
Simone Weil
(1909-1943)
Dispensa apresentações e é sobejamente conhecida de todos, a história da “Virgem Vermelha”.
Nasceu em Paris e foi pelos franceses que morreu, em protesto contra as condições em que eram mantidos os prisioneiros de guerra durante a ocupação alemã.
Um dos legados que nos deixou foi a virtualidade de um pensamento enxuto, descomprometido e pautado por valores, bem patente na sua vida e na obra literária, onde o misticismo se mistura com uma filosofia de vida ascética.
Um exemplo ilustrativo da sua foram de pensar e viver seu pensamento é a resposta que um dia dá a um padre apostado em baptizá-la: "Não quero ser adoptada por um círculo, viver entre pessoas que dizem nós e ser parte de uma gente. Sinto que é necessário permanecer só, uma estranha e uma exilada em relação a qualquer círculo humano, sem excepção".
Quanto aos partidos escreveu: "São organismos oficialmente constituídos de modo a matar nas almas o sentido da verdade e da justiça".
Mas Simone Weil tinha valores e lutava por eles. Durante a Guerra Civil de Espanha esteve ao lado dos republicanos, viajou até à Alemanha para tentar perceber as causas da ascensão ao poder dos nazis, trabalhou na Renault (porque quis viver como uma operária) e, embora assumindo valores da esquerda, insurgiu-se contra o capitalismo de Estado instalado na Rússia, que comparou ao fascismo. Desiludida com a Revolução Russa, afirmou um dia: "O ópio do Povo não é a religião, mas sim a revolução.”

Notável e terrivelmente esclarecida a definição que Simone Weil fez dos partidos. E imprescindível tem sido esta sua rubrica aqui no DO, Carlos
Uma grande vénia a esta Senhora Carlos!