Diz que disse


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Disseram-me o  que ele disse de mim. Quem assistiu desdiz o que  o outro disse que ele disse. Quem não assistiu, mas de quem alguém disse o que disse, garante que o outro disse o que quem assistiu, garante que não disse.

Este é o grande tema de discussão em Portugal. Que importa o défice, se o Benfica vai ser campeão e o Nuno Santos já veio desmentir o Crespo?

O melhor é mesmo ler as palavras de Silva Lopes e enviar cópia a MFL.

Nem sempre o que parece é…


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Sem colocar em dúvida a veracidade da história contada por Mário Crespo, surgida em vésperas do lançamento do seu livro de crónicas, creio que vale a pena reflectir um pouco sobre o assunto.

A tendência de tirar conclusões sempre no mesmo sentido, quando está em causa a relação entre um jornalista e o governo começa a revelar alguns resquícios de maniqueísmo.

A conversa em "alta voz"  relatada por MC, entre três membros do governo e um executivo da televisão (que pena MárioCrespo não nos ter dado a conhecer o nome do executivo e do canal de televisão…),  revela um espírito suicidário do executivo.

Seria da maior utilidade deslindar a história até ao fim, sob o ponto de vista jornalístico (a psicanálise também pode dar uma ajuda), porque permite várias leituras. Se calhar, até teríamos algumas surpresas.

Gosto sempre de tentar ver o lado B das notícias. E, neste caso, pode bem existir um lado B que não deve ser menosprezado, particularmente pelos jornalistas.

O orçamento de Davos


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O  congelamento dos salários da função pública era uma medida esperada e que até se compreende. Não tanto em função da crise, mas mais pela tendência dos governos (iniciada com Manuela Ferreira Leite, é sempre bom não esquecer…) em transformar os funcionários públicos em bombos da festa. Parece-me, porém, inadmissível, a antecipação para 2010 das regras sobre a reforma que deveriam aplicar-se apenas a partir de 2015. O governo fez tábua rasa do acordo que estabelecera com os sindicatos e mandou-os às malvas…

Esta é apenas uma das situações que demonstra o  desprezo  pelas pessoas que ressalta do OE. Nada de surpreendente, já que o único primeiro-ministro que em Portugal se preocupou com as pessoas, nos últimos 25 anos, foi António Guterres. Custa , porém, ver um governo que se autoproclama socialista, seguir uma política que privilegia o mercado e escarnece das pessoas.

O OE reflecte, afinal, o triunfo  de Davos, no confronto com Porto Alegre.

Gato escondido com o rabo de fora


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Enquanto afirma estar disposto a reduzir o vencimento, Teixeira dos Santos vai concedendo aumentos aos ministros para gasolina, telemóveis, ajudas de custo, viagens e horas extraordinárias. Se em vez de falar em reduzir os vencimentos, o ministro das finanças falasse em acabar com alguns gabinetes imprestáveis, que são um sorvedouro de dinheiro, talvez  o levasse mais a sério.

Figura da semana (11)


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Durante toda a semana, Teixeira dos Santos foi a figura mais falada na comunicação social portuguesa. Goste-se ou não do ministro das finanças, critique-se ou louve-se o OE, todos concordarão que ele marcou a agenda durante a semana que terminou. Não cabe aqui discutir se o OE é bom ou mau. Trata-se, tão só, de destacar o facto de o país ter estado suspenso das opções do ministro das finanças, que vão (para o bem e para o mal) marcar este e os anos futuros. Provavelmente não muito diferentes das que seriam  tomadas pelo cromo da semana.

Retratos da pobreza e exclusão (5)


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Bombaim (ou Mumbai) é uma cidade de horrores. A miséria da maioria da população contrasta, de forma aviltante, com o luxo de uma minoria.

Todas as noites, mais de 1 milhão de pessoas dorme em valas ao longo da estrada que liga a cidade ao aeroporto, enquanto turistas se divertem e dormem em hotéis luxuosos; hordas de pedintes vasculham em montes de imundície, enquanto homens de negócios se reúnem em jantares cujo custo permitiria matar a fome a uma família indiana durante um ano; políticos discutem nos bares, entre duas bebidas e aperitivos, os problemas da miséria no mundo, enquanto crianças ranhosas, fedendo a miséria, colam os olhos vítreos nas janelas dos autocarros pejados de turistas.

