém me explicasse esta frase do PR na entrevista à Judite de Sousa:

“Numa sociedade democrática a compra de uma televisão não pode deixar de ser transparente. Não só não pode acontecer sem o conhecimento do governo, como sem o conhecimento da opinião pública. Deve ser uma operação muito transparente".

Será que já não temos governo e ainda ninguém reparou? Já não viveremos numa democracia? A opinião pública sabia, mas eu andava distraído? Ou será que um negócio, desde que seja feito por uma empresa americana é transparente?

Claro que há sempre a hipótese de Sócrates ter telefonado a Obama e a Juan Carlos, pedindo-lhes apoio para o negócio, mas isso só a Manuela moura Guedes poderá esclarecer numa nova ida à Comissão de Ética.

Assim não vão lá…


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Não deixa de ser engraçado que se dê tanto relevo a uma hipotética mentira de Sócrates sobre um negócio entre empresas e se tenha passado uma esponja  sobre  a mentira de Durão Barroso na questão do Iraque – já admitida pelo o próprio – que lançou o mundo numa guerra inútil.

Incapaz de encontrar um líder capaz de derrotar nas urnas o pior primeiro-ministro que Portugal conheceu desde o 25 de Abril, o laranjal procura derrubá-lo com verborreia. As últimas sondagens demonstram  que assim não vão lá. Que tal encontrarem um líder que apresente propostas concretas, capazes de entusiasmar os portugueses? Uma pessoa credível que lhes garanta ser possível combater o desemprego, diminuir as desigualdades e reganhar a esperança num futuro melhor.

Os portugueses já não vão no blá-blá-blá,  nem se deixam enganar  com conversas de alcoviteiras. Querem políticos que lhes resolvam os problemas. No PSD não há? Então, lamento, mas terão de o inventar. 

Mulheres do Mundo (8)


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Madres  de la Plaza de Mayo

 

Não podia deixar de prestar homenagem nesta rubrica  às mulheres argentinas que, quase 30 anos depois de ter terminado a ditadura, todas as quintas-feiras se reúnem em vigília na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada ( sede do governo) reclamando informação sobre os familiares desaparecidos durante aquele período sangrento da História da Argentina.

Muitos  saberão que estas mulheres constituíram a Associación Madres de Mayo, através da qual continuam a procurar as pistas dos seus familiares e dos seus algozes. Cristina Kirchner já realçou o papel relevante destas mulheres, cuja luta tem permitido sentar no banco dos réus  alguns dos criminosos, entre os quais se contam vários membros da Igreja Católica, entretanto condenados como cúmplices.

Admito que num país sem memória, que homenageia  PIDES e onde a “bufaria” ainda é modo de vida e ganha pão para alguns, esta escolha pareça estranha. Para mim é uma escolha natural homenagear quem  tem memória e não perdoa a criminosos.

Espero, porém, que muitos guardem ainda  boas recordações da  mulher portuguesa de hoje.

Olh’ó Robot!


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O caso da criança de Mirandela tem enchido páginas na imprensa  e ocupado  longos minutos de telejornais. Os portugueses aprenderam a palavra “bullying” e comprazem-se a dizer mal dela.

A verdade é que  o “bullying” existe desde que existem escolas. A diferença é que até há dias os portugueses lhe chamavam  violência e não lhe davam tanta importância.

Fenómeno similar aconteceu com  a expressão “car jacking”. Roubos de automóveis, precedidos de ameaças e/ou violência exercida sobre o condutor, não são um fenómeno novo, apenas  adquiriu novas cores com a mediatização da  expressão inglesa.

Também o assédio sexual  é uma “doença social”  de longa data que  hoje em dia veste novas roupagens, mas poderá ganhar mais relevância mediática no dia em que alguém decidir passar a utilizar a expressão inglesa  (Sexual bullying, ou harassment). O mesmo se diga do assédio moral no trabalho, um tipo de violência que, apesar de  já ser alvo de legislação específica, parece não preocupar muito a opinião pública. Talvez no dia em que alguém lhe chame Mobbing, ou se comece a ouvir falar do Síndrome de Burnout, esta questão seja alvo da discussão pública que evidentemente merece.

Comportamo-nos como robots programados para reagir apenas às expressões inglesas que caracterizam  situações com que convivemos há muito, mas a que não damos grande importância. Quando recebemos o input dos media, parece que despertamos de um sono profundo e começamos todos a ditar sentenças sobre o assunto.

Ora, como é sabido, a maioria das pessoas não está programada para começar a raciocinar direito quando acorda estremunhada. Dai que se leiam e oiçam os maiores dislates, quando a comunicação social nos desperta para assuntos sobre os quais já devíamos estar a reflectir há muito tempo, mas que estranhamente permanecem adormecidos num recôndito lugar dos nossos cérebros, tão ocupados com os problemas comezinhos de um  quotidiano grávido de futilidades.