Mais do que pedirem uma esmola, pedem que alguém olhe para a sua miséria. Não querem compaixão, apelam apenas à consciência de quem pode reduzir o seu sofrimento.

Histórias de vida


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Cantava, com ar "malandreco" e prosápia,  umas canções ordinarotas que lhe granjearam enorme  sucesso. Aos 10 anos sonhava com um Lamborghini e ganhou dinheiro suficiente para os pais trocarem a roulotte por uma mansão. Aos 10 anos, era o sustento da família.

Tinha direito a sonhar com uma vida desafogada mas, quando chegou a adulto, despertou para um enorme pesadelo. O Lamborghini com que sonhou em criança virou abóbora, como nos contos de fadas.  Alguém se encarregou de lhe roubar os sonhos.

Dogging ou voyeurismo?


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No “i”, leio  uma reportagem sobre portugueses que gostam de fazer sexo em locais exóticos: vestiários de lojas, salas de cinema, casas de banho de discotecas, etc. Até aqui, nada de anormal. No avião também é bom, mas os portugueses não parecem apreciar o sexo nas alturas.

O que me chamou a atenção na reportagem foi o facto de este ser um novo desporto (chamemos-lhe assim) que está a fazer furor entre alguns casais portugueses. Chama-se Dogging e consiste em fazer sexo em locais ao ar livre, onde correm o risco de serem apanhados em flagrante. Dizem os amantes desta prática que a adrenalina sobe nessas situações, mas há outros que gostam mesmo de ser vistos a ter relações sexuais, por isso combinam, através da Internet,  encontros com outros casais para  assistirem às suas exibições amorosas.

Eu sei que há gostos para tudo, o que não sabia é que o signo astrológico tinha influência neste tipo de comportamentos. Pelo menos foi o que concluí ao ler a explicação de uma das amantes  desta actividade, que justifica  o seu prazer pelo sexo em locais públicos, por ser Touro e ter Vénus como planeta regente.

Não sei se este argumento seria suficiente para evitar a condenação, se um dia lhe aparecesse pela frente este juiz americano, mas não há nada como experimentar…

Figura da semana (10)


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Pela  Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) passaram alguns dos nomes mais marcantes da arquitectura portuguesa do século XX. Alexandre Alves da Costa não é, provavelmente, dos mais conhecidos e badalados, mas além de ter sido um dos fundadores da agora FAUP, foi colega de  uns, professor de outros e  por todos admirado.

Recentemente jubilado, deu na quinta-feira (21 de Janeiro)  a sua última aula. Melhor: a que devia ter sido a última aula, se um recente decreto do ministro Mariano Gago não viesse permitir que os professores jubilados pudessem continuar a leccionar, desde que para tal sejam convidados. Alves da Costa  foi convidado, vai continuar a dar aulas no Porto e em Coimbra e a trabalhar. Neste momento, entre outros projectos, está o da reorganização do Terreiro do Paço.

Terminou a  aula que marcou o seu jubileu, perante uma assistência de notáveis – onde se encontrava  o  padrinho Manoel de Oliveira –  com uma frase que merece uma séria reflexão:

“A única maneira de remover o obstáculo da identidade é deixarmos de ser primeiro portugueses, para existir primeiro como homens. Deixar de procurar a identidade para que sejamos nós, diferentes, em devir de desassossego, com a nossa força própria”.

Um alerta para muitos de nós e, obviamente, também para o cromo da semana. 

Tu, ou você?


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Parece que não, mas há uma grande diferença entre o tratamento por tu, ou por você, João. Ora vê lá se não tenho razão…

O Director Geral de um Banco estava preocupado com um jovem e brilhante director, que depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia. Então o Director Geral do Banco chamou um detective e disse-lhe: 

– Siga o Dr. Mendes durante uma semana, durante a hora do almoço.

O detective, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:

– O Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no seu carro, vai a sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

Responde o Director Geral:

– Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.

O detective pergunta-lhe:

– Desculpe. Posso tratá-lo por tu?

– Sim, claro — respondeu o Director Geral, surpreendido.

– Então vou repetir: o Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

Ainda a divulgação das escutas


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Gostaria de saber a opinião dos juristas do Delito sobre este  assunto mas, no meu juízo, o conteúdo das escutas telefónicas  perde relevância  quando a sua divulgação  resulta de um  crime que (aparentemente) pretende  incitar ao  julgamento  em praça pública.

Num aspecto, porém, me parece que o criminoso tem razão. A escolha do nome que atribuiu a ele próprio faz todo o sentido: Tripulha.

Num país onde a justiça já está tão desacreditada, este episódio  é pouco abonatório e apenas contribui para diminuir ainda mais a sua  credibilidade e a dos seus agentes. Sejam eles Tripulhas ou apenas mandatários dos ditos.

Não me sinto confortável num país onde as situações de fuga de informação sobre processos judiciais se repetem a um ritmo vertiginoso e  começo a duvidar de que lado estarão os criminosos. Quando a “vendetta” deixa de ser um exclusivo das máfias e passa a ser prática comum, sinto-me inseguro e creio não haver nada pior do que viver num país onde a justiça, quando não consegue condenar os acusados, opta por  se deitar com  os jornalistas.

Muitos dirão que não há razão para alarme. Estou de acordo.  Eu sei que há países, como a Papua Nova Guiné por exemplo, onde a justiça tribal se sobrepõe, em muitos casos,  às decisões dos tribunais, mas não é porventura fruto do acaso que Port Moresby figure entre as três cidades  do mundo onde a criminalidade é mais violenta.

Tudo será muito pior, porém, quando alguém se lembrar, em Portugal, de fazer uma lei como a que o senhor Bruneau  aplicou no Louisiana.

Haiti


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Vejo as imagens na televisão, ouço os relatos das cenas de violência protagonizadas por  quem luta contra a fome e revolto-me. Provoca-me náuseas o ar compungido dos repórteres. Causam-me asco os relatos das cenas de violência exibidas na pantalha. São imagens chocantes, violentas, aviltantes. A culpa não é dos repórteres, nem dos pobres haitianos que lutam pela sobrevivência. As náuseas e o asco são provocados por um sentimento de revolta que me invade, quando penso que as dimensões desta tragédia poderiam ter sido muito menores se há mais tempo tivéssemos olhado para o Haiti com outros olhos. Se o mundo se tivesse preocupado em evitar uma tragédia destas dimensões, ajudando o povo haitiano a construir um pais desestruturado  e há séculos  marcado pela violência.

Um daqueles teocratas fundamentalistas  americano,  capaz de nos fazer acreditar que Bush até é um tipo inteligente, veio dizer que o sismo foi uma bênção divina, mandada por um deus agastado pelo facto de os haitianos terem vendido a alma ao diabo para expulsar os franceses. Pat Robertson, ex-candidato à presidência dos EUA em 1988, disse isto com aquele ar sério próprio dos néscios. Presumo que gostará de ler o Caim  e concordará com Saramago.

Assisto a tudo isto e fico à beira de um ataque de nervos. Revolta-me este mundo ocidental de nababos, onde os orçamentos militares são incomensuravelmente superiores  às verbas destinadas para combater a pobreza.

Eriçam-se-me todos os pêlos do corpo, quando vejo o mundo onde vivo crescer à custa do desperdício e, olhando para o lado, encontro outro mundo de miséria, a quem esse desperdício seria suficiente para matar a fome.

Blasfemo contra a hipocrisia dos fariseus. Consciências aliviadas pelo favor de um donativo, seguem em frente, à espera de uma nova oportunidade para expiarem os seus pecados, à custa da miséria alheia.

Praguejo contra este modelo  ultra liberal, contra o capitalismo selvagem  que cava um fosso cada vez maior entre ricos e pobres e onde emergem uns fariseus dispostos a repartir umas migalhas da sua ganância.

Lavo as entranhas, num prolongado vómito, quando vejo dirigentes dos países mais poderosos e mais ricos do mundo surgirem diante das câmaras em postura reflexiva, ar compungido e penitente, lamentando a catástrofe, momentos depois de terem aprovado um generoso orçamento para comprar armas  e recusado disponibilizar mais verbas para o combate à pobreza. Eles sabem que, em caso de nova catástrofe, a solidariedade humana cumprirá o seu dever. Seja enviando donativos, seja indo para o terreno, em missões de voluntariado, prestar auxílio a quem precisa.

Quanto aos senhores do mundo, que nós elegemos para governar estes arremedos de democracia, vão reunir, depois da fugaz aparição televisiva,  com os donos do capital.