O relevo dado pela comunicação social ao  caso de Mirandela teve o condão de despertar a opinião pública para a questão da violência (física e psicológica) nas escolas portuguesas.

Estremunhados, os portugueses reagiram como se viu. Resta agora esperar que, mais despertos, reflictam sobre as suas  causas e encontrem soluções .

Não podemos é continuar a pensar que os problemas da escola seresolvem com medidas destas.

“Dias de…”


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Tenho  “mixed feellings” em relação aos “Dias de…” .  O “Dia Internacional da Mulher” não é, por isso, excepção. Creio, no entanto, que por vezes vale a pena lembrar estas coisas  às mulheres mais jovens, para que não esqueçam  que ainda há pouco mais de 30 anos a mulher portuguesa  estava  totalmente sob a dependência  dos homens, para coisas tão elementares como viajar para o estrangeiro.

Vejo o DIM como uma oportunidade para enaltecer as mulheres, cuja vida  é (foi)  um exemplo que merece ser realçado.

Quanto ao  resto, expressei  a minha opinião, nesta Carta à Mulher Portuguesa.

Memórias de um Capitão de Abril


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Morreu ontem, num acidente de aviação, Costa Martins. Tenho por hábito ser grato a quem me devolveu a liberdade, pelo que não poderia deixar de assinalar aqui o desaparecimento de mais um dos capitães de Abril, tão desvalorizados por gente sem memória que continua a acreditar que a liberdade foi um presente dos americanos, num dia de Primavera.

Mulheres do Mundo (5)


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Simone Weil

(1909-1943)

 

Dispensa apresentações e é sobejamente conhecida de todos, a história da “Virgem Vermelha”.

Nasceu em Paris e foi pelos franceses que morreu, em protesto  contra  as condições em que eram mantidos os prisioneiros  de guerra durante a ocupação alemã.

Um dos   legados  que nos deixou foi  a virtualidade de um pensamento enxuto,  descomprometido e pautado por valores, bem patente na sua vida e na obra literária, onde  o misticismo se mistura com uma filosofia de vida ascética.

Um exemplo  ilustrativo  da sua foram de pensar e viver  seu pensamento   é a resposta que um dia dá a um padre apostado em baptizá-la:  "Não quero ser adoptada por um círculo, viver entre pessoas que dizem nós e ser parte de uma gente. Sinto que é necessário permanecer só, uma estranha e uma exilada em relação a qualquer círculo humano, sem excepção".

Quanto aos partidos escreveu: "São organismos oficialmente constituídos de modo a matar nas almas o sentido da verdade e da justiça".

Mas Simone Weil tinha valores e lutava por eles. Durante a Guerra Civil de Espanha esteve ao lado dos republicanos, viajou até à Alemanha para  tentar perceber as causas da ascensão ao poder  dos nazis, trabalhou na Renault (porque quis viver como uma operária) e, embora  assumindo valores da  esquerda, insurgiu-se contra o capitalismo de Estado  instalado na Rússia, que comparou ao fascismo. Desiludida com a Revolução Russa, afirmou um dia: "O ópio do Povo não é a religião, mas sim a revolução.”

A Mulher Portuguesa de hoje aqui

Mulheres do Mundo (4)


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Rugiatu Turay

 

Rugiatu Turay nasceu na Serra Leoa . É jornalista, tem 32 anos  e foi sujeita à excisão feminina. Tinha apenas 12 anos e era órfã.

Inconformada, iniciou uma luta para evitar o sofrimento das crianças africanas a esta prática ignominiosa.

Sabe que o peço a pagar pode ser a morte, mas embora conhecendo o perigo que corre, fundou em 2002  o Amazonian Initiative Movement, com um grupo de mulheres  que conheceu num campo de refugiados na Guiné, onde esteve durante a guerra civil na Serra Leoa. Desde a criação do movimento, quatro activistas  receberam ameaças de morte e abandonaram o movimento. Apesar de ameaçada- e mesmo depois de ser raptada por outras mulheres que a obrigaram a caminhar nua pelas ruas da cidade de Knema- continua a sua luta. Visita aldeias e vai às escolas, onde esclarece as excisoras  sobre os perigos  e consequências da excisão  e tenta convencê-las   a renunciar à sua prática.

Afirma que já conseguiu demover cerca de 700 mulheres em 111 aldeias da Serra Leoa. Será  uma ínfima parte, mas é pelo menos um começo. 

Como estamos em tempo de Festival da Canção, a Mulher Portuguesa de hoje está ligada à música, mas não a estes festivais