Enquanto debicam opíparas iguarias, falarão da necessidade de baixar os salários e das cotações na bolsa, chegarão a acordo para aumentar a idade da reforma e reduzir as pensões, fecharão um negócio a celebrar entre a empresa e o Estado  e acertarão o lugar que o sr. presidente vai ocupar na administração da empresa, quando abandonar o cargo.

Entrementes, acordam o palco de um novo conflito que sustente a empresa de armamento de um qualquer Dick Cheney

As ONG’s que façam o seu trabalho e o povo que dê os seus contributos, porque não faz mais do que a sua obrigação.

Figura da semana (9)


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Fernando Nobre talvez seja um daqueles nomes que só é lembrado, pela maioria dos portugueses, em situações de calamidade, como a que ocorreu a semana passada no Haiti.

Poderia ser, hoje em dia, mais um médico de sucesso, ou um professor universitário de reconhecido mérito. Optou por colocar os seus conhecimentos e a sua vida ao serviço dos outros. Primeiro nos Médicos Sem Fronteiras, depois na  AMI, organização por ele criada em 1984 – e de que é presidente – com o intuito de prestar ajuda humanitária em situações  de crise e emergência e a combater o subdesenvolvimento, a fome, a pobreza e a exclusão social.

Quando, em qualquer parte do mundo, uma catástrofe, uma guerra ou um conflito étnico requer ajuda humanitária, Fernando Nobre  está sempre entre  os primeiros a oferecer ajuda e  a AMI é a primeira ONG portuguesa a marcar presença.

Fernando Nobre participou em missões  humanitárias em mais de 100 países e delas nos tem dado testemunho em vários livros que relatam a sua experiência de vida na ajuda aos mais carenciados.

Recentemente, no Congresso da Ordem dos Economistas, fez um discurso vigoroso e provocador, lembrando aos economistas presentes – que também são actuais e ex-responsáveis políticos, gestores e empresários -, as suas responsabilidades pelas desigualdades “gritantes e indignas” que marcam a sociedade actual.

Quem não teria aplaudido o discurso seria, certamente, o cromo da semana.

Lisboa tem “Muro da Vergonha”


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Já passaram 20 anos desde a queda do  Muro de Berlim. Desde então outros se ergueram, merecendo críticas e/ou aplausos. Ninguém fala, porém, de um muro nascido em Lisboa há cinco anos, que corta a cidade num dos  pontos de maior fluxo de tráfego. Vai sendo tempo de António Costa dizer aos lisboetas quais são os seus planos para este “Muro da Vergonha” que prejudica transeuntes e comerciantes, beneficiando apenas alguns automobilistas.

 

O poder dos títulos


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Embora estando de acordo com este post do Pedro, gostaria de referir um outro poder dos jornalistas, relacionado com os títulos das notícias. Todos os dias leio títulos que desvirtuam total ou parcialmente o sentido da notícia, ou lhe conferem uma conotação ideológica. 

Dedico-me, com alguma frequência, à comparação dos títulos escolhidos por  diversos jornais para uma mesma notícia, exercício que aplico também em algumas acções de formação. Não se trata de perda de tempo, ou curiosidade mórbida. A maioria das pessoas só lê  o título e os “leads” de  grande parte das notícias, tirando a partir dele as suas conclusões, pelo que a escolha do título pode, de algum modo, “formatar” o juízo dos leitores. É uma espécie de "poder oculto" utilizado por alguma imprensa.

A  comparação permite ainda tirar conclusões assaz curiosas, sendo uma delas que a escolha de um título nem sempre é inocente. Poderia aqui trazer inúmeros exemplos, mas deixo-vos apenas um, escolhido de forma aleatória, na imprensa de hoje.

“Estado gasta mais 500 milhões para suportar emprego de 760 mil pessoas”.

A leitura deste título permite diversas interpretações que deixo ao vosso juízo. Apenas gostaria de salientar que, referindo-se a notícia a um plano de combate ao desemprego ontem apresentado pelo ministério do trabalho (“Iniciativa  Emprego 2010”),  talvez fosse mais ajustado  um título que se cingisse ao teor da notícia e evitasse  interpretações dúbias. Por exemplo: “Estado disponibiliza 500 milhões para combater  desemprego”.  Ou então, numa versão mais curta: “Plano de Emprego abrange 760 mil pessoas”.  Títulos inócuos, argumentarão alguns. Talvez… mas, pelo menos, terão a vantagem de não suscitar interpretações dúbias.